Renault – no ADN dos veículos comerciais ligeiros

by on 9 Janeiro, 2018 in Frotas

Renault – no ADN dos veículos comerciais ligeiros

A completar 20 anos de liderança nas vendas de veículos ligeiros em Portugal, a Renault mostrou em Paris, o que a fez chegar nesse patamar e o que está ainda por vir.

A liderança constrói-se passo a passo, e no caso da Renault, tem sido feita com mais de um século de história nos veículos comerciais ligeiros. No ano de 1900 a Renault construiu o Type C, um furgão de 3,5 cavalos e 250 kg de carga útil, apresentando-se como o primeiro veículo com utilização industrial / comercial da história. Desde então, a Renault investe nos veículos comerciais ligeiros (VCL), destacando-se pelo seu expertise na matéria.

A Automotive foi a Paris conhecer as raízes da Renault nos VCL, num evento denominado Brand Bath Day, o que significa algo como o “dia de mergulhar na marca”. De facto, foi uma imersão na marca e uma viagem pela sua história. O evento continha uma exposição dos veículos comerciais históricos da Renault, apresentações e testes dinâmicos aos novos modelos da marca.

Diferente de outros programas, o Brand Bath Day distinguiu-se pela possibilidade de se fazer testes dinâmicos com os veículos comerciais históricos. Uma clara demonstração que a fiabilidade é um aspeto que permeia o desenvolvimento dos modelos comerciais da Renault, ao longo do tempo.

Para descrever o século de história da Renault nos VCL é necessário um compêndio de livros, algo que a marca já tem. Para além disso, dentro da estrutura mundial da Renault, existem três profissionais exclusivamente responsáveis pelos modelos comerciais históricos. Estes monsieurs são autênticas “enciclopédias vivas”, pois conhecem ao pormenor as evoluções de cada veículo comercial Renault – desde os primeiros modelos com radiador sem bomba d’água, até à capacidade das baterias do novo Kangoo ZE. Alguns minutos de conversa com estes monsieurs, são suficientes para clarificar e desfazer alguns preconceitos associados à Renault, bem como para compreendermos que as evoluções tecnológicas de hoje, têm uma longa história de desenvolvimento interno na marca.

Teste em estrada – SpaceClass com foco nas pessoas

O primeiro teste dinâmico foi ao Type PR, um mini-autocarro, projetado para realizar o serviço de “transfer”, entre os hotéis e as estações de comboios em meados de 1920. Num estado de conservação impecável, é notória a primazia dos passageiros em detrimento do condutor.  O compartimento dos passageiros é luxuoso, sendo a viaggem realizada com bastante conforto e muito espaço. Do Type PR, “saltamos” para o novo Trafic SpaceClass.

O atual Trafic SpaceClass herda claramente do seu “tetravô” o conforto dos passageiros. O Trafic SpaceClass diferencia-se de outros modelos contemporâneos pelo facto da primeira fila de bancos (que inclui o condutor e “pendura”) não serem muito altos, o que proporciona um bom campo de visão para quem vai na segunda e terceira fila de bancos. Isto, no caso de os bancos estarem todos virados “para a frente”. Na versão tipo “sala de reunião”, onde os passageiros ficam virados de frente uns para os outros, a viagem também se faz com conforto, aliado a uma grande praticidade das mesas individuais que permitem adiantar trabalho aquando do percurso.

Outra característica diferenciadora do Trafic SpaceClass é a possibilidade de se abrir os vidros de trás. Apesar do ar condicionado ser independente e regulável pelos passageiros – e de climatizar bem o interior – o facto de se poder abrir a janela evita a sensação de claustrofobia causada por muitas horas no veículo. Parece um pormenor, mas abrir a janela depois de 2h30 a circular ininterruptamente pelo trânsito denso de Paris, permitiu que os ares frescos da capital francesa entrassem no Trafic e fizessem toda a diferença.

Do ponto de vista do condutor, o SpaceClass proporciona conforto para o motorista e uma panóplia tecnológica bastante funcional. Desde o painel de instrumentos digital, até à consola central com ecrã touchscreen, todos os elementos estão bem dimensionados, com uma boa ergonomia e inclusive com apontamentos de requinte. De realçar a experiência de condução que mais se assemelha a um automóvel ligeiro de passageiros do que a um furgão, dado por um lado à insonorização do veículo, e por outro lado, ao baixo ruído e agilidade do motor. A ignição “keyless” permite uma utilização diária mais rápida e cómoda para o motorista.

Quanto à estética, o SpaceClass testado apresentava os para-choques da cor da carroçaria, a grelha frontal e espelhos retrovisores em piano preto, bem como jantes estilizadas. Este pack dá um visual elegante ao veículo, indicado para serviços de transporte de passageiros que requeiram um caráter de requinte. Mesmo na versão mais curta, o SpaceClass tem espaço de bagageira para malas, sendo que este espaço, mais que duplica na versão mais longa. Ainda sobre a estrutura, realçar que a altura do SpaceClass não excede os 2,10mts, o que permite a entrada em parques de estacionamento subterrâneos.

Comerciais de carga

Para além do transporte de passageiros, a Renault também tem tradição no transporte de carga como foi o exemplo já referido do Type C de 1900. Recuámos até o ano de 1980 para testarmos, em estrada, o Renault Estafette. Este modelo foi o primeiro de tração dianteira da marca, o que permitiu uma maior capacidade de carga. Foi também pioneiro pela sua cabine avançada e portas laterais deslizantes.

Em condução, o motor de 43 cv do Estafette mostrou-se ainda bastante vivo para a sua idade, bem como capaz de fazer jus à capacidade de carga do modelo: 600kg. A caixa de velocidades com sincronizador ao contrário (a primeira mudança engrena-se para trás!) cria alguma complexidade na condução, mas é compensada pelo impressionante conforto que o modelo daquela época já tinha. Para além do conforto, o modelo transmite uma sensação de prazer na condução, que nos mantém com um constante sorriso no rosto e uma vontade incrível de cumprimentar todos os outros condutores. Traz boa disposição!

A condução do Estafette transmite a sensação de responsabilidade e segurança, associada à utilidade de transportarmos negócios/bens connosco. Interessante é que, este sentimento de eficiência é o mesmo que os motoristas de distribuição nos dias de hoje, referem à Automotive, quando os entrevistamos. Percebe-se então, porque muitos frotistas optam pelos modelos da Renault, está no ADN do Estafette, que depois foi sendo aprimorada e transmitida às gerações subsequentes: o prazer de conduzir com responsabilidade, segurança, utilidade; em suma: prazerosamente eficiente.

Carga nos comerciais

A Renault lidera o mercado dos VCL elétricos na Europa e dispõe de uma gama única no mundo com o Twizy Cargo, o novo ZOE Société, o novo Kangoo Z.E. e o Master Z.E. Bem, e até nos elétricos a Renault tem história …, com o primeiro Renault 5 elétrico a aparecer em 1972 e o Kangoo em 2002.

Nos elétricos, testámos o novo Kangoo ZE. Este mantém a estética exterior e interior do Kangoo com motor a combustão, exceto em alguns pormenores como a caixa de velocidades, o painel de instrumentos e o volante que tiveram um upgrade. Em termos de condução as expectativas de um “rolar suave” devido ao motor elétrico, são plenamente atingidas, contribuindo para o conforto a bordo. O sistema de recuperação de energia através da inércia do veículo faz com que seja quase desnecessário utilizar o travão do Kangoo ZE. Basta simplesmente retirar o pé do acelerador e além do carro aproveitar a energia cinética para carregar a bateria, o sistema trava o veículo.

A capacidade de carga de 650kg juntamente com a autonomia anunciada de 270 km são suficientes para a maior parte dos serviços. O tempo de carregamento da bateria varia de cerca de 9h com carregador de 3,7kW (16Amperes) a cerca de 4h com carregador de 7,4kW (32Amperes).

Outra novidade apresentada foi o ZOE Société, ou seja, o ZOE com dois lugares e caixa de carga. No evento da Renault, estava exposto uma versão inédita do ZOE Société – transformado com isolamento térmico para transportes de congelados até -25Cº. Tanto o motor do veículo como o motor de frio são alimentados pela bateria de 40kW, o que permite uma autonomia real até 300km. Também expostos estavam o Twizy Cargo, e o Master ZE, com capacidades de carga que vão dos 75 aos 1400kg.

Leia o artigo completo na edição impressa da Revista Automotive

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