Citroen Berlingo. Caso de sucesso “Made in Portugal” há 20 anos

by on 1 Setembro, 2016 in Frotas

Citroen Berlingo. Caso de sucesso “Made in Portugal” há 20 anos

O lançamento deste modelo data de 1996, quando saíram de produção as primeiras unidades. Desde então, foram vendidas em Portugal mais de 61 mil viaturas do Citroen Berlingo, o que significa uma expressiva quota de 26% do total de furgões compactos comercializadas no nosso país.

Nestas duas décadas, o Berlingo assumiu por 8 anos intercalados, uma posição de líder de vendas no mercado nacional de veículos comerciais e hoje são mais de 55 mil unidades a circular nas estradas nacionais e centros urbanos. Um verdadeiro caso de sucesso, de um produto automóvel com estatuto “Made in Portugal” e que, pelas suas características, custos de utilização, fiabilidade, versatilidade de aplicações e preço, ainda tem muitos créditos por colher no universo das frotas, desde grandes empresas a PME’s.

Para conhecermos de perto as bases deste sucesso, a Revista Automotive esteve no Centro de Produção da PSA Mangualde para entrevistar José Castro Covelo, diretor geral da fábrica nacional, onde o Citroen Berlingo é produzido.

“O Citroen Berlingo marcou um antes e um depois na história da fábrica de Mangualde. Pela importância do carro para a marca Citroen; pelos volumes de produção onde o nosso centro de Mangualde deu um grande salto, e também porque do ponto de vista industrial, este modelo marcou o princípio de uma época de renovação nas viaturas comerciais ligeiras, com exigências de qualidade como nunca antes tínhamos tido na fábrica. Com o Berlingo, demos também um salto em competitividade o que nos abriu portas ao mercado da exportação.

Com a chegada da geração a qual chamamos pelo nome código M59, toda a nossa fábrica teve de ser reestruturada e modernizada, e ainda parcialmente robotizada. Passamos de uma pequena fábrica a um importante centro de produção para o grupo PSA. Prova disso, são os números. Entre 1990 e 1998 Mangualde produziu 90.996 Citroen do modelo AX. Com o Berlingo M59 (plataforma partilhada com o Peugeot Partner) entre 1998 e 2011 produzimos um volume de 582.425 viaturas, ou seja, 6 vezes mais.

Mangualde no contexto mundial

Posicionar a unidade de Mangualde como uma fábrica de topo no contexto Europeu e competir com o resto das fábricas do Grupo PSA no mundo, foi um grande desafio empresarial e somente foi possível de se conseguir alcançar graças à vinda do modelo Berlingo.

Em termos de destino, produzimos cerca de 50% entre os modelos Citroen Berlingo e Peugeot Partner, sendo que a produção se destina 10% para o mercado nacional e os restantes 90% para exportação, com maior enfoque para países como a Espanha pela natural proximidade geográfica, vindo depois a França, Alemanha e outros da União Europeia.

Entre as gerações do Berlingo , as quais identificamos como M59 e B9, a fábrica teve que se adaptar à evolução dos produtos, sobretudo em termos de processos, de inclusão da eletrónica e um maior controlo de custos produtivos. De realçar que as grandes modificações da fábrica foram sempre baseadas na segurança e melhoria das condições de trabalho dos nossos 740 funcionários.

O facto de Mangualde ter tido as várias gerações do Berlingo, num total de 3, também demostra a confiança que o Grupo PSA tem tido no trabalho nacional, não deslocalizando a produção para outros países. A nova geração do Berlingo, que chegará ao mercado em 2018, confirma esta confiança e dá-nos uma maior responsabilidade em manter os bons níveis de qualidade na produção, ao mesmo tempo que reformulamos diversos processos para nos adaptarmos ao novo modelo.

Temos conseguido provar que Mangualde é uma das melhores unidades produtivas do grupo PSA, num mercado altamente competitivo entre fábricas e entre países dos cinco continentes. Além da qualidade do produto, o sucesso do Citroen Berlingo ao longo das 3 gerações, também tem como base um bom posicionamento em termos de preço. Para tal, é necessário que todo o processo produtivo seja muito controlado em termos de custos, para que o produto fique disponível no mercado a um preço ajustado e competitivo.

O Centro de produção da PSA de Mangualde tem conseguido ao longo dos anos, alcançar este equilíbrio esse compromisso entre qualidade e preço, fruto de um intenso trabalho nacional.

Berlingo – Made in Portugal

Já são poucos os carros produzidos em Portugal, e o Berlingo é um exemplo de sucesso pelos seus volumes de venda, mas também pela satisfação dos clientes que continuam a equipar e a renovar as suas frotas com produto “Made in Portugal”.

Trata-se de um produto de referência na gama VCL da Citroën, que se renova com a chegada do novo Jumpy em Setembro, num segmento onde o Grupo PSA é líder de mercado na Europa durante quase 20 anos. Hoje, os motoristas profissionais passam cada vez mais tempo nos automóveis e o Berlingo tem uma tecnologia de conectividade que facilita o dia-a-dia de um profissional, aliado a um conforto que lhe permite chegar ao fim do dia menos cansado.

Os consumos, com base no desempenho dos novos motores do Grupo PSA, que se traduz no facto de que actualmente toda a gama disponível já respeitar a norma Euro 6, também conferem às empresas, poupanças no TCO das suas frotas, e a qualidade e a fiabilidade deste produto, também se reflete no valor residual do Berlingo que é umas das referencias na sua classe. No mercado internacional, por exemplo, ultrapassam as 2.515.000 unidades produzidas, somente nos últimos 20 anos.

Um dos componentes importantes que contribuem para o bom preço final da viatura é o custo de transporte da fábrica para os concessionários. Pelo facto do Berlingo ter a fábrica em Portugal, conseguimos ter um produto competitivo no mercado nacional das viaturas comerciais ligeiras. A logística das peças é outro fator importante no baixo custo desta viatura. Os componentes automóveis utilizados na montagem do Berlingo, por exemplo, vêm de muitas pequenas e médias empresas localizadas com boa proximidade geográfica da nossa fábrica, tanto da região no eixo Mangualde-Vigo, como de Marrocos.

Além da fiabilidade e do preço, o conceito “Made in Portugal” tem sido um argumento importante para que este modelo consiga conquistar uma importante quota de vendas junto às frotas que, ao adquirirem este produto, estão a investir o seu capital na dinamização da indústria nacional, criando uma cadeia de valor e garantindo postos de trabalho, com todas as vantagens associadas aos aspetos sociais e laborais do interior do nosso país.

Trabalho e dinamização da indústria

Na PSA Mangualde temos cerca de 740 trabalhadores, das quais aproximadamente 600 estão nas linhas de montagem, onde operamos com dois turnos. Os nossos funcionários produtivos recebem cerca de 40 mil horas por ano de formação. Somos, na industrial automóvel, um dos grandes empregadores desta região e também a nível nacional.

Para alcançarmos os elevados padrões de qualidade que caracterizam o nosso Centro de Produção em Mangualde, o Grupo PSA tem vindo a investir em média nos últimos anos, cerca de 3 milhões por ano tendo, como contrapartida, uma faturação de cerca de 400 milhões de euros.

Em termos industriais é complexo produzir a quantidade de versões que o Berlingo tem, principalmente porque engloba versões de passageiros ou de carga, onde componentes importantes como portas e janelas são completamente diferentes. Mesmo com tanta complexidade, temos a capacidade de realizar uma média de 220 veículos produzidos por dia.

Um operador que monta bancos traseiros, quando chega uma viatura na linha de produção que é de carga, esse operador não pode ficar sem fazer nada até que chegue outro Berlingo de passageiros. São atribuídas outras tarefas dentro da fábrica e é também essa flexibilização laboral que nos permite ser competitivos.

A percentagem de versões para passageiros e para carga varia de dia para dia, e se do ponto de vista da linha de produção temos que nos adaptar, do ponto de vista dos fornecedores e da cadeia logística também. No entanto, a tendência será termos ainda mais fornecedores de componentes em Portugal”.

Gama Berlingo

O modelo possui duas silhuetas denominadas por L1 (volume útil de 3,3 até 3,7m3) e L2 (de 3,7 até 4,1m3), com superfície de carga otimizada, o que permite o transporte de duas Euro paletes, para além do acesso inteligente e portas laterais largas/deslizantes ou portas traseiras assimétricas, com abertura a 180º.

O Citroen Berlingo é comercializado com base em 4 motorizações diesel 1.6 BlueHDi da geração Euro 6 com versões de 75 Cv, 100 Cv, e 120 Cv. A versão e-HDi 100 ETG6, incorpora uma caixa de velocidades pilotada com 6 veloci dades. A gama Berlingo apresenta consumos médios a partir dos 4,1 l/100 km e emissões de CO2 médias a partir dos 108 g/km. Dispõe ainda de uma versão 100% elétrica de 67 cv (200 Nm das 0 as 1500 rpm); com uma autonomia de 170 km e uma bateria de recarga automática nas fases de desaceleração/travagem. No total são 3 os níveis de equipamento – BASE, CLUB e CONFORT.

Mas as suas boas características são mais do que dinâmicas. Os pontos fortes do Citroen Berlingo também são a sua conectividade a bordo e novos equipamentos muito úteis no dia-a-dia dos profissionais. Apresenta um ecrã táctil a cores de 7 polegadas perfeitamente integrado com Bluetooth; porta USB; entrada jack; reconhecimento vocal e função MirrorScreen para smartphones compatíveis. Como opcionais, destaque para o sistema de navegação com ecrã táctil; a ajuda ao estacionamento dianteiro; a câmara de visão traseira e o ar condicionado automático, entre outros.

Nova geração do Berlingo

José Castro Covelo revela alguns pormenores sobre a nova geração do Berlingo: “produzimos as diversas versões do Berlingo entre passageiros e carga, sendo que o futuro passará por termos ainda mais diversidade na produção.

Enquanto as gerações anteriores do Berlingo se industrializaram primeiro em Vigo e meses depois em Mangualde, a nova geração com a plataforma K9 se industrializará ao mesmo tempo nos dois centros produtivos, ou seja, será partilhada entre a fábrica de Mangualde e a fábrica de Vigo.

Tanto os fornecedores como nós já tivemos a oportunidade de ver o novo Citroen Berlingo e daquilo que pudemos observar, a nova geração será ainda mais surpreendente. Estará em linha com a evolução dos modelos mais competitivos de viaturas comerciais ligeiras, e vai de encontro com aquilo que os clientes empresariais necessitam. Terá uma maior modularidade, mais conectividade e conforto. Com a nova plataforma, conseguiremos reduzir o peso mantendo as atuais medidas e subir ligeiramente a sua capacidade de carga.

Se o Berlingo com plataforma M59 marcou uma era em Mangualde, a nova geração K9 também irá marcar. A evolução da indústria 4.0, o BigData, entre outros aspetos que ainda não podemos revelar, serão grandes transformações que a fábrica irá ter e pela qual já estamos a trabalhar de forma atempada, para cumprir os tempos de implementação estipulados.

Num carro, tipicamente a produção é mais alta quando o modelo é lançado e depois a cadência vai diminuindo ao longo do ciclo de vida do veículo. No entanto, tal não acontece com os veículos comerciais ligeiros como é o caso do Berlingo. Já fabricámos há 9 anos a geração B9 e 2016 será o nosso segundo melhor ano em termos de quantidades fabricadas.

Com o Citroen Berlingo temos uma estabilidade na produção que nos permite uma maior serenidade para começar a implementar as novas tecnologias para a geração seguinte, sem que isso afete a produção atual” concluiu José Castro Covelo.

De destacar que a gama de veículos comerciais ligeiros da Citroën é bastante completa, com ofertas entre os 2,5 m3 do Citroën Nemo até aos 17 m3 do Citroën Jumper, numa versatilidade e capacidade de carga ímpares no mercado. A gama será ainda renovada com a chegada do novo Citroën Jumpy já em Setembro.

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