Mazda 6 – critérios europeus em construção japonesa

by on 17 Maio, 2019 in Frotas

Mazda 6 – critérios europeus em construção japonesa

Lurdes Raimundo, gestora da frota de apoio da Carris, realizou o assessment do novo Mazda 6, a convite da Revista Automotive.

“Neste assessment tenho dupla responsabilidade: dar uma opinião como utilizadora profissional e como gestora de frota. Tentarei conjugar as duas.

Inicio por contextualizar a frota que sou responsável na Carris, conta com cerca de 90 viaturas para o apoio às operações, ou seja, todos os automóveis que não são autocarros propriamente ditos. As viaturas que tenho à gestão são multimarca, multissegmento e multifunções. Temos ligeiros de passageiros, comerciais ligeiros, veículos especiais e pesados de mercadorias. Os veículos especiais, por exemplo, são aqueles utilizados na rede elétrica – viaturas de catenária.

Desde finais de 2017 que mudamos a estratégia de gestão frota para as viaturas de apoio à operação, e sempre que possível optamos por viaturas elétricas ou híbridas, numa ótica de mobilidade sustentável. Em alguns modelos, ainda não é possível por falta de opções no mercado, como por exemplo, nos pesados. Nos ligeiros comerciais, os modelos elétricos que existem ainda não têm a autonomia que necessitamos.

Visual discreto, mas com presença

Curiosamente a minha família tem um Mazda Coupé dos finais dos anos 60. Conheço a fiabilidade dos modelos da marca. Adicionalmente, em termos de frota da Carris, também temos alguns modelos Mazda 3 e Mazda 6, com alguns

anos de utilização. Por isso, do ponto de vista pessoal e profissional conheço a Mazda, mas não conhecia este novo modelo Mazda 6. Ao primeiro olhar tem um visual discreto, mas com presença.

Assim que entro no carro percebo por que desde o ano 2000 que só tenho carros japoneses. Aprecio este tipo de interiores, mais sóbrios e com certo requinte. Não gosto tanto dos interiores de marcas premium europeias, com muitos botões e informação a mais. Diria que este Mazda 6, em termos de estética, é um carro europeu, e em termos de construção é claramente um carro japonês.

Em condução

Gosto do fato de ter caixa manual. Não aprecio muito as caixas automáticas: pela gestão das mudanças, nem sempre apropriadas e pelo ruído que algumas fazem. Gosto da envolvência de todo o posto de condução; neste carro, tudo ao redor do condutor tem apoios macios forrados a pele. É muito agradável.

A condução é confortável e sente-se força no motor. O comportamento dinâmico deste carro é muito bom. Assistimos cada vez mais à utilização de painéis de instrumentos digitais, mas em determinados modelos a informação apresentada é de tal ordem abundante e dispensável, que só atrapalham. Este painel do Mazda 6 é analógico e transmite toda a informação necessária.

Valorizo num carro a fiabilidade, segurança, conforto e desempenho dinâmico. Dou mais valor a isso do que toda a parte de infotainement e conectividade. Este modelo vem bem equipado, aprecio isso; como por exemplo: muitas marcas disponibilizam coisas que já considero básicas, ditas “opcionais onerosas” como o espelho retrovisor automático! Adicionalmente este Mazda tem arrefecimento e aquecimento dos bancos, e camaras de filmar a toda à volta – é um excelente investimento para a segurança nas manobras e para evitar danos na pintura que depreciam a viatura, a frota e a imagem da empresa.

Gestão da Frota

Apesar da motorização deste Mazda 6 ser a gasolina, o ideal seria híbrido. Tenho sentido muita dificuldade em encontrar modelos híbridos para a nossa frota, porque aqueles que existem no mercado são de segmentos superiores e apesar de já terem sido anunciados vários modelos, na prática só devem estar disponíveis mais para o final do ano e as nossas necessidades são mais imediatas. Para as nossas operações, precisamos de utilitários e seria excelente se existissem modelos híbridos do segmento B, por exemplo.

As nossas operações estão centradas em Lisboa, com serviços que operam 24h por dia, e temos carros em movimento cerca de 21h por dia. As viaturas de apoio à central de comando de tráfego, são carros que quase não desligam e por isso a utilização de motores a diesel ainda é uma realidade. Este ano, estamos a fazer um teste piloto com um automóvel elétrico nesse serviço, para avaliarmos as potencialidades.

A Carris tem oficinas internas verticalizadas para os autocarros. Assim, todas as manutenções das viaturas da nossa frota de apoio às operações, são feitas externamente. Para viaturas com mais de 4 anos, utilizamos redes oficinais multimarca, e para viaturas dentro da garantia recorremos às oficinas das marcas. Nas viaturas em renting, o que temos assistido é que as locadoras nos direcionam para oficinas multimarca, mesmo com os carros dentro da garantia do fabricante.

Começamos o ano passado com o renting na frota e em princípio iremos continuar este ano. Para determinada tipologia de viaturas que temos, com grandes transformações, o renting ainda não é viável. E mesmo em viaturas com pequenas transformações, como é colocar uma ponte de luzes, as locadoras penalizam muito as rendas. Por isso, a aquisição de grande parte da nossa frota, ainda é feita por compra.

Gestão das aquisições

Qualquer aquisição na Carris, seja viatura ou outro produto, é obrigatório que seja ao abrigo do código da contratação pública (CCP). É um processo complexo que pode demorar alguns meses para formalizar o contrato. Mas também assistimos a uma demora no mercado frotista em apresentar propostas.

Um exemplo, foi a tardia homologação WLTP de alguns modelos no ano passado, que ficaram de fora dos nossos concursos, pois uma das premissas dos nossos cadernos de encargos é a homologação WLTP. Além disso, os cadernos de encargos da frota da Carris refletem uma grande preocupação em termos de emissões, quer em CO2, quer em NOX e CO. Estes três parâmetros têm limites por segmento de viatura e por isso temos um olhar muito atento neste tema ambiental.

Neste momento vamos começar a renovar viaturas com mais de 20 anos que foram feitas especificamente para nós, e está a ser um grande desafio, … não estamos a encontrar em Portugal transformadores que façam o veículo que pretendemos. Estamos a tratar de veículos que têm de cumprir com várias diretivas internacionais e com homologações bastante restritas, que têm condicionado a celeridade deste processo.

Nova dinâmica

A passagem para a tutela da Câmara Municipal de Lisboa (CML) veio dinamizar muito mais a Carris, principalmente na renovação de frota que esteve praticamente parada durante cerca de 10 anos. A CML tem outra sensibilidade quanto à mobilidade na cidade de Lisboa e isso reflete-se tanto na frota de serviço público como na frota de apoio às operações.

No que diz respeito a este modelo Mazda 6, do ponto de vista pessoal foi uma agradável surpresa. Do ponto de vista profissional, a versão “carrinha” seria mais adequada à nossa frota, apesar deste modelo ter uma boa bagageira. É um carro com qualidade, com uma condução bastante agradável e seria ideal para utilização dos cargos de direção, de primeira linha da Carris”, resume Lurdes Raimundo.

 

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