MAN Trucks – conduzir a mobilidade elétrica ao próximo nível

by on 22 Novembro, 2018 in Pesados

MAN Trucks – conduzir a mobilidade elétrica ao próximo nível

A MAN Truck & Bus apresentou em Hannover a sua gama atualizada de camiões a diesel, bem como as suas propostas para a eletrificação dos veículos.

A Revista Automotive entrevistou Robert Seeger, Senior Vice-President & Head of Product Marketing Trucks, que nos explica os novos desafios da MAN Truck & Bus, tanto pela integração no TRATON Group, como no domínio da mobilidade elétrica.

“Na nossa perspetiva, a integração é muito benéfica para todos. O TRATON Group tornou-se numa “casa de competências”, um grupo para transformar a forma como concebemos o transporte. Enquanto MAN Truck & Bus, sentimos que somos um dos três pilares fundamentais deste grupo e que iremos aportar mais-valias para esta nova estrutura de gestão.

A MAN irá manter a sua identidade corporativa, os seus valores, o seu portfólio de produtos, e a sua característica de comunicação junto dos clientes. A diferença é que agora estaremos sobre o mesmo “teto tecnológico” de um grande grupo onde existirão, por um lado a partilha de plataformas e, por outro, abordagens com perspetivas diferentes das tecnologias. Todos teremos a ganhar com isso.

Sistemas propulsores

Quanto aos sistemas propulsores do futuro, nos motores a gás, por exemplo, temos um histórico muito grande nos autocarros porque identificámos que as estruturas de abastecimento já estão montadas e hoje, já temos muitas frotas urbanas com motorização a gás. Também há que salientar que já existe toda uma lógica à volta da operacionalidade dos autocarros, o que permite a utilização do gás como combustível sem grandes custos logísticos, nos grandes centros urbanos, por exemplo.

Assim, não é por falta de tecnologia que não temos camiões MAN a gás. A questão que este tipo de motorização não terá o mesmo impacto e os mesmos baixos custos de utilização nos camiões, por exemplo, principalmente nos modelos de média e de longa distância, pois ainda faltam infraestruturas de base mais completas, como postos de abastecimento nas grandes rotas, inibindo a sua utilização como combustível alternativo ao diesel, de forma satisfatória e economicamente viável.

Desta forma, temos uma visão muito clara de que a mobilidade elétrica será o futuro em termos de sustentabilidade, a longo prazo. Naturalmente que existem muitas questões associadas a isso, e ainda não temos todas as respostas. Mas estamos a trabalhar para tê-las e isso só se consegue com muito investimento e muitos testes práticos em contexto real.

A título de exemplo, saliento que estamos a cooperar com o Conselho de Sustentabilidade Logística e Transportes, da Universidade de Viena (Áustria), que é formado por um consórcio de 18 clientes, concorrentes entre si no mercado, mas que têm um objetivo comum de sustentabilidade e de transformar o transporte europeu.

Temos trabalhado intensamente nos eTGM, os nossos camiões elétricos, onde já entregamos as primeiras 9 unidades a esses clientes. Com isso provamos que a mobilidade elétrica já está nas estradas em contexto real de trabalho. Temos pouca experiência em camiões elétricos e por isso iremos monitorizar cada movimento dessas unidades, para conseguirmos aprimorar o mais possível os nossos futuros modelos elétricos.

Aprendizagem contínua

A verdade é que, nos camiões elétricos, tanto nós como todo o mercado ainda têm muito para aprender. Ainda não temos respostas concretas para situações tão simples como, por exemplo, se lavarmos um camião elétrico, regularmente com um jato de pressão, isto poderá ou não afetar os componentes.

As respostas para estas e outras centenas de situações só as saberemos ao certo, ao utilizarmos o camião no dia-a-dia das empresas. É uma tarefa complexa e que irá levar o seu tempo até termos a total certeza que determinado modelo poderá entrar em linha de produção, com a qualidade e a fiabilidade de qualquer camião MAN.

Uma coisa é eletrificar um veículo existente, com as estruturas que já conhecemos. Outra coisa é construir de raiz um camião elétrico, a arquitetura de construção muda radicalmente e isso dá-nos uma liberdade de desenvolvimento que constitui uma excelente oportunidade, mas também nos coloca diante de novos desafios.

A eletrificação está a revolucionar o conceito de produção e utilização do camião. Por isto, aquilo que estamos a apresentar neste salão é apenas o início de uma longa jornada. Este processo será evolutivo e irá demandar vários anos, mas o importante é que temos uma visão clara do que queremos e até onde queremos chegar.

Neste percurso da eletrificação ainda existem muitas dúvidas sobre as limitações dos veículos, sejam eles automóveis, furgões ou camiões. A autonomia, a durabilidade e reciclagem das baterias, o peso das baterias, a capacidade de carga, as questões relacionadas com a manutenção e os desgastes dos componentes, entre outros fatores ainda não tão visíveis, irão modificar o resultado desta enorme equação.

Do ponto de vista da propulsão, o motor elétrico é o melhor: tem todo o binário sempre disponível, é um motor mais simples de operar, e o componente que liga todos os elementos do motor é simplesmente um cabo, eliminando muitos outros componentes de um motor a combustão.

Num motor e camião a diesel, por exemplo, a caixa de velocidades tem de ter cerca de 12 mudanças para compensar o espectro limitado de rotações por minuto – entre 600 até cerca de 1800 RPM – o que é muito pouco para se conseguir movimentar tanto peso. Isto não significa que iremos abandonar os motores diesel, pelo contrário, a integração no TRATON Group só irá melhorar ainda mais a eficiência dos motores diesel que terão sempre a sua aplicabilidade ”, finalizou Robert Seeger, na imagem captada pela Automotive, em frente ao CitE em Hannover.

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