Carris iniciou renovação histórica

by on 12 Março, 2018 in Pesados

Carris iniciou renovação histórica

A Carris não adquiria autocarros novos desde 2010, tendo perdido desde então mais de 100 autocarros da sua frota.

Um ano após a Carris ter passado para a administração da Câmara Municipal de Lisboa (CML), foi realizado um evento de celebração de aquisição de 165 novos autocarros. A Automotive esteve presente e entrevistou David Carlos, country manager da MAN Truck&Bus Portugal, sendo a sua primeira presença numa cerimónia de aquisição de viaturas, na direção desta empresa.

O responsável comentou que “para a MAN Portugal é um marco histórico, não só pelo volume das unidades que estamos aqui a falar: de 125 unidades, mas também, porque estamos a fazer parte de um projeto de renovação numa empresa tão emblemática como é a Carris. Apostando claramente na tecnologia do gás natural é o que nós precisamos para ter a melhoria do ambiente nas cidades.

Para além do negócio propriamente dito, há também a componente ambiental, que para nós é importante. É um voto de confiança na MAN, porque está mais que provada a sua eficiência. Há uma preocupação constante dos gestores municipais e dos munícipes em cada vez mais, ter um ambiente saudável. A MAN aqui contribui não só a nível ambiental, mas também operacional, ou seja: através dos serviços de pós-venda, que é muito marcante na relação e consolidação da empresa com os nossos clientes. Para as empresas que prestam serviço público, as imobilizações são fatores de preocupação: ninguém quer ter lixo à porta e nem que o autocarro pare a meio do percurso. Daí a nossa vantagem competitiva: proteção ambiental e resposta rápida do serviço de pós-venda, de reparação e de manutenção.

Perspetivas para 2018

Em termos de perspetivas para este ano, tenho a dizer que será muito motivante. Apesar de estar apenas com um mês de atividade neste projeto, posso garantir que é extremamente positivo. É fruto do trabalho das pessoas que fazem parte da equipa MAN. Neste ano vamos promover a consolidação da marca no nosso país e vamos fazer alterações estratégicas; quer no modelo de distribuição; quer no modelo de comercialização.

Estou otimista e acho que vamos fazer um ano muito interessante em 2018, com todas as dificuldades que estamos habituados a viver na nossa área de veículos comerciais; quer seja de passageiros; quer seja de mercadorias.

Do ponto de vista pessoal a entrada na MAN deixa-me com muitos motivos de orgulho, foi um convite endereçado pela administração que reconheceu o meu trabalho – que não é só meu – mas também pelas equipas que tenho gerido nos últimos anos; é o meu maior motivo de satisfação. Em termos de metas pessoais, o que eu quero é que a empresa mantenha a sua senda de sucesso que tem tido até agora, e se possível melhorá-la. A minha grande meta enquanto responsável é manter o foco no cliente.

Em 2018 vamos ter o trator TGX que foi lançado no ano passado, mas este ano será o da sua efetiva comercialização. É uma aposta interessante da marca, claramente mais uma vez na senda dos consumos e da otimização dos custos operacionais. Temos o comercial ligeiro com a TGE, é o ano em que vamos entrar em andamento normal, sabendo nós de antemão que é um projeto novo dentro da nossa marca, e da nossa própria organização e que trará alterações a vários níveis”, perspetiva David Carlos. Na foto  David Carlos e Cabaça Ramos assinam o documento. Na foto (3) a equipa da MAN Truck&Bus Portugal juntamente com Meira Afonso da Hydraplan.

Carroçarias produzidas em Portugal

Os 125 autocarros MAN serão carroçados pela CaetanoBus, empresa do Grupo Salvador Caetano. A Automotive entrevistou José Ramos, presidente do conselho de administração, que explica a importância destas aquisições: “Esta ação com a Carris é muito relevante, a exemplo do que já tinha acontecido com os STCP, que em conjunto são uma referência em termos de operadores de autocarros e o seu peso é enorme, nós vimos essa conjunção com muito agrado. É muito importante haver este planeamento de aquisição de autocarros faseada e não mais se fazer de 7 em 7 anos, porque era mau para a indústria nacional. Isto porque, a capacidade da indústria nacional não responde num único ano, a encomendas de 500 ou 600 autocarros e depois ficar 6 anos sem encomendas.

Havendo um planeamento é bom para a indústria nacional, caso contrário corremos o risco de estarmos sempre a importar autocarros completos – não é dignificante para indústria nacional e é um desinvestimento nas pessoas. Como sabe, somos um grande empregador, posso-lhe dizer, que só no fim do ano passado e início deste ano, admitimos 200 pessoas. Adicionalmente somos formadores de mão-de-obra qualificada, os nossos centros de formação têm cerca de 400 formandos permanentemente, trabalhamos em conjunto com o IFP, com uma taxa de 95% de empregabilidade; dos 5% restantes, habitualmente 3% emigram. É com orgulho que digo isto, porque temos muito bons formadores e formandos, e alguns são absorvidos pelo próprio grupo, porque são necessários.

Próximos negócios nos autocarros

Nós estamos em vários concursos dentro de Portugal, onde posso citar vários exemplos: no Porto, em Braga, aqui na Carris, no Barreiro, ou seja em todos os locais onde haja concurso nós estamos presentes. Também estamos direcionados para o exterior, no ano passado 95% da nossa produção foi para exportação.

Os próximos anos serão de grande expectativa, esperamos que sejam “anos de ouro” para nós e para os nossos clientes. Só no ano passado fizemos 600 autocarros, vindo de um crescendo de 400, e este ano vamos para os 700. No ano 2025 o nosso plano é de dobrar a nossa produção passando para predominantemente elétricos. Estamos com muita expectativa e bem posicionados. Quero aproveitar para endereçar uma palavra de apreço para com o Governo e pelo Ministério do Ambiente, principalmente porque nos ajudou e potenciou a nossa iniciativa de desenvolvermos o autocarro elétrico.

No âmbito dos autocarros elétricos estamos em concurso não só para europa, mas também e predominantemente para a ásia, inclusive para o Japão, com a tecnologia desenvolvida nacionalmente, e não vamos ficar por aqui. Neste momento estamos a desenvolver um novo projeto que será revelado ainda este ano, provavelmente no segundo semestre em que haverá novidades nesta área. Teremos muito gosto em que a Automotive esteja presente” conclui José Ramos. Na foto (5), Fernando Medina, presidente da CML, José Ramos e Jorge Pinto CEO da CaetanoBus.

Articulados mantêm-se Mercedes-Benz

Dos 165 novos autocarros da Carris, 40 unidades são de autocarros articulados que foram adquiridos à Mercedes-Benz. A escolha recaiu no modelo Citaro articulado de 18 metros, com motor de última geração movido a gás natural, sendo importado com a carroçaria completa. Da Mercedes-Benz Evobus, estiveram presentes na cerimónia de assinatura Duarte Almeida, diretor comercial e João Mendes diretor financeiro (foto), bem como Jorge Neves, comercial.

Resultados positivos da Carris

Fernando Medina, presidente da CML, comentou no evento que “foi extremamente positivo a passagem da administração da Carris para a CML o que nos permitiu realizar diversas ações que, feitas as contas, aumentaram o número de passageiros da Carris em 1,4 milhões de viagens em 2017 face ao ano anterior”.

Tiago Lopes Farias, presidente do conselho de administração da Carris (foto 4), referiu também que “além dos veículos, estamos também a investir nas pessoas, com o recrutamento de mais profissionais, nomeadamente motoristas, guarda-freios e pessoal técnico. Queremos proporcionar aos utilizadores da Carris a melhor qualidade de serviço, dentro das melhores práticas ambientais.

Continuaremos a aumentar a nossa frota de autocarros nos próximos quatro anos com mais 350 unidades, das quais 165 foram agora adquiridas, num momento marcante para a Carris e todos os seus parceiros aqui presentes hoje” conclui Tiago Lopes Farias.

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