Hyundai H-350 mostra o seu potencial no mercado empresarial

by on 11 Janeiro, 2018 in Ensaios / Assessment, Frotas

Hyundai H-350 mostra o seu potencial no mercado empresarial

A Automotive colocou à prova o novo furgão da Hyundai em condições reais, na Progelcone, empresa de referência no seu setor, e que tem uma gestão de proximidade com a distribuição e frota.

A Progelcone é uma empresa nacional de fabrico e comercialização de produtos alimentares e consumíveis para geladaria, pastelaria, cafetaria e restauração, assim como no fornecimento de utensílios e equipamentos para a indústria do “foodservice”.

Rui Ferreira testou a viatura, e sendo um dos motoristas mais experientes da empresa, conta-nos a sua avaliação do H-350.

“A nossa empresa renovou recentemente a sua frota, por isso o furgão que conduzo é de 2017 e tem 160 cavalos.  É essa a minha base de avaliação. Começo por fora, e este modelo é muito curto para o nosso serviço. Acredito que a Hyundai tenha a versão longa da H-350. Nesta versão as portas traseiras não abrem totalmente, e teríamos que escolher a versão que abrem até encostar nas laterais. Carregamos os carros nos cais e as portas não podem estorvar.

Ainda nas portas, gosto que as portas traseiras são reforçadas na zona junto ao fecho. Em outros modelos, quando fechamos as portas com mais força e pressão, a chapa cede e amolga um pouco. Eu sei que não afeta a segurança, mas é sempre chato andar com um carro amolgado, quando todos estimamos os carros. Esta calha da porta de correr é embutida no painel lateral, fica menos exposta a amolgadelas.

Gosto de ser cuidadoso com a viatura da empresa. Por exemplo, antes de começar o dia deixo o carro ligado alguns minutos enquanto organizo as rotas, para que todo o circuito de lubrificação funcione em pleno e para que o motor aqueça. Por norma, em condução também não ultrapasso as 3000 rotações, porque evito de esforçar o motor e poupa-se no combustível.

Em condução

A embraiagem precisa de alguma habituação. O carro arranca logo que tiramos um pouco o pé da embraiagem. É muito diferente do que estou acostumado. A caixa de velocidades também é um pouco apertada, temos de fazer força no seletor. Mas isto também tem a ver com o tempo, se calhar quando tiver com 150.000 km está com menos folgas do que outras caixas de velocidades!

O que mais gostei foi mesmo deste motor de 150 cv. Ele recupera mais rápido de uma redução do que o motor do furgão que ando todos os dias. Mesmo com o modo “Eco” ligado, o motor tem “genica”. E sinto diferença com o modo “Eco” desligado. O motor fica mais disponível, responde mais ao acelerador. Este motor por responder mais rápido é preciso que os condutores tenham isso em atenção. Senão a malta “estica-se” porque sente que o carro responde e começa a disparar nos consumos.

Os travões de disco atrás fazem a diferença. Os modelos que têm travões de tambor atrás acabam por gastar mais pastilhas e discos à frente, porque sobrecarregam a frente nas travagens. Curva bem, mesmo para um furgão curto. A tração traseira ajuda nisso.

O carro que eu uso está constantemente a dar indicações para trocar as mudanças, e isso às tantas é um pouco irritante. O carro não sabe que estou a usar uma mudança mais baixa, porque a seguir tem uma subida, ou que eu preciso de andar com mais rotação para fazer uma curva. É cansativo. Este H350 mostra só uma setinha de vez em quando para subir a mudança, é menos intrusivo.

Interior

Os furgões das marcas que conduzi esticam ao máximo a caixa de carga o que faz com que a cabine fique muito apertada. Nesta tenho bastante espaço para pôr o banco para a frente ou para trás e nas costas pode-se inclinar um pouco. Tem mais espaço de arrumação e fica bem este rádio digital touch screen. O volante ajusta-se como queremos. Tem três tomadas de 12volts e uma de USB no tablier. Dá jeito para carregar tudo e mais alguma coisa. O espaço de carga debaixo do banco é prático para colocar casacos, a lancheira do almoço, o que for preciso.

É muito agradável de conduzir. Esta versão tem os bancos em couro, são mesmo muito confortáveis, são mais indicados para quem faz grandes percursos. Na tarefa de distribuição urbana, onde estamos sempre a entrar e a sair, os bancos em tecido são suficientes.

Capacidade de carga

Mesmo sendo a versão curta, nesta H-350 cabem 4 europaletes. Testamos carregar de lado com a maior palete que temos e encaixou sem problemas. O batente da porta de correr não interfere com a palete, coisa que em outros modelos acontece. É aborrecido porque, por causa de um detalhe, temos menos espaço de carga, e neste H-350 isso evita-se. O carregamento por trás, também foi feito sem problemas. É isso que se quer, ter um carro que funcione e não dê chatices por causa das dimensões nas tarefas de carregar/descarregar” conclui Rui Ferreira.

Frederico Barrelas, diretor de logística e responsável pela gestão da frota da Progelcone, dá-nos também o seu ponto de vista sobre os veículos comerciais ligeiros na frota.

“Temos cerca de 55 veículos comerciais ligeiros, entre versões chassis-cabine, grandes furgões e pequenos furgões. A nossa tipologia de carga é mais volume e menos peso. É raro atingirmos a capacidade máxima dos carros em termos de peso.

Daquilo que distribuímos, cerca de 45% provém das nossas fábricas e o restante é de fornecedores externos. Compramos produtos a fornecedores, armazenamos e distribuímos desde uma carga de sifões para os dispensadores das natas, a rolos de papel ou detergentes de limpeza. Temos clientes como hotéis, restaurantes, grandes superfícies, entre outros. Somos um fornecedor multiproduto com produção própria de determinadas gamas de produtos.

Utilização das viaturas

Os furgões que temos gastam cerca de 10 a 11 litros/100km. Está dentro daquilo que esperamos, pela tipologia de utilização. Por uma boa gestão das rotas, a maior parte dos furgões não percorrem mais do que 60km por dia. Temos distribuição em todo o país, mas uma boa percentagem da frota está afeta às grandes cidades, por isso é uma tipologia de utilização citadina.

A estética do carro não é um fator exclusivo de escolha, mas a imagem da empresa espelha-se nas suas viaturas, por isso se forem agradáveis ao olhar, melhor. Temos as viaturas cuidadosamente decoradas e seguindo um padrão uniforme de cores. Os nossos motoristas estão fardados e temos um packaging identificativo dos nossos produtos. Todos os detalhes contam para uma boa imagem da empresa, para além dos produtos de qualidade que produzimos e comercializamos.

Características técnicas

Em termos de produto, e para além daquilo que o Rui já falou, valorizo alguns pormenores que este H350 também tem. O interior por estar sem plástico ajuda a colocarmos o forro em contraplacado. Tivemos alguns furgões que adquirimos com forro em plástico e rapidamente partiu-se todo. Preferimos forrar nós, tanto o piso como a lateral para dar mais durabilidade ao interior. Outra coisa importante é o desembaciador dos espelhos que para mim é um fator de segurança e já vi que este carro tem. Em termos de opcionais, temos sempre escolhido na Progelcone os sensores de estacionamento, porque facilita a tarefa dos motoristas, poupando tempo na distribuição.

O fecho central de portas independente da cabine e da caixa de carga é fundamental para a segurança. Quando os motoristas estão a descarregar, é muito frequente verem os seus pertences furtados quando a cabine não fecha independentemente. Nesta H-350 isso está assegurado com o comando na chave separado.

O Bluetooth, vidros elétricos e ar-condicionado são funcionalidades que se o furgão não tiver, é colocado logo de parte na escolha. Neste âmbito valorizo se o carro tiver o Bluetooth com comandos no volante, porque torna a comunicação mais imediata com os motoristas.

A importância do pós-venda

Continuamos a fazer as manutenções e reparações nas oficinas das marcas por uma questão de qualidade e de gestão de custos. Ao contrário do que se pensa, e como já referi no passado, as oficinas de marca são mais económicas do que as independentes. Os valores moda provam isso. Muitas vezes calcula-se a média de valores, mas é o valor moda que é mais fidedigno.

Contudo, somos fiéis às oficinas das marcas desde que correspondam às expectativas. Muitas vezes são as pessoas que fazem as empresas, que as dinamizam e organizam. Por exemplo, saiu uma pessoa de nossa confiança do concessionário de Sintra para Alfragide, e o serviço decaiu muito. Nesse caso mudamos de oficina, mantendo na marca.

Da experiência que temos, os intervalos de manutenção alargados que são anunciados por várias marcas não se concretizam. A manutenção faz-se realmente nos 50.000km, mas antes disso, já trocamos calços de travões, já tivemos que acertar o nível do óleo, entre outros. Tudo operações não programadas, que aumentam o tempo de inatividade dos nossos carros e sobrecarregam a gestão administrativa da frota. Prefiro fazer a cada 20 ou 25.000km a revisão, porque assim é certeza que fica tudo organizado.

Conclusões

Até este assessment não posicionava a Hyundai nos veículos comerciais. É uma marca que pode vir a preencher algumas necessidades, sendo uma opção a considerar, e torna mais competitivo o mercado. Nos furgões não tem havido grande diferença em termos de marcas nos últimos 10 anos, com o inconveniente de que algumas marcas saíram desse segmento.

Este H-350 tem as características base para ser considerado nas frotas. O nosso motorista gostou e passou no teste. Foi importante para tomar contacto com o produto. Mas como referi, mais do que um bom produto, o que vem a seguir é que conta: o pós-venda.

Como a rede Hyundai está estruturada e como vai trabalhar as frotas dos veículos comerciais é um ponto a ser descoberto. Na Progelcone trabalhamos com marcas automóveis que nos garantam uma abrangência de serviço nacional, mesmo no interior e sul do país onde temos muitas viaturas a circular” finaliza Frederico Barrelas.

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