Recipneu – Granulados criogénicos de borracha para todo o mundo

by on 2 Fevereiro, 2017 in Pós-Venda

Recipneu – Granulados criogénicos de borracha para todo o mundo

Desde que entrou em funcionamento há cerca de 13 anos, o Sistema Integrado de Gestão de Pneus Usados (SGPU), instituído pela Valorpneu, contribuiu de forma decisiva para a o desenvolvimento de uma rede de operadores de reciclagem e valorização energética do pneu em fim de vida, empresas que na sua essência proporcionam um destino final, económico e ambientalmente sustentável do pneu usado.

Basicamente, os operadores de reciclagem recebem os pneus inteiros ou cortados e processam-nos em granulado de borracha – com separação do metal e do têxtil incorporado nos pneus -, que depois é utilizado em diversas aplicações, como betume modificado com borracha; campos de futebol sintéticos; pavimentos rodoviários; parques infantis, entre outros.

A Valorpneu trabalha atualmente com 3 empresas de reciclagem, entre as quais está a Recipneu, localizada no Polo Industrial de Sines, cujo processo de produção criogénico de borracha granulada a Revista Automotive foi conhecer de perto entrevistando, na ocasião, António Pedreiro, o diretor geral da empresa.

“A Recipneu é uma das empresas de reciclagem de pneus usados das mais antigas em operação na Europa, anterior mesmo à formação da Valorpneu, tendo iniciado as suas atividades nos finais dos anos noventa estando, naquela altura, integrada numa sub-holding ligada ao grupo Águas de Portugal.

A sua génese teve por base a ideia de se criar uma empresa que pudesse ter viabilidade económica, resolvendo um problema ambiental associado aos pneus usados. Era uma oportunidade de negócio inovadora e ao mesmo tempo desafiadora, pois tínhamos que montar todo o modelo de negócio e produtivo, praticamente do ponto zero.

Assim nascia um pequeno grupo, formado pela Recipneu, empresa recicladora que recebia os pneus usados, transformando-os em granulados de borracha; tendo sido criada, praticamente ao mesmo tempo, a Recipav, nossa associada, que se dedica a aplicação deste granulado de borracha, em pavimentos rodoviários e ecológicos.

Com o tempo, o grupo foi se desenvolvendo, passando em 2008 da esfera pública para o mercado privado. Assim, a Recipneu insere-se hoje num contexto mundial das empresas que nasceram para resolver um grave problema ambiental, dando um destino final aos pneus em fim de vida. Fazemos parte de um grande movimento internacional de empresas recicladoras de pneus usados.

Hoje, assistimos a um excesso de oferta, visto que na Europa são produzidos anualmente 700 mil toneladas de granulados de borracha, para uma procura que rondará apenas em 300 mil toneladas.

O negócio da reciclagem de pneus tem por isso uma pressão muito forte do lado da oferta, com consequências diretas na constante redução do preço do granulado de borracha.

Na nossa perspetiva, isto não é nenhuma catástrofe, antes pelo contrário, é uma enorme oportunidade de negócio. Em contexto histórico, a Europa ainda não dá o mesmo aproveitamento do granulado de borracha como o verificado nos Estados Unidos da América, na China, na Africa do Sul e em alguns países da América Latina, com a aplicação do granulado de borracha na modificação do betume utilizado nos pavimentos rodoviários.

Os betumes modificados neste processo, tornam os pavimentos rodoviários mais resistentes e naturalmente mais ecológicos, pois reduz a utilização de matérias primas a partir do crude e, sendo mais resistentes ao desgaste, têm uma vida útil superior aos pavimentos que utilizam betume sem o granulado.

Explicando, o betume modificado com borracha incorpora cerca de 22% de granulado criogénico. A sua aplicação e a certificarão das suas vantagens, tais como o aumento de aderência entre o pneu e a estrada (atrito), e o consequente aumento de segurança e a redução do ruído de circulação, estão homologados e certificados por diversos organismos nacionais e internacionais

Assim, temos um grande mercado em aberto na Europa visto que, somente com a aplicação de 5% de granulado de borracha nos betumes utilizados nos pavimentos rodoviários nos países europeus, permitiria resolver o problema do excesso de produção dos granulados. Estamos a falar de um processo onde todos têm a ganhar: o construtor da obra; o ambiente e o contribuinte que, por regra, é quem suporta os maiores custos das grandes infraestruturaras rodoviárias.

Embora pareça paradoxal, também há um grande mercado ainda por explorar junto aos fabricantes de borracha. Estamos a assistir a uma crescente escassez de matéria prima para estas indústrias, ou seja, de borracha natural e de borracha sintética. Isto quer dizer que os próprios fabricantes de borracha são, em última análise, potencialmente grandes clientes de granulados de borracha, fechando assim todo o ciclo produtivo.

Mas até que este cenário ideal esteja em pleno funcionamento, a pergunta que se faz é: como iremos sobreviver e manter o negócio da Recipneu economicamente viável?

A resposta vem com base na aplicação de novos métodos produtivos e utilização de mais tecnologia e na procura de outras aplicações e de novos mercados. Por exemplo, há uns anos atrás, desenvolvemos pisos de borracha reciclada, destinados à prática da equitação, a partir do granulado criogénico produzido pela Recipneu.

Especialmente desenvolvido para este fim, o piso foi testado e aprovado pela Coudelaria de Alter do Chão, sendo incorporando em picadeiros. Veio proporcionar um aumento do conforto para o cavalo e para o cavaleiro, contribuindo para a diminuição do risco de lesões nos animais, tendo por isso merecido uma distinção por parte daquela entidade.

Hoje, este tipo de piso é feito a partir do nosso produto Flexygran. Este é um piso inovador, tanto que iremos apresenta-lo numa feira mundial realizada em Sevilha, dedicada ao setor do hipismo.

Este exemplo serve para dizer que, grande parte da nossa produção é destinada ao mercado internacional, visto que exportamos cerca de 70% de tudo aquilo que produzimos nesta nossa unidade de Sines. A proximidade com o porto de Sines, é por isso estratégico, pois permiti-nos ligações para todo o mundo.

No tocante à tecnologia, existem duas técnicas utilizadas no processo de reciclagem do pneu: a mecânica ou ambiental, e a criogénica. Na Recipneu utilizamos a tecnologia criogénica, que valoriza as propriedades dos polímeros. O processo industrial desenvolve-se basicamente em três fases: fragmentação da matéria-prima (pneu usado); processamento criogénico; ensacamento e armazenamento.

Resumidamente, no processo criogénico, congelamos a borracha em azoto líquido a uma temperatura abaixo dos 196 graus centigrados, mantendo, entretanto, todas as suas propriedades como por exemplo a elasticidade. É com base nesta diferenciação que a Recipneu se mantém no mercado e consegue exportar os seus produtos a países tão distintos, tais como os USA, à Rússia ou à China.

Assim, o nosso granulado de borracha em processo criogénico tem como principais aplicações: enchimento dos campos de futebol de relva sintética; pavimentos de baixo ruído para estradas – betume modificado com borracha; pisos amortecedores e anticompactantes para picadeiros; arenas e pistas para hipismo; matéria-prima para a indústria transformadora de polímeros (borracha e plástico).

Infelizmente o mercado português ainda não dá o devido valor a este processo e ao preço do nosso produto, facto que nos transformou, por opção, numa grande empresa exportadora, empregando 16 profissionais.

É com base nesta diferenciação positiva, alicerçada no uso da tecnologia criogénica, que a Recipneu se tornou numa empresa de referência mundial, na produção de granulados de borracha do pneu usado. Gostaria também de referir que – pela nossa experiência internacional – a Valorpneu, é uma das melhores entidades na gestão do sistema de pneus usados, sendo um verdadeiro case study para qualquer país”, finalizou António Pedreiro.

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