Mercedes C220 Station – fiel ao estilo e aos valores da marca

by on 7 Outubro, 2019 in Ensaios / Assessment

Mercedes C220 Station – fiel ao estilo e aos valores da marca

“Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos”. Mantém atual esta frase célebre atribuída ao filósofo e escritor alemão Friedrich Nietzsche, nascido no mesmo ano de Karl Benz, fundador da Mercedes-Benz.

A Mercedes-Benz, procurando manter-se fiel na produção de viaturas do segmento superior, renovou o modelo Classe C220 Station, embora sem alterações de grande monta, até porque, esta carrinha tem registado um bom volume de vendas em Portugal, sobretudo no mercado empresarial.

Para fazer uma avaliação dinâmica deste modelo, convidámos Luís Costa, um conhecido empresário do mercado de pós-venda automóvel e sócio-gerente da FCV Costa, que, aqui, nos deixa o seu contributo.

Harmonia

“Embora não seja um apaixonado pelo produto automóvel em si, trabalho neste mercado há mais de 40 anos, dando seguimento a um negócio de família. Mantenho, por este vínculo, uma relação profissional diária com muitos profissionais onde o tema central é, sem dúvida, o mercado automóvel. Viajo muito, dentro e fora de Portugal, e procuro estar sempre bem informado sobre o meu ramo de negócio, que continua a ser um dos mais dinâmicos.

Também me balizo com as informações que recebo das marcas de peças que negoceio junto aos grandes distribuidores e, naturalmente, sendo leitor da Revista Automotive, uma publicação que aprecio pela abrangência e diversidade, consigo estar bem informado sobre as novidades do meu setor. Por vez, também marco presença nos grandes salões internacionais.

O primeiro carro que conduzi, de forma autorizada, foi um inesquecível Volkswagen Carocha na minha escola de condução. Depois, fui proprietário de alguns carros da marca Peugeot, como o modelo 205 e, nos últimos anos, mudei para viaturas do segmento premium. Atualmente tenho um SUV da Lexus, que utilizo nos passeios de fim-de-semana e, um Mercedes-Benz Classe A, que conduzo profissionalmente no meu dia-a-dia.

Quero com isto dizer que estou à-vontade para dar as minhas impressões sobre um carro da Mercedes-Benz, embora seja a primeira vez que conduzo este novo modelo C220 Station, pelo que desde logo agradeço a Revista Automotive, a confiança e oportunidade para realizar esta avaliação dinâmica.

Flexibilidade

Naturalmente que, com tantos anos de condução, as minhas perceções sobre um automóvel estão mais sólidas e, de certa forma, tornei-me mais exigente nas minhas escolhas. Daí o facto de hoje dispor de dois carros do segmento superior, que preenchem um dos critérios que hoje mais aprecio num automóvel, a flexibilidade na sua utilização. Resido em Sinta e, diariamente, percorro muitos quilómetros para me deslocar até ao escritório da nossa empresa, sediada em Lisboa. Para além disto, também realizo visitas e reuniões com os nossos clientes, cujas sedes estão localizadas em diversos pontos do território continental. Assim, necessito de um carro que me dê conforto, segurança, performance e que disponha de uma tecnologia e sistemas de condução, que facilitem a minha mobilidade e o meu trabalho.

Harmonia

Numa primeira vista, noto que esta carrinha do Classe C, para além de apresentar uma elegância no desenho exterior, um visual atraente e alguns detalhes desportivos, como são os casos das jantes, por exemplo, consegue manter-se fiel ao seu desenho original, ou seja, atualizou alguns pormenores da carroceria, mas sem descaracterizar a sua imagem no geral.

Em complemento a este visual, a Mercedes incorporou no exterior do C220 Station um conjunto de sistemas de segurança, tais como a câmara exterior multifunções, o radar de curto e longo alcance para pequenas manobras, bem como diversos sensores em todo o redor, que constituem a base dos muitos sistemas de assistência à condução. A tecnologia alemã e o fator segurança, estão bem patentes.

Para quem percorre muitos quilómetros diariamente, como é o meu caso, um automóvel deve estar ajustado à realidade profissional das pessoas, sobretudo aquelas que têm funções de direção. Para além do estilo, imagem e estatuto da marca, sou da opinião que um automóvel premium também deve transmitir ao condutor e passageiros, uma tecnologia acessível e funcional. De confuso, já basta o trânsito.

Performance

A mobilidade também passa pela performance do automóvel. Valorizo os detalhes dos materiais utilizados a bordo, espaço e ambiente interior deste carro, e também as questões relacionadas com o desempenho da caixa de velocidade e do motor. Destaco a qualidade dos acabamentos em madeira, o desenho do tablier, a boa posição da consola central e o ecrã de grandes dimensões. Tudo muito bem posicionado e dentro do nosso campo visual.

No percurso misto que efetuámos neste ensaio, senti que o motor a diesel de 4 cilindros e a caixa automática de 9 velocidades, têm muita vivacidade sendo um primor da tecnologia. A potência do motor sente-se logo ao mais leve toque no acelerador e, a caixa, reage com rapidez às mudanças de velocidade. Talvez se o motor tivesse 6 cilindros, o desempenho poderia ser ainda mais vibrante.

As peças e os componentes do automóvel, que fazem parte do meu ramo de negócio, evoluíram muito nos últimos 5 anos, seja por força de uma legislação ambiental mais restritiva, seja por questões de competitividade entre as diversas marcas. Na verdade, as marcas não já fabricam automóveis, elas efetivamente montam os automóveis, com base num conjunto de peças e equipamentos, diretamente fornecidos por diversos fabricantes mundiais.

Hoje os motores a diesel incorporam soluções tecnológicas que permitem maiores performances, menores consumos e reduzidos níveis de emissões. Cada peça ou componente automóvel, sejam os discos de travões, pastilhas, amortecedores, pistons, velas de ignição, filtros de partículas, baterias, entre outas, apresentam características únicas e um elevado desenvolvimento, que contribuem para o desempenho do automóvel, seja na sua performance ou nos seus consumos.

Em Portugal, as vantagens fiscais para aquisição de uma viatura a diesel, por parte das empresas, continuam a ditar as regras do mercado de compra e venda de viaturas novas. Por isso, as viaturas equipadas com motores a diesel continuarão a ter muita procura no nosso país, sobretudo nos modelos do segmento superior, como é o caso deste Classe C 220 Station.

Equipamentos

Aprecio o volante multifunções, pelo facto de estar bem posicionado e por reunir, praticamente todos os comandos presentes no tablier. Os bancos, em pele e em tons vermelhos, dão um toque elegante e desportivo, embora tenha preferência por estofos em tecido. A iluminação exterior, o visual dos faróis LED e o sistema de luzes inteligente, dão o toque distintivo a este Classe C. Embora a minha avaliação tenha sido feita durante o dia, creio que à noite, este sistema seja muito útil na condução, sobretudo nas autoestradas.

Manutenção

Pessoalmente, tenho um bom feeling da Mercedes, pois é uma marca que aprecio pela qualidade geral dos seus automóveis e boa rede de assistência. Quando adquirimos um automóvel em sistema de renting, por exemplo, também devemos ter em conta o seu custo total de utilização (TCO), pois este será considerado no valor final da renda mensal. Em termos de peças, os materiais de desgaste rápido, como os discos de travões, as pastilhas, os filtros, as velas, e os pneus, também devem ser considerados tanto nos custos de utilização de um automóvel, como valorizados na questão da segurança rodoviária. Uma correta manutenção é fundamental para o bom funcionamento do automóvel e para a segurança rodoviária.

Naturalmente os motores de viaturas de alta performance, também sofrem um desgaste mais acentuado. Por isso, é importante recordar que determinados componentes podem não estar abrangidos pela garantia da marca e, neste caso, o custo de manutenção poderá variar ao longo do período de utilização do automóvel, sobretudo na frota de uma empresa.

No geral, esta nova geração do Mercedes C220 Station evoluiu em imagem, conforto, tecnologia e performance. Soube, contudo, manter o seu estilo único e a sua elegância num segmento onde, de certa forma, as carrinhas já parecem ser todas iguais. Nesta minha avaliação, reconheço as suas qualidades e potencialidades deste modelo, embora o preço desta viatura ensaiada, que inclui a linha AMG, o teto de abrir em vidro e alguns outros extras, seja algo elevado. Mas quando desejamos um produto de elevada qualidade, sabemos que há sempre um preço a pagar”, finalizou Luís Costa.

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