DACIA Duster – classe 1 no trabalho e no lazer

by on 13 Agosto, 2018 in Ensaios / Assessment, Frotas

DACIA Duster – classe 1 no trabalho e no lazer

Depois de 8 anos do lançamento do primeiro Dacia Duster, chega agora ao mercado nacional a nova geração do Duster, que inaugura algumas tecnologias do Grupo Renault.

O ano de 2018 é um marco na história da Dacia, pois além de comemorar os 10 anos em Portugal, apresenta a nova geração do Duster enquadrada na classe 1 das portagens. Para tal, modificações tiveram que ser realizadas na suspensão dianteira do Duster, de forma a cumprir com os requisitos de classe 1, na sua versão de tração dianteira (4×2).

Assim, e a exemplo do modelo Kadjar, o Grupo Renault volta a fazer versões específicas de um modelo para Portugal, tendo inclusive realizado crash tests próprios para a versão Portuguesa do Duster, pois estes têm uma homologação própria.

A Automotive esteve presente no evento do lançamento do novo Duster, onde pudemos constatar que o modelo deu um passo muito importante para uma melhor aceitação no mercado empresarial. E porque é um carro de trabalho, os testes dinâmicos do Duster tiveram lugar numa pedreira de mármore em Vila Viçosa, Alentejo. O objetivo era testar as reais capacidades da versão 4×4 do Duster, num ambiente puramente off-road.

O novo Duster inaugura um comando de tração com três funções: automático, onde o binário é repartido: 50% nas rodas da frente e 50% nas traseiras; Lock, que efetua o bloqueio 4×4 com 50% do binário em cada eixo; e o 4×2, conferindo tração apenas ao eixo dianteiro. Outra novidade é o Hill Descend Control (HDC), sistema que gere automaticamente a descida em terreno off-road.

Fazer o pleno no off-road

O primeiro teste foi descer a pedreira, apenas com o HDC ligado. Para tal, bastou engrenar a 1ª velocidade, “soltar” o pé da embraiagem, ligar o HDC e o carro fez todo o trabalho de tração e travagem roda a roda, para chegarmos em segurança até ao fundo da pedreira. A interação do condutor é apenas mexer no volante. Com trechos bastante ingremes, e com um piso que misturava terra-batida, pedras e pó de mármore, o Duster cumpriu com o trabalho de forma exemplar.

Neste percurso, que além de ingreme era sinuoso e tinha trechos de pouca visibilidade, foi de grande valia a ajuda da câmara de filmar posicionada à frente, atrás e laterais, que funcionam até aos 20km/h. Com as câmaras, foi possível monitorizar todas as manobras do carro de forma a evitar raspar nas paredes da pedreira, ou pior, cair ravina abaixo. O Duster é o primeiro carro do grupo Renault a ter estas 4 camaras de filmar montadas num mesmo modelo.

E se o percurso de descida foi complexo, o de subida foi um desafio ainda maior. Com a agravante do piso ter ficado molhado, a subida foi assim feita num cocktail escorregadio entre lama, pedra, pó de mármore e areia, onde o Duster mostrou em pleno do que é capaz. E é um verdadeiro 4×4 capaz de muito. Os pneus utilizados eram de estrada e mesmo assim nunca faltou tração para o Duster voltar ao ponto de partida, sem necessitar que o condutor fosse experiente em ambientes off-road.

O Duster percorreu à-vontade e com maior rapidez, o mesmo trajeto apenas explorado pelo dumper de serviço, o Volvo A35E, um camião especialmente feito para um ambiente de pedreira. Para ser ter uma noção da capacidade de tração deste Volvo A35E, além das 6 rodas motrizes e dos 430CV de potência, o diâmetro de cada pneu era aproximadamente igual à altura do Duster. A versão 4×4 do Duster estava equipada com pneus Bridgestone Dueler 215/60 R17 96H e com o motor dCi de 110 CV.

Terra-batida e asfalto

Tendo em conta que o percurso na pedreira foi feito a baixas velocidades, foi a vez de testar o Duster novamente no seu limite, num trajeto de off-road pelo piso alentejano. Nesse percurso, utilizámos as versões 4×2, a velocidades bem mais elevadas. Nem assim deu a sensação que o carro iria se “desmontar todo”. Os reforços da carroçaria e chassis tiveram um papel importante nesta robustez que o Duster demonstrou, mesmo nos pisos mais difíceis, sendo que a motricidade nunca ficou comprometida, apesar de ser um modelo com tração dianteira.

Foram quase 2 horas ininterruptas de percurso, onde o motor não sobreaqueceu, nem foi desconfortável estar tanto tempo ao volante num ambiente tão diferente do nosso quotidiano, mas que pareceu tão familiar ao Duster. E se o ambiente off-road está na génese deste novo Duster, no teste do asfalto o modelo também demonstrou estar à altura das expectativas.

Com um ambiente a bordo mais insonorizado do que na geração anterior, o novo modelo disponibiliza agora bancos tipo pele com regulação em altura e lombar, bem como apoio do braço para o condutor. Uma nova direção assistida permite reduzir em 35% o esforço ao volante, o que proporciona uma condução agradável, principalmente em ambiente citadino.

O ar condicionado automático complementa o conforto a bordo, e o sistema de aviso de ângulo morto (entre os 30 e os 140km/h), permite uma viagem com menos preocupações. Ainda dentro do tema da segurança, destaque para os airbags de cortina e os pré-tensores de cinto, de série.

Duster – a PME dos automóveis

O Duster é um modelo que encontra muitos paralelismos com uma pequena empresa: tem que se reinventar regularmente para não ficar obsoleto; não se pode dar ao luxo de negar trabalhos – faz tudo aquilo que lhe solicitam; e tem o essencial para fazer as tarefas necessárias com agilidade.

O Duster segue o lema de que “se é preciso, faz-se”, ao conseguir adaptar-se facilmente a cada situação. Outra característica que tem paralelo com uma PME, é que o Duster “trabalha” com grande afinco, gasta pouco, é fiável e consegue superar as nossas expectativas quando testado em terrenos mais difíceis.

O novo modelo não tem mais uma aparência “vulgar”, e isso notámos ao colocá-lo junto de um ambiente mais distinto – o Alentejo Marmoris Hotel & Spa – um hotel de 5 estrelas que ganhou recentemente o 1º prémio nos World Luxury Spa Awards. O carro ficou bem nesse ambiente, mesmo depois de todos os trabalhos que realizou no off-road. A sua estética foi aprimorada, com linhas mais qualitativas ao abandonar o plástico na cava das rodas. Para complementar este visual, estão disponíveis de série os faróis led diurnos, e um grupo ótico traseiro com 4 “quadrados” que pretende inaugurar uma nova identidade da marca Dacia.

O interior também foi renovado, com destaque para os inúmeros arrumos, que totalizam 27 litros de capacidade de arrumação, como é o exemplo da gaveta em baixo do banco do passageiro dianteiro. A bagageira é grande, e os passageiros que forem atrás dispõem de um espaço confortável para as pernas. O volante é agora regulável em altura e profundidade, o ecrã central é touchscreen, e o tablier incorpora inserções em cromado e detalhes em preto piano.

A chave tipo “cartão mãos livres” é idêntica às chaves dos carros da Renault, e a ignição é também keyless. Para aqueles que ainda são céticos relativamente à robustez de construção do Duster, a Dacia já está a comercializar este modelo em Portugal com garantia de 3 anos ou 100 mil kms.

 

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