Mitsubishi eCanter – de Portugal para todo o mundo

by on 15 Agosto, 2018 in Ensaios / Assessment, Pesados

Mitsubishi eCanter – de Portugal para todo o mundo

A Mitsubishi Bergé Portugal, importador e distribuidor da FUSO em Portugal e a Mitsubishi Fuso Truck Europe, entregaram 10 unidades FUSO eCanter à Câmara Municipal de Lisboa.

Fabricado em Portugal, na unidade do Tramagal, a eCanter FUSO é o primeiro veículo comercial pesado de mercadorias, 100% elétrico, que pode transportar até 4290 kg de carga, com um peso bruto total de 7500kg. A autonomia deste veículo em condições de utilização reais é de 100km. A eCanter tem uma enorme relevância para a economia portuguesa, uma vez que este modelo é produzido em Portugal e exportado para várias cidades do mundo.

A Mitsubishi Bergé Portugal integra o projeto mundial de lançamento da FUSO eCANTER, a decorrer em seis cidades piloto – Amesterdão, Berlim, Londres, Nova Iorque, Tóquio e Lisboa. O evento da entrega das unidades eCanter em Lisboa, contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e dos embaixadores dos países cujas respetivas cidades integram o projeto.

O evento, realizado em Lisboa, reuniu diversas personalidades diretamente ligadas ao projeto do eFuso. Para além dos presidentes das respetivas 10 juntas de Freguesias de Lisboa; estiveram presentes Francisco Geraldes – diretor geral da Mitsubishi Bergé Portugal, importador e distribuidor da marca Fuso; Jorge Rosa, presidente executivo da Mitsubishi Fuso Truck Europe, fábrica localizada no Tramagal; Kazuo Matsunaga, chairman da Mitsubishi Fuso Trucks & Bus Corporation, e Maria do Céu Albuquerque, presidente de Câmara Municipal de Abrantes.

Teste em estrada

A Automotive foi convidada a testar a eCanter, e Eduardo Gaspar, diretor da Revista, descreve o teste que realizou: “para contextualizar, este camião eCanter tem um motor elétrico com cerca de 175CV, com tração traseira e 390Nm. A energia elétrica é acumulada em 6 baterias de 13,8kWh distribuídas pelo chassis.

Assim que entro, verifico que o tablier é igual da FUSO Canter bem como toda a cabine. A diferença desta eCanter reside no sistema de ignição, no painel de instrumentos, e o ecrã central touchscreen com navegação incluída. A regulação dos espelhos retrovisores é manual. Partilha o sistema de ignição do Mercedes-Benz Actros, ao encaixar a chave numa ranhura e ligar através de um botão.

Ao contrário dos motores diesel, nos elétricos não sabemos pelo ruido se o motor está ligado ou não. Na eCanter, basta abrirmos a porta e surge um sinal sonoro ininterrupto a avisar que o camião está ligado. Para quem não esteja habituado a conduzir veículos elétricos ou com caixa automática, pode estranhar a conduzir esta unidade do eCanter, pois o camião inicia a marcha assim que tiramos o pé do acelerador, o que pode originar alguns sustos.

O arranque é suave e tem todo o binário logo disponível. O camião tem uma velocidade máxima anunciada de 80km/h. O surpreendente é que chega a essa velocidade muito rapidamente. O “travão-motor” ativa-se através de um comutador junto ao volante e desativa-se assim que pressionamos o acelerador.

Este camião é muito suave na condução. À exceção desta caixa de carga que faz muito barulho, a eCanter é um camião muito bom para utilização em ambiente noturno, pois poderá percorrer silenciosamente os trajetos da cidade, sem incomodar o sono dos habitantes de Lisboa.

Para evitar a “range anxiety” (ansiedade da autonomia), o painel de instrumentos mostra apenas a percentagem de carregamento das baterias. Se quisermos mesmo saber quantos quilómetros restam de autonomia, basta aceder ao ecrã central e aceder às informações do veículo.

Saímos do local do teste com 71km de autonomia, realizamos 6km de percurso e acabamos com 68km de autonomia, mesmo com o ar condicionado a funcionar. Isto significa que, durante o percurso, as baterias carregaram-se com as travagens regenerativas e desacelerações. O camião quase que trava sozinho, o que contribui para diminuir o consumo de pastilhas de travão.

Pontos a melhorar

Durante o teste, evidenciam-se vários os pontos de melhoria. O mais evidente foi a caixa de carga que faz mesmo muito barulho. As caixas de carga, principalmente as feitas em metal como estas, precisam de ser completamente revistas porque não estão adaptadas a este tipo de veículo, com propulsão silenciosa. Sei que esta estrutura é a mais indicada para a recolha de resíduos urbanos, mas o ruído é muito desconfortável para o motorista e porventura para os moradores de Lisboa ouvirem o barulho que esta estrutura faz em andamento.

Outro ponto, seria a diminuição da rapidez de resposta do motor, para se ter mais uma condução mais de “camião” e menos de “carro ligeiro”. Assim evitar-se-iam excessos por parte de alguns motoristas. Essa diminuição da resposta do motor seria importante não só do ponto de vista da segurança, mas também da tração, pois com este binário todo disponível é possível que numa situação de chuva a eCanter patine com alguma facilidade.

Por fim, a eCanter irá porventura precisar de um suspensões independentes à frente bem como um maior amortecimento na cabine. Visto que é um camião para fazer o percurso citadino, e tendo em conta que a cidade de Lisboa tem muitas zonas do piso em mau estado, senti que o conforto do motorista é bastante afetado. Seria necessário assim um conjunto suspensão/cabine mais adaptado para um veículo elétrico para que todo o camião acompanhasse a suavidade do funcionamento do motor elétrico, e proporcionar uma melhor experiência de condução.

Conclusão

Quando este camião entrar em produção de larga escala, deverá certamente ter revistos todos pontos acima referidos, além de outros parâmetros que neste teste não foram possíveis de detetar, mas que poderão ser evidenciados numa utilização diária e intensiva nas diversas cidades do mundo. Aliás, acredito que as cidades vão competir entre si, para verem quais conseguem utilizar melhor a eCanter.

Do ponto de vista nacional, as Juntas de Freguesia de Lisboa também deverão ter uma competição saudável entre elas, para também conseguirem tirar o melhor partido desta eCanter e, também, fornecerem informações importantes sobre os resultados da sua condução.

De referir que Pedro Frazão, gestor de produto da Mitsubishi Portugal, acompanhou-nos durante o teste e foi de grande valia, por ter partilhado o seu conhecimento técnico da eCanter, mas também por ter-nos explicado o papel deste modelo no alargado espetro comercial e histórico das frotas da Mitsubishi. Compreender o veículo é importante, mas o ambiente comercial onde ele se enquadra é essencial.

Estamos a vivenciar um momento único na história dos veículos pesados, ao poder testar nas ruas de Lisboa o primeiro camião elétrico de produção em série. A eCanter que testei não é um protótipo, ou um concept, que não sabemos se alguma vez vai existir na prática. Pelo contrário, esta eCanter é um dos 10 veículos de pré-produção que serão efetivamente utilizados pelas Juntas de Freguesia de Lisboa. Com este teste, a Automotive passa também a fazer parte ativa da história da eCanter em Portugal, ao publicar este momento importante para a indústria nacional e para as frotas no mundo”, conclui Eduardo Gaspar.

O preço da eCanter ainda não está estipulado, pois com a evolução da tecnologia, tanto do veículo como das baterias, será naturalmente mais baixo do que foram investidas nestas unidades de pré-produção. O início da produção da eCanter está agendado para finais de 2019, com a comercialização a ser feita a partir de 2020. Para 2020 está também previsto o lançamento da nova Canter, portanto a eCanter deverá incorporar todas as inovações da modelo Canter, adicionando aquelas que forem identificadas nestes dois anos de teste que a eCanter tem pela frente.

Print article

WP to LinkedIn Auto Publish Powered By : XYZScripts.com