Novo Mercedes Benz Actros – mais tecnologia e maior humanização

by on 7 Junho, 2019 in Pesados

Novo Mercedes Benz Actros – mais tecnologia e maior humanização

A Mercedes-Benz realizou, em Barcelona, um evento para apresentação dinâmica do seu novo modelo Actros.

A Revista Automotive efetuou um teste real, para conhecer as principais tecnologias deste camião de referência internacional.

Mais tecnologia nem sempre é sinónimo de menos humanização. O novo Actros é um exemplo disso. Apesar de ser um modelo novo, as alterações estéticas foram muito reduzidas, sendo de realçar a retirada dos espelhos retrovisores laterais convencionais e a introdução de alguns outros pormenores na cabine. No geral, as grandes mudanças foram realizadas no âmbito das tecnologias. E foram muitas.

Mas antes de descrevermos as tecnologias, aproveitamos a apresentação em Barcelona, para perguntar a Horst Junghans, Chief Engineer do Actros, qual a tarefa mais difícil no desenvolvimento deste novo modelo. Horst Junghans respondeu-nos que “foram dois grandes aspetos. O primeiro deles foi a integração dos sistemas. Foi um grande desafio trabalhar com o desenvolvimento de software, que não segue as mesmas etapas do desenvolvimento da mecânica ou eletrónica nos camiões. Partimos praticamente do zero em algumas das tecnologias que este novo Actros incorpora e, portanto, tivemos de criar bases para um novo trabalho.

O segundo aspeto foi a integração das pessoas. Em termos gerais podemos afirmar que cerca de 20.000 pessoas trabalham para ser possível ter este novo Actros no mercado, entre funcionários das nossas fábricas e staff da Mercedes-Benz. Com tantas pessoas envolvidas, direta e indiretamente neste projeto, conseguimos superar o desafio de estarmos todos alinhados para que este modelo seja um sucesso” salientou Horst Junghans, à Revista Automotive.

Passando às tecnologias deste novo Actros, nada melhor do que testá-las na prática. Eduardo Gaspar, diretor da Automotive conduziu o camião nas estradas da região da Catalunha, e nos descreve as características mais marcantes deste novo camião: “nesta apresentação, a única característica que diferenciava os modelos à disposição para teste, era a potência e a tipologia de cabine. Os semirreboques utilizados, também eram todos iguais (do tipo lona), por via de uma parceria que a Mercedes-Benz tem com a marca de semirreboques Krone. Optámos pela versão equipada com motor de 530 CV e com cabine Gigaspace.

Antes de entrarmos no Actros e começarmos a condução, testámos logo uma funcionalidade da chave em termos de segurança rodoviária – o botão que permite testar as luzes (médios, máximos, piscas, etc.), tanto do trator como do semirreboque. Verificadas as luzes, passámos ao interior do camião.

Os painéis, agora totalmente digitais, proporcionam mais espaço ao interior da cabine, visto que concentram mais informações, num menor campo visual. A maior parte das funções do camião podem agora ser comandadas por 3 vias, ou seja, através de comandos no volante, do ecrã central tátil e ainda dos botões analógicos no tablier.

De referir que o ecrã tátil funciona mesmo em andamento, mas o mais seguro é operar certas funcionalidades como a climatização ou controlo do radio, através dos botões analógicos. Com o camião em andamento, os solavancos da cabine fazem com que seja difícil para o motorista operar com o ecrã tátil certas funções.

Conectividade e parametrização

Antes de iniciarmos a condução, é tempo para emparelhar o telemóvel, sendo que é possível conectar ao mesmo tempo os 2 telemóveis (por exemplo, o pessoal e o de serviço). O tablier dispõe de carregamento do smartphone por indução.

A ligação com os sistemas dos smartphones (Apple e Android) é feita sem dificuldade, inclusive é possível operar o smarphone através dos comandos de voz do camião. Vai para além da mera pesquisa de contactos ou de fazer chamadas telefónicas, sendo possível utilizar os aplicativos do smartphone com os comandos de voz.

Com as novas tecnologias deste Actros, antes de se iniciar a marcha é aconselhável parametrizar alguns sistemas. Entre eles o PPC (Predictive Powertrain Control), na imagem acima Neste aspeto, é possível definir as tolerâncias de velocidade (máximas e mínimas), para as diversas topografias e tipologias de percurso: descidas, subidas, plano, curvas, aproximação de travagem, entre outras.

Depois desta configuração inicial, todos estes os parâmetros ficam memorizados para um determinado motorista. O sistema reconhece o motorista através do cartão de tacógrafo. Isto significa que, em condução partilhada (2 motoristas), cada um poderá ter os seus parâmetros automaticamente ativos, assim que assuma o posto de condução.

Em condução

Passando à condução, nos primeiros quilómetros não é fácil de habituar à mirrorcam, ou seja, o retrovisor eletrónico interior, porque normalmente olhamos para fora do camião para ver os espelhos retrovisores, sendo que com esta nova geração do Actros, tudo fica mais próximo do motorista. A mirrorcam tem uma linha tracejada que se vê em permanência, a indicar onde está o fim do semirreboque. Pode ser ajustada conforme o tamanho do semirreboque. O ajuste é feito nos botões que, na versão anterior, ajustavam a posição dos espelhos retrovisores.

A vantagem da mirrorcam é que ela acompanha, visualmente, o semirreboque nas curvas e assim temos sempre uma boa imagem do que se passa ao nosso redor. Este sistema também permite ver mais ao longe, com maior clareza, ajudando a calcular melhor as distâncias de ultrapassagens, mudanças de faixa, entre outras manobras de condução em estrada.

Destaque para a adaptação da mirrorcam à luz. Dentro dos túneis que percorremos nas estradas da Catalunha, e principalmente na entrada e saída deles (onde as variações de luz são repentinas), a mirrorcam adaptou-se rapidamente a essas variações, mantendo sempre uma boa visibilidade. Outro aspeto que notámos no teste foi a incidência dos raios de Sol, diretamente na mirrorcam. Num espelho retrovisor convencional, a luz do Sol encandearia a vista do motorista. Agora, a mirrrocam efetua uma espécie de filtro da luz solar, possibilitando visualizar nitidamente tanto a estrada como os veículos à nossa volta. Da mesma forma que conseguimos tirar uma foto com um smartphone do Sol, sem nos encandearmos, a mirrorcam adapta-se muito bem às intensas luminosidades.

Outra função interessante na entrada dos túneis, foi a conduta de ar fechar-se automaticamente, impedindo a entrada do ar exterior, diretamente para o habitáculo. O sistema de navegação deteta que estamos a entrar num túnel, e o sistema tem como objetivo evitar a entrada do ar “nocivo” ao motorista. Assim que saímos do túnel, a conduta abre-se novamente, e renova o ar a bordo.

Sistemas de condução avançados

Testámos o ADA – Active Drive Assist, que vai para além de um “convencional lane assist”, ou seja, de um sistema para manter o camião na faixa de rodagem. Ativado, o ADA além de virar automaticamente o camião (é só preciso termos as mãos apoiadas no volante!), também podemos parametrizar se queremos que o Actros circule mais ao centro ou mais encostado a um dos lados da faixa de rodagem. No teste escolhemos circular mais encostado à berma e, de facto, o sistema faz com que o camião circule deixando mais espaço à esquerda. Se juntamos a isto o cruise control ligado, o camião conduz quase em modo autónomo.

O interessante é que mesmo sem o ADA ligado, ao deixarmos o camião aproximar-se da linha faixa de rodagem, o sistema vira automaticamente; emite um sinal sonoro e reposiciona o camião no centro da faixa de rodagem. Ou seja, mesmo que o motorista não ligue o ADA, o sistema evita automaticamente que o camião transponha a faixa de rodagem.

Aquilo que mais impressionou foram as capacidades do Predictive Powertrain Control (PPC). Em autoestrada funciona de forma similar a outros sistemas preditivos de condução. A diferença está nas estradas nacionais. Em estrada nacional, com o PPC ligado e ativado o modo “interurban”, o Actros torna-se ainda mais dinâmico e seguro, sendo que a única função destinada ao motorista é rodar o volante. Todo o resto, é feito de forma automática com a intervenção do PPC.

O camião praticamente “sabe” que velocidade deve ter para abordar a próxima curva, subida, descida, ou qualquer outra situação (sequência de curvas, por exemplo) e faz de forma autónoma, a gestão da caixa, motor e sistema de direção. Acelera, trava, liga o retarder, o eco Roll, faz mesmo tudo! No painel de instrumentos é antecipada a informação da velocidade na qual o camião vai efetuar a próxima curva, bem como a distância (em metros), a que estamos dessa curva. O motorista pode acelerar para alterar essa velocidade – é ele que tem sempre a decisão. Se considerar que está a curvar com pouca ou muita velocidade, é possível parametrizar esses valores no início da viagem.

Conclusões

Para os motoristas mais céticos ou que não estejam à vontade com tanta tecnologia, é também possível conduzir facilmente o Actros sem nenhum auxílio tecnológico. Basta ligar o motor e começar a conduzir. Já aqueles motoristas que desejam aproveitar a tecnologia, conseguem desfrutar de um vasto conjunto de soluções, ou seja, o novo Actros é camião bastante democrático.

O interessante deste Actros ter tanta tecnologia é que não nos sentimos “presos”, “consumidos” ou “mergulhados” nela. Pelo contrário. Assim que entendemos como tudo funciona, passamos a aproveitar e usufruir muito mais da condução, da estrada e da paisagem. Conseguimos ter mais consciência do que se passa ao nosso redor e isso prova a centralidade do Actros no motorista e não na tecnologia.

Aliás, existem outros sistemas que o Actros incorpora que evitam o atropelamento de peões, e até de ciclistas quando o camião curva. Mas para explicarmos em pormenor esses sistemas precisaríamos de mais páginas. Por agora, divulgámos o essencial, ficando para mais tarde um eventual assessment nacional, deste novo modelo.

Quando foi apresentado o primeiro smartphone, foi preciso explicar em grande detalhe todas as funcionalidades desse novo avanço tecnológico, tendo em conta alguma dificuldade em ser amplamente aceite pelo mercado. O mesmo se passa com o novo Actros. Este modelo inaugura uma panóplia tecnológica inédita no setor dos camiões de longo curso, que progressivamente será estendida a todos os modelos da marca, ao ponto de poder vir a se tornar um padrão no mercado.

Mas tal como o primeiro smartphone, no futuro iremos nos lembrar do primeiro camião que introduziu tanta tecnologia, e esse camião é seguramente o Actros. O smartphone atualmente tornou-se um fenómeno mais social do que tecnológico e, a nosso ver, o Actros caminha no sentido de também conquistar o seu lugar na história do mundo automóvel” conclui Eduardo Gaspar, no final do teste em Barcelona.

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