Peugeot com gama quase toda eletrificada

by on 24 Março, 2020 in Ensaios / Assessment, Frotas

Peugeot com gama quase toda eletrificada

Ainda o ano nem bem começou, e a Peugeot já tem quase toda a sua gama de ligeiros de passageiros eletrificada. A marca realizou um evento em Barcelona onde apresentou os modelos 208 e 2008 100% elétricos, o 508 e 508SW híbridos Plug-In, e o 3008 híbrido Plug-In com tração às 4 rodas.

A Automotive esteve presente no evento, onde tivemos a oportunidade de testar todos os modelos em condições reais de utilização.

O ditado “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, aplica-se à Peugeot que esteve relutante vários anos sem eletrificar os seus veículos, por diversas razões. O facto de esta apresentação ter tido como imagem de fundo uma pedreira, foi uma coincidência curiosa. Como se sugerisse que o Grupo PSA teve que “partir muita pedra” para conseguir eletrificar a sua gama. Mas conseguiu. E apresentou-a.

Peugeot 3008 Hybrid4

Entre tantos modelos 100% elétricos e híbridos plug-in, a escolha de qual testar primeiro não foi fácil. Tendo em conta a crescente importância do segmento dos SUV nas empresas, optámos então pela solução híbrida plug-in do 3008, com tração às 4 rodas e 300cv de potência.

Este é o resultado da combinação de uma motorização PureTech a gasolina de 200 CV (147 kW) e dois motores elétricos: um no trem dianteiro, acoplado à transmissão e-EAT8 (automática), e que desenvolve 110 cv (81 kW), e outro acoplado ao trem traseiro, com uma potência de 112 cv (83 kW). Face a um Peugeot 3008 com motor apenas a combustão, esta versão Hybrid4 pesa mais 250 kg.

A capacidade das baterias é de 13,2kWh. Ao utilizar-se uma Wallbox com uma tomada específica de 32 amperes associada ao carregador monofásico de 7,4 kW, o carregamento completo das baterias deste 3008 Hybrid4 é feito em 1h45min.

Teste em estrada

O primeiro aspeto a testar foi a autonomia das baterias. A resposta não é fácil: 30kms. Mas poderíamos escrever 50 ou 170kms. Ou seja, depende. E este “depende” não tem a ver com o tipo de condução ou da topografia do terreno. Depende das configurações do carro que o condutor optar durante a condução. Na verdade, o que varia é a autonomia do motor a combustão. Confuso? Nós também ficamos. Mas procuramos perceber.

Este Peugeot 3008 híbrido plug-in pode ser configurado para “guardar” a energia das baterias para serem usadas mais tarde. Por exemplo, utilizando apenas o motor a combustão durante uma viagem em autoestrada e depois apenas os motores elétricos em cidade. Esta opção permite armazenar energia suficiente para se conduzir 10, 20 ou 30kms em modo 100% elétrico, consoante o condutor configurar no ecrã touchscreen do 3008.

Utilizando o exemplo anterior – e no caso das baterias deste 3008 não estarem carregadas – na viagem da autoestrada o motor a combustão irá tanto tracionar o carro como carregar as baterias para percorrer a quantidade escolhida (10, 20 ou 30kms). Chegando à cidade, basta acionar um botão e o carro move-se exclusivamente com os motores elétrico. Qual a autonomia máxima em modo 100% elétrico? No teste que fizemos foram 29,5 km.

Existe também a opção de condução em modo 4×4 “permanente”. Assim, o 3008 utiliza em simultâneo os motores a combustão e elétrico para fazer a tração 4×4. Quando a carga das baterias começa a chegar ao fim, o motor a combustão além de tracionar o carro, fornece energia para as baterias, que por sua vez acionam o motor elétrico. Sempre que isto acontece, a autonomia do motor a combustão diminui. No nosso teste, passou de 430 kms para 300kms.

Se optarmos por uma condução em modo “hybrid”, o 3008 irá utilizar o motor elétrico apenas para auxiliar o motor a combustão, numa gestão eficiente da carga das baterias, sendo difícil determinar ao certo qual a autonomia das baterias.

Vocação empresarial

Para as empresas a fiscalidade joga a favor deste 3008 híbrido plug-in. Assim, é possível recuperar o IVA, o ISV situa-se nos 25% e está no segundo escalão de tributação autónoma. Está a ser comercializado para as empresas com um preço promocional de 35.000 euros (sem IVA). Se tivermos em conta que este 3008 é o carro com mais potência de toda a gama Peugeot, dá o que pensar…

No entanto, para os frotistas que não precisem de um SUV com tanta potência e de tração às quatro rodas, este 3008 terá a sua versão com tração dianteira e 225cv de potência combinada. Esta versão combina um motor PureTech 180 cv (132 kW) com um motor elétrico de 110 cv (80kW) alojado na frente do veículo e acoplado à transmissão e-EAT 8.

Peugeot 508 Híbrido

Ainda nas soluções híbridas para as empresas, mais dois modelos a ter em conta: os novos Peugeot 508 Hybrid e 508 SW Hybrid. Estes associam o motor PureTech de 180 cv (ou 132 kW) a um motor elétrico de 110 cv (ou 80 kW), para uma potência máxima combinada de 225 cv (ou 165 kW). Face aos Peugeot 508 e 508SW com motor apenas a combustão, estas versões híbridas pesam mais 280 kg (peso das baterias mais o motor elétrico).

Estes 508 têm algumas semelhanças, mas também diferenças, face ao 3008 híbrido plug-in. A começar pelas semelhanças: os novos 508 são também Plug-In, sendo que a carga completa das baterias de 11,8 kWh é feita em menos de 1h45 (utilizando uma Wallbox com carregador de 7,4 kW e tomada de 32 amperes em opção).

Diferente do 3008, os 508 têm tração exclusivamente dianteira e uma gestão das baterias distinta. O motor a combustão não carrega as baterias, logo a autonomia em modo híbrido é menor do que o 3008. As baterias também não são carregadas por travagem regenerativa. Os 508 dependem mais das Wallbox. Diferente também foi a autonomia em condução 100% elétrica: no nosso teste conseguiu percorrer 35km (mais 4,5km do que o 3008 Hybrid4).

Por fim, uma abordagem financeira para as empresas. Segundo os cálculos da Peugeot, estes modelos 508 Hybrid e 508 SW Hybrid, têm um custo de utilização equivalente a uma versão do 508 ou 508SW com motor diesel de 130cv (com caixa automática EAT8). Este custo é calculado com base em 30.000 km por ano, com uma utilização de 65% em modo híbrido e 35% em modo 100% elétrico. Mais uma vez, números que dão para pensar…

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