Motoristas da P.Mendy em face a um despedimento coletivo

by on 10 Setembro, 2019 in Pesados

Motoristas da P.Mendy em face a um despedimento coletivo

Trabalhadores da filial portuguesa da empresa de transportes P.Mendy têm reportado à Automotive que estão a ser convocados para trazerem os camiões (apenas o trator) para a filial da P.Mendy na Mealhada. São cerca de 50 o número de camiões nesta situação.

Os próprios funcionários do escritório não conseguem dar mais esclarecimentos do porquê desta decisão, sendo que os motoristas dirigem-se ao local com as suas viaturas e colocam o respetivo cartão de tacógrafo em posição de trabalho e permanecem lá até as 17h. Segundo a Automotive apurou, alguns camiões da P.Mendy continuam a realizar serviços para o Intermarché e para a Salvador Caetano.

Comenta-se um possível despedimento coletivo dos trabalhadores da filial portuguesa, sendo que até ao momento a empresa não proferiu nenhuma declaração pública, através dos portais das redes sociais que, no caso de a filial portuguesa, encontra-se inativo.

Outro cenário possível é manter a situação em stand-by até que que a empresa declare falência e seja assim nomeado um administrador de falência que lide diretamente com os trabalhadores.

Em caso de despedimento, os motoristas deverão ter acesso ao subsídio de desemprego que tem como referência os salários base praticados pela P.Mendy em Portugal – em média 630 euros. Como é prática do setor, o complemento do salário é pago em ajudas de custo. Assim, toda a temática gerada pela greve dos Motoristas de Matérias Perigosas em Portugal é um problema visível, e que poderá afetar estes trabalhadores no curto prazo, no caso de um eventual despedimento, ao terem acesso a subsídios de desemprego abaixo do padrão de salários que auferiam.

Administrador condenado a prisão

Patrick Mendy, administrador da empresa de transportes P.Mendy, foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa pelo Tribunal de Dax (França) por não respeitar o código de trabalho, através de “trabalho dissimulado”. Segundo aquele tribunal, a empresa teria reduzido os seus custos ao fazer com que os funcionários portugueses trabalhassem fora da legalidade.

Com sedes entre o País-Basco e França, e filiais em vários países (entre os quais Portugal), a instituição francesa URSSAF estima que a empresa P.Mendy conseguiu escapar de pagar 2,2 milhões de euros de contribuições sociais ao estado Francês através de esquemas ilícitos.

Esta condenação é o resultado de quatro anos de investigação, onde a filial portuguesa da P.Mendy representava um papel importante no esquema ilícito, que, segundo o tribunal de Dax, prejudicava os trabalhadores da empresa. No entanto, a decisão final do tribunal sobre a ação civil foi adiada para dezembro deste ano.

(créditos da imagem: JRug)

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