Convenção da ARP debateu potencial e desafios do setor

by on 4 Março, 2020 in Pesados

Convenção da ARP debateu potencial e desafios do setor

A convite da Associação Rodoviária de Transportadores Pesados de Passageiros (ARP) a Automotive esteve presente na sua 14ª Convenção realizada em Peniche e subordinada ao tema “Alta performance nos transportes”. Aproveitámos a ocasião para realizarmos uma entrevista ao seu presidente, José Luis Carreira.

Automotive (AM)  – Que balanço nos pode desde já fazer desta 14ª Convenção?

José Luis Carreira (JLC) – Digo-o com plena convicção que esta terá sido a maior e melhor edição de sempre nos últimos 14 anos.

Como já vem sendo hábito, optamos sempre por escolher um local diferente do país para darmos a conhecer aos nossos associados e demais presentes as diferentes regiões que nos acolhem. Um requisito imprescindível é que o local da nossa convenção tenha a capacidade logística para acolher uma exposição de autocarros, ou não fosse este o nosso core business.

Desta vez, tivemos presentes 14 viaturas que acabam por ser sempre um motivo de interesse acrescido para os presentes. Apesar de concebermos esta convenção com componentes formativas e informativas, também não descuramos a vertente comercial, com a presença de vários expositores de parceiros que nos suportam na nossa atividade, sejam seguros, combustíveis, peças ou acessórios.

AM – Quais foram os temas chave abordados nesta edição?

JLC – Todos os anos procuramos abordar questões diferentes e apesar de não ser o tema central, a questão da liberalização dos transportes Expressos acabou por ser discutida. Mas não quero deixar de acrescentar que a nossa associação representa mais até as empresas que se dedicam ao chamado serviço ocasional, embora, como é lógico, também tenhamos associados que trabalham na área dos serviços regulares.

No entanto, a nossa principal preocupação em relação a este tema é esclarecer os potenciais interessados que se queiram candidatar aos Serviços Expresso. Não tenhamos dúvidas que a dita liberalização vai mexer com empresas em todo o país, e que vai obrigar muitas delas a saírem da sua zona de conforto, em especial as que já se dedicavam a esta área de negócio. Para estas também será um desafio acrescido.

Para quem agora se quer candidatar, o problema passa por compreender na sua plenitude um regulamento que carece de muita explicação. Estamos a aguardar que o IMT nos informe e esclareça alguns detalhes, porque apesar da legislação existente ainda perduram muitas dúvidas entre os operadores.

AM- A ARP também assume o papel da formação e esclarecimento aos associados?

JLC – Esclarecer e informar todos os associados é uma das nossas principais preocupações, seja neste ou em qualquer outro tema. Mantemos uma atitude preventiva e proactiva e buscamos sempre as melhores soluções para os nossos associados, seja através de protocolos ou de ações de formação que permitam evitar coimas ou o levantamento de autos. Atuamos muitas vezes junto do IMT, da ACT e de vários outros organismos, sempre com uma visão preventiva, para antecipar e evitar situações menos boas para os nossos associados.

AM- A falta de motoristas é outro tema que gera preocupações e polémicas. Que medidas defende a ARP para melhorar este cenário?

JLC – Esta é uma situação que nos preocupa, mas quero acreditar que é uma fase que será ultrapassada como tantas outras.

O facto de ser uma atividade dada à sazonalidade e em que as pessoas não têm horários definidos, estão muitas vezes ausentes do círculo familiar e não têm um descanso semanal fixo, podem ser fatores dissuasores. Mas, por outro lado, também tem o atrativo de ser uma profissão que permite o contato com outras pessoas, culturas e países.

Acreditamos ainda que há um conjunto de sinergias que podem ser desenvolvidas com as escolas de formação profissional, com as escolas de condução e até com o próprio IMT para, num esforço persistente e conjunto, ajudarmos a que a profissão de motorista seja uma opção, uma questão de vocação, e não apenas uma alternativa. Na prática, atualmente basta tirar a carta de condução, o CAM, o TCC e um ou outro curso e passamos a ser motoristas.

Ou seja, se eu quiser ser médico, professor ou engenheiro tenho de ir investir na minha formação pessoal e profissional, e é esse trajeto que defendemos para a profissão de motorista. Cada vez mais temos de investir no motorista que não é um “simples” condutor, é uma pessoa que tem de ter um percurso de vida e uma formação académica para desempenhar esta função. Até a área de línguas devia ter um maior peso na formação enquanto motorista. Tem de haver uma maior convergência e abrangência na formação e acabar de vez com os cursos desconexos e muitas vezes repetitivos.

AM- O que nos leva à questão dos incentivos ao setor ou, melhor, à falta deles. Quais são as maiores dificuldades que enfrentam neste campo?

JLC – Infelizmente, o transporte de autocarro parece ser o parente pobre do turismo. Nunca nenhum organismo público olhou para este sector com a atenção e o cuidado que merece. No caso das viagens organizadas ou em grupo, autocarro é o primeiro meio para quem nos visita utiliza, é o primeiro contato que tem (…)

Leia o artigo completo na edição Impressa da Automotive

Por: Rui Reis Texto: Redação Fotos: Diogo Almeida/Rui Reis

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