Renault – Captur(ar) o segmento dos crossovers

by on 20 Março, 2020 in Ensaios / Assessment, Frotas

Renault – Captur(ar) o segmento dos crossovers

Da mesma forma que a captura de um instante pode ser definida como uma foto, o Renault Captur pode ser definido como a fotografia de um sub-segmento do mercado automóvel – os crossovers/pequenos SUV’s do segmento B.

Lançado em 2013,o Renault Captur tem sido sempre o líder deste sub-segmento em Portugal, que em 2013 representava 10% das vendas do segmento B, e que em 2019 representou um impresisonantes 40%. Tal como este sub-segmento evoluiu com o passar do tempo, o Captur também, mantendo o estatuto de referência nos crossovers/pequenos SUV’s.

O novo Captur foi apresentado à imprensa nacional, evento onde a Automotive esteve presente e pudemos constatar o salto evolutivo positivo que a Renault teve com este novo modelo.

Design e interiores

Sendo o benchmark, só é possível comparar o Captur com ele mesmo, ou seja, a geração anterior com esta nova geração. A começar pelo aspeto geral, exteriormente este novo Captur parece ser bem mais largo do que o anterior. Neste ponto, a estética e o design conseguem fazer mais do que a matemática. Apesar de parecer bem mais “encorpado”, na verdade o novo Captur é só 2 cm mais largo que o antecessor.

No caso do comprimento, a situação inverte-se. O Captur parece manter-se um carro compacto, mas é 11 cm maior do que o anterior. Contribui para manter o visual compacto, uma cintura mais alta, mais apontamentos em cromado ao longo da carroçaria, e umas jantes de 18 polegadas que agora estão disponíveis neste modelo e que lhe conferem uma maior proporcionalidade nas formas.

Ainda no campo das formas, a traseira sobressai. Tem uma estética muito própria do Captur, com os grupos óticos em forma de “C”. Este Captur tem como equipamento standard os faróis full led, tanto na frente como na traseira.

O Captur quando foi lançado trouxe um certo frescor ao mercado com a configuração bi-tom, ou seja, cores diferentes entre a carroçaria e o tejadilho. De certa forma criou uma tendência que já se tornou habitual em carros deste segmento, onde o Captur continua a procurar a diferenciação através das suas 90 combinações de bi-tom disponíveis.

Interiores

Tal como no novo Renault Clio, o novo Captur apresenta um interior completamente renovado. A qualidade dos materiais é bem percetível, bem como a grande quantidade de superfícies macias que agora tornam a experiência a bordo ainda mais agradável.

Diferente do novo Renault Clio é a versão de caixa automática do Captur, que conta com uma consola flutuante com sistema E-Shift (sem cabos) com duas superfícies de arrumo no habitáculo, muito similar ao do novo Renault ZOE. De momento, o Captur é o único na gama Renault a ter este tipo de consola.

O seu painel de instrumentos é totalmente digital e configurável. O tablier conta com um ecrã central de 9,3 polegadas – é o maior do seu segmento – com uma superfície brilhante que tem um acabamento não refletor. Na prática, funciona muito bem.

Quanto aos bancos, estes mantém o conforto habitual da Renault, com encosto de cabeça incorporado nas costas do banco. Além do efeito visual ser mais apelativo, estes novos encostos conseguiram o que é difícil num carro – o conceito de one size fits all (um tamanho serve para todos). Encaixaram na perfeição a todos os jornalistas que testaram os novos Captur, e sabemos disso porque tivemos o cuidado de ver todos os carros à chegada dos 290km de testes e nenhum tinha o encosto do banco mexido.

Por falar em mexer, destaque para a possibilidade de deslizamento dos bancos traseiros em 16 cm (standard em toda a gama), o que permite maior espaço na bagageira ou mais espaço para os ocupantes traseiros. Com 18 combinações de cores do interior e 8 ambientes internos de luz, a experiência a bordo do Captur é bastante adaptável, sendo completada pelo surpreendente sistema de som BOSE (igual ao do novo Clio).

Tecnologia e motorizações

O Captur é o segundo modelo da Renault a utilizar a plataforma CMF-B que permite a integração das tecnologias ADAS, a eletrificação dos modelos, e o progressivo aumento de tecnologias que permitam uma condução mais autónoma. Em termos de segurança o Captur estreia na gama Renault o alerta de obstáculo traseiro, a câmara 360º e o sistema de travagem ativa de emergência com deteção de ciclistas e peões. Ainda no âmbito da segurança, a Renault revelou que o Captur obteve em todas as versões as 5 estrelas EuroNCAP.

Quanto às motorizações, começamos pela mais importante para as frotas: o diesel. O Captur vem equipado com o motor a Diesel 1.5 Blue dCi, disponível em duas versões: 95 e 115 cavalos. Esta motorização pode ser associada à caixa manual de 6 velocidades ou à caixa automática EDC de dupla embraiagem de 7 velocidades. Na versão de caixa automática, destacamos que para além do conforto de condução que proporciona, impressiona pelos consumos: entre os 4,7 e os 4,9 l/100 km na versão de 95 cavalos e entre os 4,8 e 5 l/100 km na versão de 115 cavalos.

Para as versões a gasolina, o Captur inaugura o motor 1.0 TCe na gama Renault (3 cilindros, turbocomprimido), sendo o mais novo dos motores resultantes das sinergias da Aliança Renault-Nissan. Com 999 cc de cilindrada e 100 cv e de potência, este bloco da nova geração tem mais 10 cavalos relativamente ao TCe 90 que substitui, com menores consumos e emissões de CO2.

Além do 1.0 TCe, o Captur tem o motor 1.3 TCe FAP. Desenvolvido em parceria com a Daimler, o motor é precisamente o mesmo da geração anterior com resultados positivamente comprovados em modelos como o Mégane, Scénic e Kadjar. Com duas versões de potência, 130 e 155 cavalos, pode ser associado a uma caixa manual de 6 velocidades ou à caixa automática EDC de 7 velocidades com comandos por patilhas no volante.

Motorizações alternativas

É a primeira vez que o Captur apresenta uma motorização a GPL que estará disponível em março/abril deste ano. Ao contrário de outras marcas, a Renault manteve a aposta (de apostar mesmo) na motorização movida a GPL e não a GNL (Gás Natural Veícular), até por uma questão de histórico da marca neste tipo de motores, que começou com outra marca do grupo (a Dacia) tendo sido alargada para os modelos da Renault como é o caso agora do Captur.

Por fim, e no que diz respeito à eletrificação da gama, o Captur hibrido plug-in foi apresentado no salão de Bruxelas. Deverá estar disponível em Portugal em maio/junho deste ano, com uma tecnologia híbrida 100% desenvolvida pela Renault, com uma caixa de velocidades diferente do convencional e bateria de 9.8KwH que permite uma autonomia em modo 100% elétrico de 50km (ciclo WLTP). O grau de inovação neste Captur hibrido foi tal que foram registadas 150 patentes pela Renault neste modelo.

Enquanto se aguarda pelas motorizações alternativas, a comercialização do Renault Captur nas motorizações “tradicionais” já está em curso em Portugal.

Daquilo que pudemos experimentar e conhecer do Captur, podemos afirmar que tem todas as qualidades para continuar a ser o benchmark do segmento, mesmo se quando apareceu no mercado nacional em 2013 existiam 2 concorrentes, e agora esse número deve já ultrapassar os 20. A força que este modelo tem no mercado deverá ser perpetuada, lembrando que em 2019 foi o terceiro modelo mais vendido em Portugal, ficando apenas atrás do Renault Clio e do Mercedes-Benz Classe A.

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