“Incoerência entre o OE 2021 e a política ambiental do Governo”

by on 2 Dezembro, 2020 in Frotas

“Incoerência entre o OE 2021 e a política ambiental do Governo”

José Ramos, Presidente & CEO da Toyota Caetano Portugal SA, distinguido com o Prémio Personalidade do Ano 2019 pela Revista Automotive, comentou em comunicado a recente aprovação do Orçamento de Estado (OE) para 2021:

“O critério definido pelo Governo para descriminação fiscal positiva das viaturas híbridas menos poluentes é um absurdo. É estabelecido um parâmetro de elegibilidade que nem sequer é mensurável nem consta da homologação técnica das viaturas. O resultado foi a exclusão de todos os modelos híbridos não plug-in da taxa reduzida de ISV”.

Segundo o responsável, a recente aprovação do OE 2021, que restringe a descriminação positiva de viaturas eletrificadas híbridas e híbridas plug-in, foi recebida com total espanto e deixou a marca Toyota incrédula.

Tomada de forma unilateral pelo governo, sem qualquer consulta aos representantes do sector, a Toyota não entende o alcance da medida, que é contrária à política ambiental do Governo, conduzindo à redução das vendas de viaturas eletrificadas híbridas e ao aumento das viaturas convencionais mais poluentes. Por isso, seguem abaixo as razões pelas quais está profundamente contra esta decisão:

1) Um carro de passageiros equipado com um motor híbrido combina dois motores: um motor de combustão interna (no caso da Toyota e Lexus sempre a gasolina) e um motor elétrico, ao alternar facilmente entre a pura energia elétrica e a eficiência da gasolina quando a velocidade aumenta, a tecnologia Híbrida Toyota não apenas economiza combustível, mas também oferece emissões de CO2 mais baixas que um veículo convencional com motor a combustão. No caso dos veículos Toyota os veículos circulam em cidade até 50% do tempo em modo elétrico, logo sem emissões e melhorando em muito o desempenho ambiental do veículo.

2) Em comparação com os veículos com motorizações convencionais, o nível de emissões dos veículos híbridos é significativamente inferior. Com exemplos: Toyota Yaris 1.5 Hybrid com 88g/km CO2 versus Toyota Yaris 1.0 Gasolina 128g/km CO2. No caso do Toyota Corolla 1.8 Hybrid 111g/km CO2 versus Toyota Corolla 1.2 gasolina 151 g/km CO2.

Escusado será dizer que todos os veículos passam por rigorosos testes de certificação e homologação a nível europeu que comprovam estes valores.

3) Portugal tem hoje das mais elevadas cargas fiscais sobre automóveis. A medida agora aprovada faz com que uma tecnologia mais amiga do ambiente seja menos competitiva, levando ao consequente incremento do número de viaturas com motorizações convencionais em circulação com emissões de CO2 superiores. Nesse sentido esta medida é um retrocesso na política ambiental do governo.

4) O parque automóvel circulante português é um dos mais antigos da Europa, com uma idade média de 13 anos. Acreditamos que a primeira ação de redução do impacto ambiental deve basear-se na estratégia de incentivar o abate de carros antigos poluentes e tecnologicamente desatualizados, promovendo a substituição por carros mais avançados tecnologicamente.

Os veículos eletrificados com a tecnologia híbrida e plug-in híbrida são uma solução amiga do meio ambiente.

5) Não existe nenhuma medida de alteração no OE 2021 que limite a importação de veículos usados mais poluentes. Um fenómeno que se mantem há vários anos e que leva ao aumento da idade do parque circulante e ao aumento de emissões poluentes.

O OE2021 é assim dissuasor do investimento dos fabricantes automóveis em tecnologias ambientalmente mais eficientes.

© Foto Revista Automotive

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