MAN TGE – chegou o furgão que quer o seu lugar no mercado

by on 11 Maio, 2018 in Ensaios / Assessment

MAN TGE – chegou o furgão que quer o seu lugar no mercado

Diz o ditado que “é apenas quando os pneus rolam no asfalto que podemos contar como oficial a chegada de um novo modelo em Portugal”.

Depois de dois anos a ser anunciado, o furgão da MAN finalmente começou a rolar os seus pneus no asfalto nacional. E para comprovar o ditado, nada melhor do que convidar um especialista em pneus para realizar o assessement da nova TGE

João Silvestre, diretor geral da Xarepa Pneus, transmite-nos a sua avaliação deste novo modelo: “confesso que quando a Automotive me convidou para testar um furgão não imaginava que fosse um MAN. Já tinha conhecimento do modelo através da vossa revista, mas ainda não tinha percebido se já estava à venda em Portugal.

A primeira coisa que vi é que este TGE vem equipado com pneus Michelin, o que é logo um bom indicador, é uma marca conhecida por fabricar pneus para se fazerem muitos quilómetros. Em segundo lugar, o aspeto do furgão está bem conseguido. A frente é bonita, e a pintura cinzenta dá-lhe um toque especial. Contracena bem com as instalações da Xarepa Pneus, onde procuramos ter sempre uma imagem cuidada e diferenciadora.

Capacidade de carga

Antes de conduzi-lo, fiz questão de verificar a capacidade de carga de um furgão, que é o seu elemento principal. A nossa tipologia de transporte é mais peso do que volume. Não somos um distribuidor de pneus que transporta pneus diariamente e onde o volume é importante. Carregamos no furgão somente aquilo que é necessário para montar, como os equipamentos de montagem, pneus e jantes.

Pelo que vi nas especificações do fabricante, a tara com motorista é de 2235kg o que significa que podemos carregar cerca de 1200kg de carga. A caixa de carga é mais quadrada do que em outros furgões, o que faz com que o aproveitamento do espaço seja total. Além disso a pintura interior da caixa de carga é muito bonita e em termos de acabamentos, as soldas parecem bastante robustas. Pormenores importante e se espera encontrar numa marca de qualidade.

O motor é a versão 2.0 com 4 cilindros em linha, 180cv e 410Nm de binário. Diria que com esta potência podíamos levar facilmente um atrelado, tendo em conta que o peso máximo rebocável é de 3000kg (reboque com travão). Mas para isso é preciso saber se toda esta potência é bem distribuída no asfalto, através da tração dianteira. E é isto que vamos ver.

Interiores

O interior do TGE é cativante. A entrada na cabine faz-se sem percalços, a posição de condução é agradável e o volante é excelente! É um típico volante de um ligeiro de passageiros, mas que ficou muito bem encaixado neste modelo. A forma como assentamos as nossas mãos é perfeita.

O tablier é parecido com um Volkswagen Golf. O ecrã central é touchscreen e sente a aproximação das mãos. O painel de instrumentos é de fácil leitura e mostra inclusive as indicações do sistema de navegação. Parece que estamos num interior de uma viatura premium.

Gosto do ângulo de inclinação deste ecrã central. Nos outros furgões que temos, os ecrãs centrais também são touchscreen, mas como não estão inclinados, refletem muito a luz solar tornando-os de difícil leitura. Perfeito seria o ecrã central estar mais virado para o condutor, como acontece nos camiões.

Outra coisa que gosto deste furgão TGE é o volume do rádio ser com um botão analógico. Vemos cada vez mais carros onde o volume do rádio é operado por touchscreen e não são nada práticos. Os acabamentos estão bem conseguidos e com plásticos robustos. Dou relevância aos materiais do interior porque em outros furgões que temos, já com os seus 60.000 km de rodagem, o teto da cabine começou a descolar.

Valorizo muito o apoio de braço amovível, que este TGE tem dos dois lados. Principalmente em viagens longas, apoiar os braços dá um conforto adicional ao condutor e é uma coisa tão simples, mas que muitos furgões ainda não trazem. São os pormenores que fazem a diferença.

Em condução

Gosto de conduzir, tanto automóveis como motas, karting, entre outros. A primeira sensação que tive deste motor foi muito boa. É suave e muito silencioso para um furgão. Temos outros furgões na nossa frota e eles são ruidosos, o que é maçador em grandes viagens.

A sensação de condução da TGE é mais de um automóvel ligeiro do que de um furgão, desde a estabilidade até á sensibilidade dos travões. Mesmo no comportamento dinâmico. A caixa de velocidades engrena melhor do que os furgões que temos, não sentimos que estamos num veículo comercial. Acho que a TGE entra por cima neste segmento. A suspensão tipo pneumática do banco do condutor confere um conforto acima da média.

Na Xarepa Pneus fazemos muitos quilómetros. Realizamos serviços no Porto onde vamos e voltamos no mesmo dia com o nosso furgão totalmente equipado. Um dos serviços que realizamos é, por exemplo, um cliente que compra um camião mas não quer jantes de ferro mas sim de alumínio. Nós retomamos as jantes de ferro e vendemos as jantes de alumínio. Ou por exemplo, os camiões trazem pneus 315 e os clientes querem os 385 mas querem manter as jantes de ferro. Nesse caso substituímos os pneus, colocamos jantes de ferro com medida 385 e retomamos as jantes de medida 315.

Sistemas de segurança e tecnologias

Demora um certo tempo até entender como funciona o cruise control mas depois funciona bem, principalmente porque é adaptativo. É surpreendente o lane assist que vira o volante assim que deteta que estamos a sair da faixa de rodagem. Evita um acidente por uma distração do condutor, que pode acontecer no dia-a-dia de quem conduz.

Ao utilizar a combinação entre cruise control e o lane assist, consegui Ao utilizar a combinação entre cruise control e o lane assist, consegui fazer quase dois quilómetros quase em modo semiautónomo, ou seja, o carro estava a acelerar e a virar o volante sozinho. Estamos mesmo próximos da condução autónoma! A parte boa do lane assist é que podemos desligá-lo, por exemplo quando circulamos num trecho com obras cuja pintura do pavimento seja confusa. O detetor de carros no angulo morto além de fazer um sinal luminoso no espelho retrovisor, também treme o volante. Mais um elemento de segurança.

Já ouvi dizer que o TGE na versão de topo tem estacionamento automático. Do ponto de vista tecnológico é um avanço mas do ponto de vista prático não faz muita falta. Estacionar um furgão numa cidade implica muito mais do que o simples estacionamento. Envolve outros fatores como não empatar a circulação na via pública e também estabelecer uma distância certa para a movimentação da carga, entre outros.

Investimento em tecnologia

A nossa família tem uma tradição de continuamente investir nos negócios. Temos a empresa Rosa dos Leitões desde 1938, um restaurante histórico do Leitão de Negrais, que tem também uma filial recente no Algarve. A Xarepa pneus nasce em 1996, derivada do grande consumo de pneus dos Transportes Xarepa. O nome Xarepa era uma alcunha do meu bisavô. Passamos para estas instalações, aqui em Negrais, Sintra, em 2009.

Felizmente temos crescido todos os anos em termos de faturação, acima das nossas expectativas. Trabalhamos os pneus de ligeiros, moto, 4×4, industrial, agrícola e pesados. Trabalhamos em parceria com as principais marcas de camiões do mercado como a Iveco, Mercedes-Benz, Volvo e recentemente com a MAN.

Estamos atentos ao que se passa internacionalmente e investimos em equipamentos. Por exemplo, o nosso furgão tem uma máquina de mudar e equilibrar pneus de pesados e de comerciais ligeiros, e pelo que sei é a única em Portugal. Fazemos o serviço completo com a nossa unidade móvel. Estamos assim aptos para mudar pneus tanto de um camião MAN TGX como agora de um Furgão TGE!

Conclusões

Em termos de potência, acho que os 180cv deste modelo estão a mais. Não são necessários tantos cavalos, pois este motor responde muito rápido às solicitações do acelerador e a tração dianteira desempenha bem o seu papel. Mas percebo que o carro de (…)

Leia o artigo completo na edição impressa da Revista Automotive

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