Lexus UX 250h. Sinfonia híbrida entre homem e máquina

by on 27 Abril, 2020 in Ensaios / Assessment, Frotas

Lexus UX 250h. Sinfonia híbrida entre homem e máquina

As motorizações híbridas estão a conquistar mais espaço nas frotas das empresas e o modelo Lexus UX 250h, aqui ensaiado na versão FSport, é um automóvel premium que consegue harmonizar as evoluções tecnológicas, com beleza, requinte e conforto, sem retirar aquele indissociável prazer pela condução.

Alexandre Anacleto, engenheiro eletrónico de formação e, atualmente, manager da empresa VSGI – International Solutions, é o convidado da Revista Automotive para realizar o assessment do Lexus UX 250h FSport. Com a sua visão empresarial e conhecimentos de som área da alta-fidelidade, manifesta a suas impressões neste primeiro contacto dinâmico com o crossover mais bem-sucedido da Lexus em Portugal.

“Quando entro num automóvel, gosto de me sentir envolvido pela máquina. É quase a mesma sensação que temos quando vestimos uma peça de roupa, feita à medida, por um bom costureiro. Há quem goste mais do estilo exterior de um carro, outras pessoas poderão dar mais importância a uma determinada marca ou ao seu posicionamento no mercado. No meu caso, tenho de sentir confiança naquilo que vou conduzir.

Tenho por hábito observar, por vezes demoradamente, o automóvel que vou conduzir. De alguma forma, deixo-me seduzir pelo seu estilo, imagem, cor e detalhes de construção. Este Lexus apresenta um exterior apelativo que aguça os nossos sentidos, quase como se estivesse a se comunicar connosco, através das suas linhas harmoniosas.

Posto de condução

Quando ocupámos uma posição de topo numa empresa, temos de procurar ser o mais transparente e responsável possível nas nossas atitudes. Mais importante do que desempenhar um determinado papel, é fundamental sermos um bom líder. Líder é aquele que vai à frente, que indica o caminho e que marca o ritmo da caminhada, mesmo quando rumamos para um futuro desconhecido.

Na condução de um automóvel, sobretudo do segmento premium, sinto que a relação homem/máquina também deva ser pautado na transparência e na responsabilidade de parte a parte. Ou seja, quando uma marca diz que o seu automóvel é premium e que apresenta níveis de construção e desempenho dinâmico mais elevados do que outros modelos do mesmo segmento, acreditamos que assim seja.

Assim, e não tendo sido previamente revelado pela Automotive o modelo que iria conduzir neste assessment, posso dizer que fiquei surpreendido, pela positiva, com o posto de condução do Lexus UX. O banco envolvente do condutor, com apoio lombar desta versão FSport, transmite desde logo a tal confiança que mencionei mais atrás. Não conseguimos tirar partido de uma boa condução, quando nos sentimos desconfortáveis atrás do volante.

Em marcha

Sendo um modelo com motorização híbrida, a suavidade nos primeiros quilómetros é muito agradável, apesar de notar um pequeno ruido de fundo, talvez decorrente das suas características desportivas. O facto de a bateria híbrida carregar automaticamente enquanto conduzimos, abrandamos ou travamos, acaba por transmitir alguma rigidez na condução. O ruído do rolamento quando estamos em modo combustão é percetível, o que poderá causar algum incómodo em viagens mais longas.

No entanto, a solução de combinar a potência do motor a gasolina com a propulsão elétrica, para além de tornar a condução mais ecológica e económica, também liberta mais potência, mesmo em baixas rotações. Em termos de habitáculo, tenho algumas reservas em automóveis com ecrã central plano, porque sinto que nos distancia dos comandos e exigem mais atenção visual, o que nem sempre é seguro quando estamos em movimento.

Neste modelo Lexus, isto não acontece. As informações do ecrã central, os comandos do volante, e o espaçamento entre os instrumentos, estão todos bem visíveis, não criando muito ruido visual quando estamos em movimento. Ainda no tocante ao interior, é notória a qualidade de construção em todo o ambiente, dos bancos, ao volante, das portas, ao teto. O espaço interior e as distâncias entre os bancos, não foram prejudicadas pelo facto deste UX ser um “pequeno SUV”.

Insonorização

Como acumulo uma grande experiência profissional na área do som (pelo facto de ter sido diretor de produto autorrádio RDS das marcas Blaupunkt e Grundig em Portugal – Nota da Redação, ndr.) desenvolvi uma maior sensibilidade e uma audição mais refinada no tocante ao som interior dos automóveis.

Curiosamente o meu primeiro emprego em Portugal foi na empresa Marantz, marca japonesa que fabrica equipamentos de som de alta-fidelidade. Ao longo dos anos, sobretudo quando estive à frente da rede de lojas Maestro, aprendi a tocar violino e, com alguns amigos também músicos, criámos uma pequena orquestra, ligada à escola Dom Pedro V, tendo já tocado um requiem na Basílica da Estrela e no Palácio de Queluz, entre outros.

A minha ligação com as marcas japoneses e, em especial, com a música e os sistemas de som é naturalmente forte. Neste capítulo, o Lexus UX apresenta uma agradável combinação de insonorização geral com acústica a bordo, pese embora para um modelo do segmento premium, a marca poderia ter dado algum refinamento no sistema de som. Numa condução mais rápida que realizei na autoestrada, por exemplo, nota-se que o som do carro não é tão vivo, havendo alguma sobreposição dos sons da música a bordo, com o ruido do rolamento. Um pormenor, no meu entender, a melhorar na acústica deste Lexus.

Condução

Gosto da performance do motor híbrido, que apresenta uma resposta rápida e precisa mesmo ao mais leve toque no acelerador. O modo de condução Sport impressiona, pois sentimos a força dos seus 230 cv de potência combinada. A relação do motor híbrido com a caixa de velocidade automática é boa, mas o facto de dispor de um motor elétrico, denota a existência de um som interior, quase que induzido.

A inclusão de patilhas no volante dá-nos a possibilidade de assumirmos o comando das mudanças e da potência, a qualquer momento e, ao mesmo tempo, transmite-nos uma sensação de liberdade como se estivéssemos a conduzir o Lexus num circuito de competição. Aliás, devo dizer, que tenho muito prazer na condução de modelos com este perfil desportivo, talvez pelo facto de ter conduzido durante muitos anos um kart com motor a 2 tempos, durante os anos de ouro do Troféu Diana, em Évora.

Mesmo sem conduzir um kart de competição há muito tempo, guardo com muito carinho e orgulho – na garagem de casa – o kart que utilizava nas corridas do Troféu Diana (um modelo DAP, ndr). É quase que um talismã que possuo, que me transmite boas energias e também me faz recordar os agradáveis fins-de-semana de competição muito participativa, que naquela altura envolvia muitos empresários, diretores de empresas e jovens pilotos, no kartódromo de Évora.

Conclusão

Voltando ao Lexus UX, gostaria de ressaltar que o chassis deste modelo é muito estável, sem ser demasiado rígido, dando segurança nas entradas nas curvas e nas manobras mais apertadas. Num automóvel premium, não gosto da cor branca, pois prefiro os tons mais escuros. Apesar de ser a primeira vez que conduzo este crossover, e tendo em conta que o tempo é precioso, as minhas impressões são positivas quanto ao comportamento geral deste modelo.

A perceção que já tinha da marca Lexus acabou por se confirmar neste modelo. Muita tecnologia, bons sistemas de assistência à condução, potência com estabilidade, segurança e prazer na condução, para além de conforto e ambiente interior condizente com o posicionamento premium do UX. Por vezes, a perceção que temos de que a marca Lexus tem automóveis demasiados caros, acaba por se revelar desajustado e prejudicial para as vendas.

Por tudo isso, considero muito oportuno este trabalho que a Revista Automotive realiza ao proporcionar um contacto dinâmico dos automóveis, porque permite desmitificar alguns preconceitos que temos de certas marcas e modelos.

Torna-se mais realista e genuínas as nossas opiniões, quando podemos conduzir um automóvel sem previamente sabermos o modelo ou a marca que iremos utilizar.

Estou globalmente satisfeito com o desempenho do Lexus UX. Gostaria de ter tido mais tempo para poder afinar o sistema de som deste carro e de descobrir mais detalhes da sua dinâmica em estrada. Mas isto é apenas um preciosismo de quem gosta de ouvir um automóvel premium a cantar de outra forma”, destacou Alexandre Anacleto.

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