Novo MAN TGX – economia, eficiência e habitabilidade douradas

by on 13 Março, 2020 in Pesados

Novo MAN TGX – economia, eficiência e habitabilidade douradas

À primeira vista parece que pouca coisa mudou no novo MAN TGX. Chamá-lo de “novo” assemelha-se a querer dourar a pílula. Notam-se poucas mudanças face ao “antigo” TGX.

Mas o importante de se realizarem eventos dinâmicos, é que se pode passar da primeira vista à interação. Foi isso que a MAN fez em Bilbao, quando recentemente apresentou uma geração completa de novos camiões: TGX, TGL, TGM e TGS. TG significa Technology Generation (geração de tecnologia), sendo as letras seguintes (X, L, M e S) relacionadas com a tipologia de motorização e cabines. Por exemplo, a gama TGX é aquela com maiores cabines e motores mais potentes dos 330 aos 640 cavalos; seguindo-se a TGS com potências entre 330 e 510cv; TGM com motores de 250 a 320cv e, finalmente, a TGL com potências entre os 160 e os 250cv.

Depois, dentro de cada gama, existe ainda uma multiplicidade de aplicações de acordo com as motorizações e versões (trator ou rígido). Por exemplo, dentro da gama TGX existem os segmentos de aplicação para transporte de longo curso, de estaleiro e betão, serviços de bombeiros, entre outros segmentos. Na gama TGS, também existem segmentos de aplicação similares e assim adiante.

Apesar de ser o lançamento de uma nova geração camiões, a MAN focou-se em Bilbao no seu modelo de longo curso por excelência: o TGX. Faz sentido, até porque os camiões de longo curso representam a maior percentagem das vendas na Europa. Presentes no evento de forma estática, os modelos TGS, TGM e TGL também deverão ter as suas apresentações dinâmicas ao longo de 2020.

Novo TGX – mudanças de peso

Quanto ao novo TGX que tivemos a oportunidade de conduzir, o facto de não parecer assim tão “novo” justifica-se com outro facto: é vítima do seu próprio sucesso. Isto porque a MAN não tem esperado por uma nova geração de camiões para introduzir, ao longo do tempo, melhorias significativas nos seus modelos, sendo o TGX o melhor exemplo disso.

Estas evoluções são bem patentes, desde as recentes modificações introduzidas pelas versões Efficient Line (que começaram na 1 e chegaram à 3), até às novas motorizações Euro 6, que começaram na Euro6a e que agora já alcançam a classificação Euro6d (lançadas em 2019). Isto para não falarmos nas tecnologias de assistência à condução, que é um verdadeiro capítulo à parte.

Se considerarmos uma escala de apenas 6 anos, foram tantas as melhorias introduzidas no TGX (e demais modelos da MAN), que torna-se confuso saber até que ponto se pode chamar uma gama de “nova”: se é quando se introduzem 26, 84 ou 152 alterações num modelo.

Percebe-se que a MAN está mais focada no desenvolvimento técnico do que propriamente na comunicação comercial, ou não fosse ela a “casa” por onde passou Rudolf Diesel, e não tivesse ela uma divisão chamada MAN Energy Solutions, que produziu em 2019 o motor diesel para o maior navio cargueiro do mundo: o MSC Gülsün.

A título de curiosidade, este motor denomina-se MAN d&t11g95me-c9.5x1set, e tem uma potência de 90619 cavalos. Qualquer outra marca teria um nome comercialmente mais apelativo (talvez Júpiter ou Atlas) para este motor, mas a MAN optou por uma complexa equação matemática. Revela a filosofia racional que permeia a existência desta empresa.

Como diz o ditado, não basta ser Cleópatra, também é preciso parecer. Isto de “parecer” não está muito no ADN da MAN, e apresentar uma nova geração de camiões é (para qualquer marca), uma tarefa sempre difícil.

Dinâmica mundial

Mas antes de se apresentar, nada como uma prévia verificação técnica no terreno, só por precaução. Assim, os especialistas de investigação e desenvolvimento da MAN apresentaram a mais de 700 motoristas (inclusive durante visitas às transportadoras e às oficinas), diferentes protótipos. Para além disso, a MAN convidou 300 clientes nacionais e internacionais, de um total de 16 países, para estarem presentes em Munique, a fim de avaliarem os requisitos mais importantes para um novo veículo.

Tecnicista, ainda antes desta verificação técnica no terreno, a MAN investiu para esta sua nova geração de camiões, cerca de 12 milhões de horas de trabalho em projetos, 4 milhões de quilómetros de teste em estradas por todo o mundo, criou 2,8 milhões de novas linhas de código de software e envolveu, diretamente, 2100 funcionários da MAN.

Depois de toda esta explicação, percebe-se porque a MAN demorou 20 anos para lançar uma nova geração de camiões. A sensação que tenho é de que algures, durante esta contínua evolução (estudos, projetos, inquéritos a clientes, investimentos nas fábricas, e por aí fora) alguém no departamento de comunicação e marketing deu um murro na mesa e disse: “BASTA! Vamos apresentar uma nova geração de camiões e será em 2020!”. Dito e feito. Finalmente.

Novo em cada detalhe

Com toda esta bagagem técnica, a nova geração dos camiões MAN reflete um visual externo de alguma continuidade. Quanto ao modelo TGX é semelhante à geração anterior. Porém, quando nos atemos melhor aos detalhes, evidenciam-se uma série de modificações aerodinâmicas na cabine que a tornam mais eficiente na resistência ao ar. Outros pormenores como faróis totalmente em LED, espelhos retrovisores renovados e novas luzes laterais compõem o novo pack visual do TGX.

Se no exterior a cabine do MAN TGX é estruturalmente parecida com a do MAN TGA (ano 2000), no interior as coisas são muito diferentes. Todo o interior foi renovado, sendo de realçar o tablier e o volante.

Nesta nova geração de camiões da MAN, é no tablier onde torna-se mais visível a influência do Grupo TRATON, onde a marca MAN está integrada. Assim que entrei na cabine e olhei para o tablier, vi muitas semelhanças com um camião Scania, que também pertence ao Grupo TRATON.

De destacar o travão de segurança ter o seu acionamento por botão; o ecrã central de maiores dimensões (e com um melhor grafismo), bem como a grande novidade: o MAN SmartSelect. O MAN SmartSelect é um manípulo que controla o sistema de infotainment, através de três funcionalidades: rodar, pressionar e touchpad. A MAN considera que a utilização de um ecrã tátil na utilização do sistema de infotainment é prejudicial à segurança do motorista.

Outro destaque em termos de segurança são os novos botões situados na porta do motorista. Denominado MAN EasyControl, estes botões permitem que o motorista esteja fora da cabine e, com a porta aberta, possa ligar as luzes de sinalização de emergência (4 piscas), acionar o motor para a operação basculante, fechar os vidros, entre outras funções que podem ser realizadas à medida do cliente.

Quanto ao volante, este tem uma nova configuração, com mais botões de controlo. O painel de instrumentos é agora totalmente digital e amplamente configurável. Ainda no tocante à cabine, os armários têm um novo visual e maior capacidade de arrumo, bem como a cama inclui uma esteira que serve de “poltrona”.

Mãos ao volante

No teste que realizei em Bilbao ao volante do TGX 18.470, as duas horas e os cerca de 110 km de condução, deram para ter uma primeira sensação de que o novo TGX é bem diferente da geração anterior. O consumo médio registado foi de 43,5lt/100km, mas as estradas montanhosas de Bilbao não são o ambiente ideal para uma medição de consumo de combustível, dada a sua topografia muito irregular.

Um teste de maior duração será o ideal para por à prova a habitabilidade, a insonorização da cabine, as várias funcionalidades dos sistemas MAN SmartSelect e EasyControl e, naturalmente, o consumo. O comando da caixa de velocidades, que agora surge posicionado no mesmo manípulo do retarder, parece-me um pouco confuso de utilizar, mas para afirmar com certeza é preciso fazer mais alguns quilómetros de teste.

 

Apesar de curto, o primeiro contacto que realizámos com o novo TGX foi bastante promissor, tendo sido o evento de apresentação fundamental para se compreender todo o trabalho e filosofia por detrás desta nova geração que, para além de manter os eficientes motores já lançados em 2019, também engloba uma série de novidades (como é o caso da conectividade, que abordaremos em outras edições). Em resumo, o novo camião TGX da MAN, é um verdadeiro concentrado de economia, eficiência e habitabilidade.

Concluo este primeiro contacto com a convicção de que o dourado foi a cor certa para esta apresentação. Não que a MAN queira ter “dourado a pílula”, mas sim, que finalmente ganharam a coragem comunicacional para tornarem visível aquilo que são realmente capazes: de fazerem uma geração de ouro nos camiões.

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