Beltrão Coelho – converter a frota em veículos 100% elétricos

by on 16 Janeiro, 2019 in Frotas

Beltrão Coelho – converter a frota em veículos 100% elétricos

A empresa Beltrão Coelho adquiriu 17 Renault ZOE para substituir a sua frota de carros com motorização a diesel.

Ana Cantinho, diretora geral da Beltrão Coelho, em entrevista à Automotive explica-nos as vantagens e os desafios que resultam desta decisão de modificar a frota: “A história dos veículos elétricos nesta empresa começa com um Renault ZOE que me foi cedido para experimentar. Foi através desse teste que tomei contacto com o mundo dos carros elétricos e suas vantagens na mobilidade citadina.

Aspetos da condução como a ausência de ruído, não ter caixa de velocidades, não pagar estacionamento nas ruas de Lisboa, entre outros, levaram-me a estudar a possibilidade de termos uma frota elétrica na empresa, para os nossos comerciais e técnicos. Maioritariamente as suas deslocações são citadinas.

Procura constante da tecnologia

A Beltrão Coelho completou em 2018; 70 anos de existência e a nossa área principal de negócio são soluções de impressão. Somos parceiros da Xerox há cerca de 10 anos, e em termos de soluções de impressão o Estado é o nosso maior cliente, no entanto, temos vindo cada vez mais a trabalhar com  o segmento das pequenas e médias empresas e temos tido bons resultados.

Este ano iniciamos uma nova área de negócio no segmento dos robots de serviço. A robótica irá ganhar o seu espaço nas empresas, e vemos isso como algo que possa complementar os serviços das empresas em diversas áreas. Não acreditamos que a robótica irá substituir os funcionários de uma empresa, mas pode ajudar muito em tarefas rotineiras e exaustivas.

Falei do nosso negócio, porque isso explica o motivo de acreditar que a mudança para os carros elétricos é um passo natural, pois a Beltrão Coelho tem uma grande componente de inovação na sua atividade e estamos sempre à procura das melhores tecnologias para os nossos clientes. Se fazemos isso por eles, também o fazemos internamente, por isso os carros elétricos serão o presente desta empresa.

Prova disso é que os funcionários que já conduziram o Renault ZOE têm-nos dado um feedback muito bom. A única coisa que falta é a instalação de carregadores aqui na nossa sede, e é algo que já está adjudicado e dentro de pouco tempo serão instalados. Apesar dos carros poderem ser adquiridos com carregadores, optamos por um fornecedor externo que nos disponibilizou um apoio mais especializado em toda a estrutura elétrica da empresa.

Desafios dos carros elétricos

Os 17 carros já deviam ter chegado, mas devido à greve dos estivadores eles irão ser entregues gradualmente. As viaturas foram adquiridas através de Leasing, pois o IVA é dedutível na sua totalidade. A nossa primeira opção foi o Renting, mas a gestora de frota com que trabalhamos não nos conseguiu dar a certeza absoluta que o IVA seria dedutível, e por isso optamos pelo Leasing.

O processo de carregamento fora da empresa ainda não está totalmente preparado para as frotas aderirem aos elétricos. Por exemplo, para obtermos um cartão para o carregamento necessitamos da matrícula da viatura, e isso implica em já termos a viatura connosco. Como o cartão demora no mínimo 10 dias a chegar, quer dizer que durante esse período não carregamos o carro nos postos de carregamento. Para os carregamentos rápidos, é necessário ter-se um contrato com a Galp ou EDP. Para não estarmos limitados, já temos os cartões da MobiE, da Galp e da EDP.

Pessoalmente, carrego o Renault ZOE num posto público perto de casa. Como tenho o aplicativo no smartphone, sei sempre quando o carro acabou de carregar completamente. Quando isso acontece, vou retirar o carro do posto de carregamento (PdC), pois existem mais carros que utilizam esse PdC. Isto porque se o carro elétrico não estiver a carregar, os outros utilizadores podem exigir o reboque do carro estacionado no PdC, mesmo que este seja elétrico. Antigamente deixava-se o carro elétrico a noite toda a carregar e tirava-se de manhã. Agora com mais carros a precisarem de carregar é preciso gerir os PdC de outra forma.

O aplicativo da Renault no smartphone é muito prático. Para além das informações que fornece, também podemos interagir com o veículo, por exemplo, ligar a climatização para quando entrarmos dentro do carro ele esteja à temperatura desejada. Outra das coisas que aprendi é que, dependendo da temperatura exterior, convém deixar o carro com a climatização ligada, pois as baterias carregam melhor com temperaturas mais amenas. As temperaturas extremas – quer seja frio ou calor – influenciam negativamente no tempo de carregamento do carro.

Vantagens atuais e futuras

O Renault ZOE tem um bom espaço interno e mais importante é o espaço de bagageira que é muito bom para um carro citadino. Não queríamos que os funcionários perdessem comodidades ao mudarem de carro, nem que as operações ficassem prejudicadas por isso. Como os carros destinam-se tanto aos nossos comerciais como técnicos, o espaço de bagageira é muito importante.

Temos visto muita informação contra o diesel e como as viaturas se mantêm na empresa cerca de 4 anos, não queremos ficar com uma frota desadequada caso Lisboa proíba a circulação de carros a diesel. O custo das viaturas elétricas é muito similar ao daquelas que já tínhamos a diesel, uma vez que optamos por não comprar as baterias. Temos o contrato de aluguer da bateria, associado à quilometragem prevista para cada viatura. Se tivéssemos que comprá-las, o valor do carro seria proibitivo.

Por fim, de referir que a autonomia não é um problema, temos é que aprender a conduzir o carro para poder tirar mais partido dele e até ganhar autonomia. Nos testes que fizemos, se o percurso ajudar e o condutor também, conseguimos uma autonomia de quase 300km.

A nossa área de atuação abrange a Grande Lisboa, Algarve, Coimbra, e até Castelo Branco. Estamos a renovar todas as 23 viaturas da frota que eram a diesel. Agora 17 serão elétricas, 3 serão híbridas e vamos manter 3 carros a combustão, para os funcionários que ainda têm que percorrer grandes distâncias.

Apesar dos desafios que mencionei da mobilidade elétrica, o fato de termos quase a totalidade da frota com carros elétricos prova que, nas nossas contas, entre desafios e vantagens, as vantagens prevaleceram” conclui Ana Cantinho.

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