Cézanne e o Mercedes CLS 400d 4matic – um quadro de referência

by on 3 Agosto, 2018 in Ensaios / Assessment

Cézanne e o Mercedes CLS 400d 4matic – um quadro de referência

Convidámos Paul Cézanne, diretor geral da FUCHS Lubrificantes Portugal, para realizar o assessment do novo Mercedes-Benz CLS.

Paul Cézanne partilha o nome com o pintor francês do pós-impressionismo, pintor esse que participou na transição entre o impressionismo e o cubismo. E se existe algo que caracteriza a génese do CLS é exatamente a transição: em 2004 a Mercedes-Benz lançou o CLS, um novo segmento de automóveis que combinava o dinamismo de um coupé, com o conforto e funcionalidade de um saloon.

Este novo CLS inaugura a terceira geração do modelo, que se apresenta com argumentos renovados em todos os aspetos. Paul Cézanne, aqui na qualidade de administrador de topo, avalia assim o modelo do ponto de vista de utilização em contexto de uma frota.

“Diferentemente do meu homónimo, o pintor Paul Cézanne, não tenho nem raízes francesas, nem prática na área artística. Tenho sim uma relação próxima com a Alemanha, onde fiz a minha faculdade, e com os automóveis, em termos de percurso profissional, portanto irei avaliar o carro mais do ponto de vista prático do que estético/design.

No entanto, não é preciso ser-se um expert para se dizer que a estética deste carro é muito peculiar. Em primeiro lugar ressalto a cor. É uma cor texturada. Traz-lhe mais luz do que um cinzento “normal” e evidencia bastante os contornos do carro. Fica-lhe muito bem. Além de ser agradável ao toque (por ser texturada), esta cor não evidência tanto a sujidade, por isso é, à partida, uma boa característica para integrar uma frota que preze pela apresentação das suas viaturas.

Em segundo lugar, as linhas deste CLS são muito bonitas, desde o desenho da frente, passando pelas laterais, até à traseira que está bem conseguida. À primeira vista, até achei que seria demasiado elitista, mas este modelo CLS até ficou bem enquadrado dentro do armazém da FUCHS, um ambiente mais operacional. O Mercedes CLS mantém aquele visual de coupé, mas dispõe de dimensões generosas. Aliás, esse é o terceiro ponto que realço – o espaço. O carro é grande e espaçoso. Fui logo testar a bagageira e notei que tem espaço de sobra, para um automóvel do seu segmento.

Numa primeira abordagem, diria que são quatro os aspetos que mais se realçam neste CLS: a cor, o desenho, o enquadramento com o ambiente, e o espaço. Enfim, disse que não ia avaliar o carro do ponto de vista artístico, mas acabei por descrever vetores de avaliação das artes visuais – cor/desenho/enquadramento/espaço.

Por dentro do quadro

Vamos então passar aos aspetos mais práticos. Sentado ao volante, sinto que a posição de condução é ideal, o banco está bem ajustado e tem bons apoios lombares. Não é desconfortável nem apertado, sinto que estou “abraçado” ao banco. O painel de instrumentos e o ecrã central são quase que um ecrã único, com uma excelente posição, leitura e visibilidade. Notável o conjunto de informações, de interações e de conectividades que disponibiliza.

Sei que a versão anterior do CLS só tinha 4 lugares, e agora “cresceu” para um carro de 5 ocupantes. No entanto, o 5º lugar é apenas para alguma eventualidade e não para viajar muito tempo. Por exemplo, num almoço da empresa, escusa-se de levar dois carros e transportamos todos neste CLS. É bom porque não temos um carro limitado, mas como referi, será sempre para um trajeto mais curto. Em todo o caso, os dois ocupantes traseiros ficam muito bem sentados e com espaço de sobra para as pernas, como pude comprovar. O carro apesar de ter um teto baixo, consegue acomodar bem os passageiros no seu interior.

Primeiros movimentos

Para sairmos do armazém da FUCHS, localizado na Maia, a visão 360º ajudou a manobrar o carro. As câmaras de filmar estão bem posicionadas e têm uma boa nitidez, proporcionando um ótimo enquadramento das imagens no ecrã central. Mas é preciso algum tempo para nos habituarmos a estas tecnologias. A questão é que quando nos habituamos, depois não queremos outra coisa.

Estou mais acostumado a carros com caixa manual, mas reconheço que a caixa automática desde modelo proporciona um conforto suplementar na condução. Aliás, o próximo carro que irei escolher será seguramente de caixa automática. Aproveito a oportunidade para dizer que a FUCHS já tem o lubrificante para estas caixas de 9 velocidades, que é o TITAN ATF 9134 FE .

Convém esclarecer que o lubrificante é diferente para uso numa caixa de 7 ou de 9 velocidades. Em alguns casos é possível fazer o retrofitting, ou seja, usar o lubrificante da caixa de velocidades mais recente, na mais antiga. Mas regra geral os lubrificantes mais recentes não têm compatibilidade com caixas de velocidade mais antigas. Cada caixa tem a sua especificidade e sua evolução técnica e daí necessitar do ATF (Automatic Transmission Fluid) adequado.

Os lubrificantes são desenvolvidos em conjunto com os fabricantes das caixas de velocidades e com as marcas automóveis. A FUCHS está bem posicionada nesse domínio, pois além do desenvolvimento com os fabricantes, temos uma boa quota no que diz respeito ao mercado do primeiro enchimento. Ou seja, muitos automóveis saem de fábrica com lubrificante FUCHS, como é o caso de alguns modelos da Mercedes-Benz. Depois, no mercado de pós-venda, estamos cada vez mais a consolidar a nossa posição, especialmente em Portugal.

Neste novo modelo CLS não se sentem as passagens de caixa, parece que nem tem mudanças. As patilhas no volante são para quem gosta de uma condução mais desportiva. No meu caso, privilegio o conforto apesar de gostar da força deste motor que responde muito rápido, mesmo em modo Confort. Nos modos Sport e Sport+, sentimos toda a essência do carro, potência e reação deste motor de 340 cv. Uma obra de arte em termos de tecnologia diesel.

Tecnologias e segurança

Em termos profissionais também tenho em uso um modelo da marca Mercedes-Benz. Curiosamente, é o primeiro Mercedes-Benz que tenho e até agora a experiência tem sido muito satisfatória. Tanto este CLS como o meu Mercedes-Benz, têm o aviso sonoro quando nos aproximamos demasiado rápido do carro da frente. Já tive um episódio onde isso aconteceu e o carro travou completamente. Não é que fosse bater, porque estava a controlar a situação, mas fiquei surpreso pela positiva pelo carro ter travado automaticamente. É um elemento importante de segurança, e muito útil para quando nos distraímos na condução.

O assistente de faixa lateral curva sozinho. E curva durante bastante tempo, para manter o carro dentro das faixas de rodagem. Impressionante o grau de autonomia deste sistema. Notei também que, por duas vezes o carro, acionou os travões quando me aproximei demasiado da linha da berma. Já estava acostumado com a qualidade da assistência a condução do meu modelo Mercedes, mas esta versão CLS supera tudo o que estava à espera.

Estes sistemas dão outra tranquilidade ao condutor. Principalmente para quem passa muito tempo com chamadas telefónicas no carro em autoestrada. O alta-voz com Bluetooth ajuda bastante, mas por mais que tentemos evitar, as vezes vamos tão envolvidos numa conversa que prestamos menos atenção à estrada.

E numa velocidade de autoestrada, o motor não faz um barulho aborrecido, é suave e confortável, apesar deste tamanho (3 litros) e desta cavalagem (340cv). A boa insonorização do habitáculo também ajuda neste ponto. Testei o sistema de som Burmester com música clássica e parece que o piano está a tocar mesmo ao nosso lado. O som é cristalino, fidedigno e tem uma boa repartição por todo o interior do carro. A condução em autoestrada é assim, sublime.

Percursos sinuosos

Durante muitos anos, nos meus tempos de faculdade, fiz viagens da Alemanha para Portugal de carro. O trajeto era longo, mas tranquilo. Quando chegava a Portugal é que fazia a verdadeira condução: a antiga estrada nacional de Chaves para Fafe com curva e contracurva em montanha. Para lembrar esses tempos, experimentei este CLS num percurso similar.

A sua tração às 4 rodas faz com que toda a potência seja distribuída equitativamente e transmitida na íntegra para o asfalto. O carro curva de forma impecável. Este motor é tão responsivo que nem parece ser a diesel. Além de um excelente motor, o carro trava muito bem. A sensação de condução é de mesmo de topo. Vai de encontro aos valores da marca e a qualidade geral dos produtos da Mercedes-Benz.

Noto que no modo “Sport” a suspensão fica mesmo dura, é ótimo para a condução desportiva, mas depois, em cidade e com piso irregular torna-se algo desconfortável. Para voltar a ser agradável, basta passar para o modo “Confort”, e a suspensão fica suave e pronta para encarar o ambiente citadino.

No modo “Eco” notei uma menor resposta do motor ao acelerador, bem como uma maior inércia do carro quando retiro o pé do acelerador. Quase que não preciso de acelerar em cidade para manter os 50km/h, parece que o carro continua a sua marcha praticamente sozinho.

E por falar em cidade, o carro alertou-me para um peão que ia atravessar na passadeira. Não me tinha apercebido que o peão estava tão próximo da passadeira, e o carro avisou-me logo com uma infografia no painel de instrumentos. Este CLS “sabe” a diferença entre um peão e um carro. Também avisa quando tem peões próximos da faixa de rodagem.

Achei um dos pontos altos deste carro, que está cheio de tecnologia, mas esta do alerta aos peões é impressionante.

Consumos e ambiente

Estamos a registar neste assessment, uma média de consumo de 7,6litros/km. Costumo fazer médias de 6,4 litros/ km. Mas claro, o meu carro de serviço não tem 340cv como este CLS, portanto estes 7,6 até são uma excelente média para o tipo de percurso que realizei, pelas acelerações que fiz, e pela tipologia do motor. Este motor de 6 cilindros em linha equipava somente o Classe S e agora vemos disponível no CLS.

É um excelente motor, com uma grande versatilidade para conseguir comutar entre regimes do tipo “Sport”, “Eco” e “Confort”. Aliás, para ter essa flexibilidade, o motor tem que ter um lubrificante adaptado. E a propósito, lançamos recentemente um lubrificante específico para a Mercedes-Benz, o TITAN GT1 PRO 229.6 SAE 5W-30 XTL .

A climatização é outro ponto forte deste CLS. Com as várias entradas de ar no habitáculo, o ar condicionado climatiza de forma rápida e homogénea. Ainda sobre o ambiente a bordo” (…)

Leia o artigo completo na edição impressa da Revista Automotive

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