Novo Nissan LEAF – Líder nos Elétricos e Ativo nas Frotas

by on 18 Janeiro, 2019 in Ensaios / Assessment

Novo Nissan LEAF – Líder nos Elétricos e Ativo nas Frotas

Assessment do Nissan LEAF, por Hélia Mendes, profissional da equipa da gestão de frota da Securitas Portugal.

Começo este assessment com uma boa surpresa, pois não estava à espera de avaliar um carro elétrico. Vai ser a primeira vez que conduzo um carro elétrico em estrada aberta. É verdade que já testei o Renault Kangoo nas instalações da Securitas, mas isto ocorreu em ambiente fechado. O assessment que a Revista Automotive está a me proporcionar com este novo modelo do Nissan LEAF, é uma ótima oportunidade de nos aproximarmos ainda mais das viaturas elétricas.

Digo isto porque já demos um primeiro passo para utilização de veículos elétricos na nossa frota. Para além de várias unidades do Renault Twizzy, em atividade há algum tempo em vários clientes, recentemente incorporámos o modelo Kangoo Elétrico à nossa frota. Face às características do trabalho de vigilância que realizámos diariamente, estamos a utilizar este Kangoo Elétrico num grande condomínio de luxo. As vantagens do produto residem essencialmente na questão do baixo ruído e poluição ambiental numa zona de residência.

Também esta será a primeira vez que conduzo um modelo da marca Nissan. A referência que tenho da Nissan é o Qashqai.

Primeiro contacto

Visualmente é um carro que agrada, ao contrário de outros modelos elétricos que destoam demasiado. Destaco os seus faróis, tejadilho em preto e os vidros escurecidos. Este Leaf tem um espaço suficiente para os ocupantes dos bancos traseiros, e o espaço da bagageira é realmente impressionante pela dimensão e capacidade de carga. Estou curiosa para conhecer o tão falado sistema de mobilidade inteligente da Nissan.

Para iniciar a marcha, não é muito fácil. Um aspeto a rever seria o “manípulo” que comanda o sentido da marcha. A marcha deveria ser acionada no sentido da direção pretendida, ou seja, puxarmos o manípulo para trás para acionar a marcha atrás, e para a frente para colocar o carro em movimento na estrada. Mas este manípulo funciona ao contrário, o que me parece pouco lógico. Mesmo nas caixas de velocidade manuais, a primeira mudança engrena-se com a manete para a frente. É um pormenor que poderia ser revisto e que, a meu ver, irá fazer toda a diferença.

No entanto, assim que estamos na estrada a sensação é que é um carro extremamente fácil e confortável de conduzir. Em todos os aspetos. O ambiente a bordo é muito silencioso e as linhas do tablier são harmoniosas. É um interior sóbrio, onde sobressai o painel de instrumentos (metade digital e a outra parte analógica), com todas as informações necessárias para uma boa condução.

Informações e consumos

No painel de instrumentos, visualizo a informação dos 236 Km que o carro dispõe de autonomia, mesmo sem a bateria estar a 100% de carga. Quanto aos consumos, medi-los num carro elétrico não é tão imediato como num carro com motor a combustão. Tal como referimos no recente evento Revista Aberta da Automotive – onde a Securitas foi uma das empresas oradoras no âmbito da gestão de frotas – temos um plano concreto de tornar o controlo de emissões das viaturas num processo totalmente automatizado e com maior precisão do que aquele que temos atualmente.

A questão das emissões dos automóveis é levada muito a sério na nossa empresa. Por isso, a gestão das emissões da frota da Securitas, passa essencialmente pela gestão e análise dos consumos. Utilizamos os combustíveis da Repsol e da Galp. Para um primeiro controlo, dispomos de ficheiros individualizados por cada viatura, onde constam os litros que foram abastecidos e os quilómetros percorridos.

Introduzimos essa informação de base no nosso sistema WebTec, que nos faz automaticamente as listagens das emissões de CO2, consoante a tipologia da viatura que está a ser analisada. Mensalmente elaborámos as listagens com o cruzamento destes dados e analisamos as informações disponibilizadas para verificarmos se há desvios, excessos de consumos, e pontos a melhorar na condução.

Entretanto, com o modelo que dispomos, foi possível alcançarmos média de consumo entre os 4 e os 6lt/100km. Sempre que detetámos variações acima deste intervalo, intervimos de imediato no sentido de alertar e de sensibilizar o condutor de uma determinada viatura, da necessidade de diminuir o consumo. Por outro lado, se verificarmos o registo de médias muito inferiores, também alertamos o condutor, pois poderá ter ocorrido algum erro no registo dos quilómetros ou de outros dados essenciais.

Os consumos e emissões das nossas viaturas, estão alocadas por centro de custos e por filiais. Isto ajuda-nos a compreender o comportamento dos condutores, em função da posição geográfica das nossas filiais. Como exemplo, já sabemos que os consumos das nossas viaturas na ilha da Madeira, estarão sempre posicionadas acima da nossa média nacional, face às características das estradas serem, na sua maioria, ingremes e sinuosas. Também sabemos que a tipologia de uma viatura influencia nos consumos, como é o caso do Mitsubishi L200 que é um todo-o-terreno utilizado pelos nossos funcionários, para um fim específico. Esse controlo, unidade a unidade, é realizado para as cerca de 294 viaturas da frota, incluindo os motociclos.

Tecnologias

Voltando à avaliação do Nissan LEAF, diria que é um carro bastante evoluído tecnologicamente, pois através do acionamento de três botões, podemos literalmente modificar a dinâmica de andamento desta viatura. O primeiro é um botão azul, localizado no volante. Ao acioná-lo, notei que o carro mantém a velocidade de forma constante e, praticamente curva e trava sozinho, quando nos aproximamos de um carro mais à frente.

Em autoestrada, tirei por alguns segundos as mãos do volante e senti que o carro se manteve na faixa de rodagem. O sistema (ProPilot) é mesmo impressionante. Pelo que pude perceber, o sistema roda o volante duas ou três vezes e, depois, “pede” para assumirmos o controlo. É excelente para conduzir “sozinho” no pára-arranca, pois reduz o stress da condução, diminui o risco de acidentes através dos sistemas de auxílio à condução e, naturalmente, melhora a autonomia.

O segundo botão, altera a forma de funcionar do acelerador (e-Pedal). O carro trava automaticamente assim que levantamos o pé do acelerador. É muito prático, e evita de andarmos sempre a travar, com a vantagem de, em percursos sinuosos ou em descida, carregar ainda mais a bateria através da travagem regenerativa. Também aqui noto que a segurança do condutor e dos passageiros, foi pensada pelos técnicos da Nissan. Um melhor controlo da travagem pode reduzir o número de colisões em situações de pára-arranca.

Por fim, o terceiro botão, retira o carro do modo Eco. Ao premi-lo, sinto que resposta do LEAF é bem mais imediata. A diferença é grande, nota-se muito bem, e a força do propulsor elétrico fica logo toda disponível. Tanto na fase do arranque como em plena condução, o carro fica bem mais “enérgico”. Para o condutor que gosta de “sentir” o carro, quando desligamos do modo Eco…as sensações são intensas. Gostei muito do desempenho do carro nestes três níveis, pois permite adaptarmos o nosso modo de condução em função das características do trânsito e das nossas necessidades de mobilidade, seja ela em estrada ou em percurso urbano.

Comparativos

Como referi inicialmente, a Securitas já incorporou alguns veículos elétricos na sua frota. No entanto, apesar da nossa motivação em conhecermos as opções disponíveis no mercado, tem sido um desafio compararmos as características técnicas dos diferentes carros elétricos à venda.  Por mais que façamos contas e análises digitais, nada melhor do que testar um modelo de forma dinâmica, ou seja, em situação de utilização real. Desta forma, retiramos muitas das nossas dúvidas e ficamos mais atentos para as características positivas que um modelo dispõe, mas que à partida, não são percetíveis para um gestor de frotas.

No caso deste modelo LEAF, além dos aspetos de performance que já mencionei, acrescento ainda a possibilidade de podermos ver o que se passa ao redor do carro, ou seja, de dispomos de uma visão a 360 graus, quase como se tivéssemos um drone a filmar por cima da viatura para ajudar-nos nas manobras. Este sistema permite visualizarmos alguns detalhes de onde estamos a estacionar, proporcionando uma perspetiva muito facilitadora e mais segura, nas manobras. Sei que a Nissan disponibiliza uma aplicação que nos permite regular a temperatura do carro antes de entrar, ou ainda, localizar as estações de carregamento mais próximas.

Conclusões

Para a minha tipologia de utilização, o Nissan LEAF revelou-se um carro ideal. Como trabalho, na maior parte do dia, dentro de um escritório, teria que carregá-lo nas nossas instalações, pois moro num prédio sem garagem, logo, não tenho como recarregá-lo à noite.  No tocante às características do modelo, ressalto que os bancos são muito confortáveis, bem posicionados e com apoios laterais; dispõe de aquecimento das mãos no volante, que adorei, pois, dá muito jeito nos dias mais frios, e de um conjunto de soluções tecnologias muito interessantes e que nos transmitem uma grande segurança e confiança na condução.

Mesmo fora do espectro de utilização na frota da Securitas, é um excelente carro para um funcionário realizar com conforto e sem stress os quilómetros do habitual percurso casa-trabalho. Também é um modelo que pode ser partilhado entre os vários funcionários de uma empresa como carro de serviço, enfim, há um grande leque de utilizações deste modelo elétrico. No entanto, após a realização deste assessment proporcionado pela Revista Automotive, passei a dar ainda mais valor ao teste dinâmico de uma viatura elétrica.

Relativamente ao carregamento, é bem mais fácil do que abastecer numa bomba de combustível. O perfeito seria este carro dispor de uma condução 100% autónoma. Mas por aquilo que pude experimentar, o novo Nissan LEAF já está muito bom. Sei que existem muitas pessoas que são céticas quanto a utilização de carros autónomos, pois ainda gostam de conduzir carros com mudanças manuais e de sentir o pulsar das rotações do motor a combustão.

Mas do ponto de vista de uma frota, tudo o que possa existir em termos de mobilidade visando facilitar tarefas rotineiras, diminuir o desgaste das peças dos automóveis, minimizar o tempo de imobilização devido às manutenções e promover uma condução segura, confortável e ambientalmente responsável, é sempre bem-vindo para o condutor e para uma empresa. Por tudo isso, este modelo LEAF Zero Emission veio dar uma nova energia às frotas!” conclui Hélia Mendes.

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