Guia Salarial 2019 – gerir um mercado liderado pelos candidatos

by on 4 Março, 2019 in Frotas, Pós-Venda

Guia Salarial 2019 – gerir um mercado liderado pelos candidatos

Todos os anos a Revista Automotive, em parceria com a Hays Portugal, divulga o Guia Salarial para área automóvel em Portugal.

A Hays é a referência no mercado de recrutamento especializado em Portugal. Está presente no país desde o ano 2000, operando a partir de escritórios em Lisboa e no Porto. O Guia Salarial resulta de uma análise das motivações e preferências de profissionais e empresas, com base nas respostas de 3.136 profissionais qualificados e 603  empregadores, aos inquéritos anónimos efetuados pela Hays.

Paula Baptista, managing director da Hays Portugal, explica-nos as principais conclusões do estudo. “Portugal está a viver um momento extraordinário. Esta é a máxima que se ouve e sente um pouco por todo o país, sempre que se discutem acontecimentos recentes e perspetivas para o ano 2019.

A ausência de conflitos relevantes a nível nacional e o bom momento económico e social têm-nos posicionado como um oásis de estabilidade, extremamente apelativo para o desenvolvimento de projetos inovadores e a atração de investimento estrangeiro. Não me recordo, na história recente, de ver semelhante nível de energia transformadora no nosso país – o talento, já o tínhamos anteriormente; faltava-nos a confiança.

O aumento desta confiança tem sido notório nas tendências do mercado de trabalho dos últimos dois anos e as perspetivas para 2019 são as melhores. Nos inquéritos que realizámos a mais de 600 empregadores a atuar em Portugal, ficou patente o otimismo perante os meses que se avizinham; seja nas elevadas perspetivas de recrutamento, que atingem um novo máximo este ano, apoiadas sobretudo no crescimento das empresas em território nacional;  seja na percentagem de empregadores que acreditam  que este será um ano de estabilidade ou até melhor  que o anterior, no que respeita ao clima económico. No entanto, 2019 será também um ano em que se farão sentir as naturais dores de crescimento de um mercado de trabalho dinâmico e competitivo.

A dificuldade na identificação de talento tem vindo a criar constrangimentos sérios nas empresas: 65% dos empregadores tiveram  de optar por contratar profissionais pouco adequados  às necessidades das funções que tinham em aberto  e 26% das empresas sofreram mesmo algum tipo de quebra na performance ou resultados esperados, devido a dificuldades no recrutamento. O facto de 52% dos profissionais qualificados no ativo terem recusado ofertas  de emprego em 2018 é um claro indicador de que algo  está a falhar. O fator salarial parece ser, de acordo com  estes profissionais, o que mais tem contribuído para  esta enorme percentagem de recusas.

Deste modo, um dos desafios que certamente marcará este ano será o da adaptação a um mercado liderado pelo candidato. A passividade dos profissionais na procura  de oportunidades de carreira, associada às consequências da enorme fuga de talento qualificado para o estrangeiro durante o período mais crítico da crise, exigem ações imediatas, sob pena de perdermos as oportunidades  únicas que Portugal apresenta neste momento.

É urgente que as empresas nacionais procurem acompanhar, dentro das suas possibilidades, os exemplos mais atrativos do mercado. Centenas de empresas estrangeiras estão a entrar no país, apresentando uma estratégia de employer branding sólida e uma oferta salarial acima da média. Naturalmente, muitos empregadores têm ainda bastante presentes os cortes  e reduções estruturais que foram necessários entre  2012 e 2015, o que tem criado algum receio de aumentar significativamente o peso dos custos fixos associados  a remunerações e o investimento em benefícios.  Este é, no entanto, o momento de crescer e de apostar em talento, sob pena de perda de vantagem competitiva.

Portugal precisa de valorizar a experiência. Temos talento sénior de altíssima qualidade e que, de acordo com os resultados do nosso inquérito, demonstra disponibilidade para assumir projetos de gestão de cariz temporário com objetivos de implementação e de performance bem definidos. Muitos não conseguiram ainda uma reintegração no mercado de trabalho, o que constitui  um enorme desperdício de conhecimento para o país. Algo a considerar por parte de organizações que,  tendo reforçado recentemente as suas estruturas  com academias e programas de estágio orientados  para recém-licenciados, necessitam de pontos de  vista mais experientes para contrabalançar o peso  das equipas jovens.

Seremos atrativos para os profissionais que saíram  do país quando formos igualmente atrativos para  os que ficaram. Reduzir a carga de impostos não  será suficiente para trazer de volta os emigrantes;  ainda que 78% demonstrem interesse em regressar,  para a esmagadora maioria uma eventual redução  no IRS teria pouco ou nenhum impacto na decisão. 72% referem também que o pacote salarial seria o fator que mais influenciaria o regresso. A valorização salarial do emprego qualificado em Portugal e a aposta em projetos inovadores serão a chave para a atração de talento, venha ele de onde vier.

Este Guia do Mercado Laboral apresenta-se como mais um contributo para a discussão destes e de muitos outros desafios. Acreditamos que parte da nossa missão enquanto empresa de consultoria de recrutamento passa por ajudar  a identificar as tendências que moldam o mundo do  trabalho e que impactam a economia a nível nacional” refere Paula Baptista.

Leia na edição impressa da Revista Automotive o Guia Salarial 2019 para o mercado automóvel.

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