Volkswagen Polo de pedra e cal no segmento

by on 23 Fevereiro, 2018 in Ensaios / Assessment

Volkswagen Polo de pedra e cal no segmento

Convidámos César Almeida, empresário do sector da restauração na região de Évora, para avaliar o novo Pólo e transmitir as suas perceções do ponto de vista de um cliente frotista.

“Já tive dois Pólos, um da primeira geração e outro da segunda geração. Frequentemente fazia várias viagens longas com esses modelos e sempre fiquei bem servido. Em termos de fiabilidade, não tenho nada a apontar. Percorri milhares de quilómetros com os dois Polos e nunca tive problemas. Também já trabalhei no setor de pós-venda automóvel e sei que não é à toa que a Volkswagen lidera sempre os rankings mundiais de fiabilidade.

A primeira coisa que noto, e gosto, é a conjugação desta cor com o design das jantes. Está bem conseguida. O meu carro também é vermelho, não me aflige um carro que dê nas vistas. Também reparei que o Pólo está maior. Isso nota-se principalmente nos bancos traseiros que fui logo experimentar.

Tenho na Volkswagen uma ideia de fiabilidade, ou seja, aquilo que esperamos é aquilo que acontece. Não gera falsas expectativas. Neste caso até supera, porque este Polo está muito mais próximo do Golf do que era no passado, portanto surpreende pela positiva.

Sensações e tecnologia

Os materiais são típicos da Volkswagen, com qualidade. Gosto do volante achatado na parte de baixo e do envolvimento dos bancos, mas o motor é a alma deste carro. Tendo em conta que é um três cilindros, tem uma resposta extraordinária. É o tipo de motorização indicada para este tipo de modelos: consome pouco e tem força que chegue.

Gosto do sistema de navegação que funciona com touchscreen, mas verifiquei que não tem bem cartografado as zonas industriais, o que complica a vida de quem tem que visitar empresas no interior do país.

Bom é o código de cores que tem o mapa, onde as estradas principais estão a amarelo escuro, as secundárias a amarelo claro, as terciárias a branco e as ruas sem saída a cinzento. Isso permite circularmos numa cidade como Évora, por exemplo, que mesmo que não a conheçamos, conseguimos perceber quais as “artérias” principais da cidade.

Ainda nas tecnologias, tem muitas que só conhecia em carros como o Passat, como é o caso do cruise control adaptativo, entre outros. Évora tem muitas estradas em paralelepípedo e a suspensão manteve sempre o conforto.

Caráter empresarial e familiar

Estive ativamente no desporto automóvel e sei as sensações de que é conduzir um carro verdadeiramente desportivo. Não estou à espera dessas sensações neste carro, até porque o conceito é outro. Não gosto de chamar estes modelos do segmento do Polo de citadinos, porque na prática, e principalmente em Portugal, a utilização vai para além da cidade e é muitas vezes utilizado como carro familiar.

Gosto mais da designação “trabalho/passeio”, neste sentido, diria que o Polo tem as características perfeitas para ser um carro de empresa, onde vejo várias vantagens – consumo, desempenho, pós-venda entre outros – e pode ser utilizado como familiar pelo espaço e conforto.

Este é o tamanho de carro ideal para mim. Como já referi, consegue-se fazer viagens com um conforto e tranquilidade satisfatórios, mas principalmente o tamanho permite-me circular em ruas de Évora que outros carros não passam, aproveitando assim atalhos e facilitando a circulação.

Os sensores de estacionamento à frente e atrás ajudam não só no estacionamento – que nos centros históricos é sempre escasso e à justa – mas também a conseguir passar em ruas apertadas com carros estacionados dos dois lados, evitando partir espelhos.

Importância do interior

Vejo todas as marcas automóveis a quererem comunicar para um público jovem, citadino, urbano e das metrópoles. Para já citadino e urbano para mim são a mesma coisa. Depois não percebo o porquê de serem sempre para os jovens, quando vemos muitos seniores com carros deste segmento nas empresas. E por fim, acho que esse foco demasiado nas metrópoles (grandes cidades) faz com que Lisboa e Porto continuem a ser o centro das atenções.  E nós das outras cidades do país, não contamos para nada?

As cidades do interior, como é o caso de Évora, tem um tecido industrial e empresarial que apesar de não ter o protagonismo de Lisboa e Porto, tem importância económica para o país. É muitas vezes no interior onde existem os grandes centros de desenvolvimento de tecnologias, por exemplo, não foi só pelos subsídios que a Embraer veio instalar-se em Évora. Além disso temos grandes produtores à nossa volta (vinho, gado, cortiças, etc.) e um setor de ser viços muito ativo, portanto um leque variado de atividades onde os carros são precisos nas empresas.

Outro dos pontos que diferencia uma marca no interior do país é a ter uma rede ajustada de concessionários ou reparadores autorizados. Quem trabalha na região do Alentejo sabe que às vezes temos de fazer 200km para visitar um cliente e por isso é melhor optar por carros fiáveis, e por marcas com uma boa rede implementada, pois no caso de acontecer algum percalço não queremos fazer 200km de volta em cima de um reboque.

Se as marcas automóveis falam muito nos concessionários venderem carros através de aplicativos digitais, e que essa será a grande tendência deste ano, então estão a ser muito pouco precisos no que transmitem. Devem referir-se a alguns concessionários em Lisboa e no Porto, porque basta irmos para o interior e muitos concessionários nem website têm. E os que têm às vezes é difícil encontrar rapidamente a morada.

Isso não quer dizer que os concessionários façam um mau trabalho na região, pelo contrário, às vezes trabalham tanto, que não têm tempo para gerir essas plataformas. Por isso, antes de quererem vender carros no digital, as marcas automóveis deviam apoiar mais os concessionários do interior para que consigam comunicar melhor com os clientes.

Proximidade do negócio

Digo isto, porque tendo negócios na restauração, sei que a proximidade com o cliente é muito importante. Temos muitos clientes que conhecemos pelo nome, sabemos quais as suas preferências, e isso só se consegue com um trabalho diário de confiança. Évora tem aumentado o turismo e temos clientes que vêm de fora e não é por isso que os vamos tratar melhor ou pior que os clientes habituais. Todos ajudam o negócio e temos é que fazer o nosso melhor para que saiam todos satisfeitos e nos recomendem.

Voltando ao carro e quanto à estética, tem linhas agradáveis e simples. Também prefiro um estilo mais simples, umas calças de ganga e uma t-shirt e estou pronto para o dia-a-dia. Principalmente para estes dias de inverno que mais parecem verão tal é o calor que tem feito ultimamente. Não descuido da aparência, ela conta, mas prefiro concentrar-me mais na funcionalidade, porque é no trabalho que está o ganho e não nas aparências.

Conclusões

Diria que o Polo é como a Sé de Évora: é um símbolo, tem tradição, é robusto, mas nem por isso deixa de nos satisfazer sempre que olhamos para ele. A Sé é feita de pedra e cal, o que lhe dá uma robustez, fiabilidade e confiança, mas também tem muitos detalhes estéticos e funcionais que surpreendem pela positiva, mas para conhecer melhor, nada como experimentar, tanto uma visita à Sé, como uma condução do Pólo.

Por fim, gostaria de agradecer à Automotive que me proporcionou uma manhã completamente diferente do habitual, dando voz, mesmo às frotas mais pequenas, como é o meu caso, demonstrando também que não se esquecem do interior do país vindo até Évora para este assessment”.

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