Antevisão da Standox: vítimas diminuíram e acidentes aumentaram

by on 22 Junho, 2020 in Pós-Venda

Antevisão da Standox: vítimas diminuíram e acidentes aumentaram

Na comemoração dos 60 anos da Standox em 2016 – marca de repintura automóvel do Grupo Axalta – a Revista Automotive esteve na sede da empresa em Wuppertal (Alemanha) para conhecer as origens da marca e, na ocasião, entrevistar Olaf Adamek, responsável da Standox para a Europa, Médio Oriente e África (na foto).

Nas suas declarações à Automotive, Olaf Adamek salientou que “a proliferação e utilização dos sistemas semiautónomos de segurança incute a ideia, e mesmo um receio, de que o negócio da repintura irá diminuir. O facto de estarmos há 60 anos em parceria técnica com os construtores automóveis, permite-nos ter um histórico de informações que podem nos ajudar antever algumas tendências, no futuro mais imediato.

Analisando o histórico do desenvolvimento de certos sistemas de assistência à condução, como por exemplo o ABS, acreditava-se que os acidentes automóveis iriam diminuir e, como consequência direta, os serviços na área da repintura, também. Contudo, os sistemas de travagem automática; o cruise-control adaptativo enfim, todos os sistemas semiautónomos de segurança, não têm reduzido substancialmente o número de acidentes, têm sim, em certa medida, diminuído a gravidade destes acidentes.

Novo paradigma

Segundo os nossos estudos, se à data de hoje notámos uma diminuição entre 10 a 20% da sinistralidade automóvel devido, aos novos sistemas de segurança e assistência à condução, também é um fato de que entre 10 a 20% dos acidentes de trânsito, que até aqui eram considerados como perda total do veículo, agora são passíveis de conserto e, neste sentido, acabam por representar uma oportunidade para o negócio para a repintura.

Os automóveis autónomos podem ter influência no negócio da repintura, mas estamos a projetar um espaço temporal de uns 10 a 15 anos até estarem implementados, se é um dia venham a ser utilizados em massa.

Enfatizo a palavra utilizar porque, atualmente, os sistemas de Bluetooth equipam quase todos os carros, mas na prática poucos usam. O número de acidentes provocados por distrações ao volante pela utilização de telemóveis é quase tão grande, quanto os acidentes provocados por condutores sob o efeito do álcool. Por isso, o negócio da repintura tem ainda um longo futuro pela frente e muito trabalho a ser desenvolvido no setor de pós-venda. E é por este motivo que continuamos a investir em novos produtos, na formação das pessoas e a desenvolver novos processos, pois queremos estar continuamente a inovar.”

Antecipar

Olaf Adamek estava, naquela entrevista, bem fundamentado na sua previsão – tanto é que as suas declarações à Automotive, acabaram por se mostrarem ser assertivas – inclusive em Portugal. Segundo os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), em 2016 ocorreram em território nacional (continental), 127.210 acidentes rodoviários com danos materiais do conhecimento das entidades fiscalizadoras (GNR e PSP). Em 2017 foram registados 130.208; em 2018 ocorreram 132.399; e em 2019 foram 135.063 acidentes. Ou seja, o número de acidentes, comprovadamente aumentou desde 2016.

Quanto ao número de vítimas mortais em acidentes rodoviários em Portugal, este valor tem vindo a diminuir gradativamente. Nestes dados, e apesar do espectro de comparação da ANSR ser diferente, dá para se ter uma noção desta diminuição: em 2009 registaram-se 737 vítimas mortais em acidentes rodoviários, sendo que em 2018 esse número se situou nas 508 vítimas.

Relativamente à necessidade de reparações de viaturas, em Portugal os números não são fáceis de deslindar. De qualquer das formas, é possível fazer um paralelo com o país ao lado – Espanha. A TIREA (empresa de tecnologias de informação que presta serviços para as seguradoras em Espanha), reportou um aumento gradual de acidentes envolvendo necessidade de reparações ao nível da chapa e pintura. Segundo esta empresa, se em 2013 Espanha atingiu os 1,73 milhões de pequenos acidentes de trânsito, em 2019 esse valor chegou a um máximo histórico com 1,94 milhões de pequenos acidentes de trânsito, no nosso país vizinho.

Se é um facto que, para se apurar com mais profundidade os valores para Portugal seria necessário um estudo mais específico e dedicado sobre a repintura automóvel, também é um facto que os números que aqui apresentamos (de entidades independentes à Standox) vão de encontro à previsão feita, em 2016, por Olaf Adamek.

Trabalhar diretamente e em parceria técnica-comercial com construtores automóveis, pode fazer a diferença em momentos onde se receia pelo futuro do setor. Até porque, a repintura automóvel vai para além da qualidade dos produtos aplicados e das formações técnicas. A confiabilidade das informações transmitidas é essencial para se alicerçarem os investimentos. Prova de que mesmo com os seus atuais 64 anos de idade, a Standox está longe de estar num grupo de risco, sendo parte da solução e não do problema.

 

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