Ofensiva híbrida da Renault designa-se E-TECH

by on 7 Outubro, 2020 in Frotas

Ofensiva híbrida da Renault designa-se E-TECH

São três os modelos que compõem a nova gama E-TECH híbrida e híbrida recarregável (Plug-in) da Renault: Clio E-TECH Hybrid, novo Captur E-TECH Plug-in Hybrid e o novo Mégane E-TECH Plug-in Hybrid. A apresentação internacional desta gama foi feita nas novas instalações da Renault Retail Group (RRG) em Loures, onde a Automotive testou os três modelos da marca.

Estes modelos utilizam um motor de nova geração a gasolina de 1.6 litros, que foi retrabalhado, especificamente, para o efeito. A este motor adicionam-se dois motores elétricos – um “e-motor” e um acionador de alta voltagem do tipo HSG (High-Voltage Starter Generator), para além de uma inovadora caixa de velocidades multimodo sem embraiagem.

Com o mercado de veículos eletrificados a representar cerca de 18% das vendas de carros novos em Portugal, os modelos E-TECH complementam a gama eletrificada da marca Renault, lado a lado com os modelos 100% elétricos, como o Novo ZOE, Novo Twingo Z.E. ou, ainda, o Kangoo Z.E.

Há mais de 10 anos que o Grupo Renault acumula experiência e conhecimento nos automóveis elétricos. Esse know-how é agora aplicado na criação de motores híbridos, mais dinâmicos e mais eficientes. Os engenheiros da Renault desenvolveram, assim, uma solução – com mais de 150 patentes – original e exclusiva, baseada numa arquitetura híbrida “serie-paralela”.

Tecnologias da Fórmula 1.

O desporto automóvel e o envolvimento da Renault na Fórmula 1 são a base dos motores híbridos E-TECH. As pontes entre o mundo da competição e os automóveis de série dividem-se em duas categorias: gestão de energia e sua regeneração, e o uso da caixa de velocidades multimodo de ‘carretos direitos’, usada, pela primeira vez, num automóvel de série.

A arquitetura do grupo motopropulsor do motor Renault E-TECH baseia-se, também, nos mesmos princípios aplicados nos monolugares da Fórmula 1: um motor de combustão combinado com dois motores elétricos e uma bateria central. Esta arquitetura está emparelhada com uma caixa de velocidades multimodo ‘de carretos direitos’.

Esta caixa de velocidades, sem embraiagem, permite um arranque 100% elétrico, e reduz significativamente a quebra entre passagens de caixa, o que melhora o conforto de condução e a performance em aceleração. Na Fórmula 1, as passagens de caixa mais suaves significam menores oscilações e, consequentemente, menores perdas de aderência. De salientar que os componentes desta nova caixa de velocidades são produzidos na fábrica da Renault Cacia, um projeto único em Portugal.

A tecnologia introduzida nos novos modelos Renault E-TECH, também permite recarregar a bateria em aceleração – tal como existe na função «overload» dos F1. Este sistema dinamiza a utilização do motor térmico no seu regime ideal, enquanto o suplemento de potência térmica, não utilizado recarrega a bateria.

Renault Clio

Há 7 anos que o Renault Clio é o carro mais vendido em Portugal, com o grande objetivo de ser o carro que disponibiliza mais tecnologia de forma acessível. Esta versão E-TECH de 140cv é mais uma prova disso, ou seja, o preço da gama E-TECH é igual à gama diesel de 115cv. Começa nos 23.200€, na versão Intens, e vai até aos 28.800€ na versão mais equipada denominada Initiale Paris.

O conjunto dos dispositivos híbridos no Clio representa um acréscimo do peso de apenas 10 kg, em comparação com a motorização dCi 115. O volume da bagageira não é afetado pelas baterias, o banco traseiro é rebatível e o local da roda suplente mantem-se inalterado. Segundo a Renault, o Clio E-TECH Hybrid consome 4,3 litros/100 km e emite 96 g de CO2/ km (valores WLTP).

Do teste que realizámos em Portugal, estes números confirmam-se. Os consumos de gasolina marcaram 4,4lt/100km e os de eletricidade ficou nos 4,6kWh/100km. Em modo totalmente elétrico, o novo Clio conseguir circular até aos 74 km/h, entrando depois em funcionamento o motor a gasolina. Com caixa de velocidade automática, é possível escolhermos o modo B, que aumenta a capacidade regenerativa das baterias durante a desaceleração.

A comercialização deste novo Clio E-TECH já se iniciou, sendo que os particulares podem ainda beneficiar do plano de Eco-Abate da Renault, no valor de 1.750 euros.

Renault Mégane Sports Tourer PHEV

O Renault Megane E-TECH Plug-in inaugura a nova geração do Mégane que traz mudanças no seu exterior, mas é nos interiores onde notamos uma grande diferença, principalmente no desenho mais tecnológico do seu tablier. Os mais recentes sistemas ADAS da Renault estão agora integrados no novo Mégane. Esta versão Sports Tourer já está em comercialização, sendo que a versão berlina estará disponível em 2021.

Com uma potência de 160cv e uma bateria 9.8 kWh, o novo Mégane E-TECH Plug-in Hybrid regista emissões de apenas 28 gramas de CO2/km (valores WLTP). Nos cerca de 70 quilómetros que fizemos ao volante do Mégane E-TECH (percurso misto), este gastou apenas 1,7lt/100km de gasolina e 19,2kWh/100km de eletricidade.

Os dois motores elétricos proporcionam uma sensação de condução igual a um carro 100% elétrico, pois quase nos esquecemos que estamos num modelo híbrido. Por exemplo, o carro arranca sempre em modo 100% elétrico e conseguimos chegar até à autoestrada nesse modo, atingindo os 120km/h. O silêncio a bordo e a suavidade da condução são uma referência para este segmento.

Este Mégane Sports Tourer pode ser carregado com uma tomada até 22kWh, com um tempo de carregamento de apenas 3h. Como as baterias carregam sempre a 3.6kWh, não é necessário investir-se em grandes infraestruturas de postos de carregamento, tendo este plug-in uma grande flexibilidade no que toca ao carregamento. Se for uma tomada convencional, levará no máximo 5h para o carregamento total.

O novo Mégane dispõe de uma função especial, denominada” E- Save”. Este sistema limita a utilização do motor elétrico e utiliza, preferencialmente, a potência do motor de combustão, assegurando a manutenção de uma reserva de carga na bateria (pelo menos 40%). Deste modo, fica salvaguardada a utilização de uma grande percentagem de energia para a condução em modo 100% elétrico, quando o condutor desejar, por exemplo, conduzir no centro das cidades.

Acessível às frotas

Em termos de preços, o Mégane E-TECH começa nos 36.350 €, na versão de equipamento Intens. Quando comparado com a mesma versão a diesel que começa nos 31.600€ parece, à partida mais caro. Mas para as empresas há que ter em conta os incentivos fiscais, visto que se trata de um híbrido plug-in (PHEV).

Assim, entre a Tributação Autónoma ser 10% (no diesel seria de 27,5%), na dedução de 100% do IVA da viatura (neste caso rondam os 7.000€) e a dedução do IVA da eletricidade a 100% (no diesel seria apenas a 50%), e a dedução fiscal nas amortizações até 50.000€ (no diesel seria até 25.000€), as contas equilibram-se e este Plug-In fica mais barato que a mesma versão a diesel.

Somam-se a estes cálculos, a diferença nos custos do combustível, onde a Renault estimou que por cada 20.000 km percorridos com este Mégane E-TECH Sports Tourer, poupam-se cerca de 650€ face à mesma versão com motorização diesel, e cerca de 1.500€ face à gasolina. Isto a manterem-se os preços, tanto dos combustíveis como da eletricidade, dentro de valores de junho de 2020.

Se estes números não ainda forem totalmente esclarecedores, recordamos que na gama E-TECH da Renault não existe custo do aluguer das baterias, pois estas estão incluídas no preço do carro. Quanto às eventuais reparações das mesmas, a apresentação da gama E-TECH não foi feita na RRG Loures por acaso – este é o primeiro centro, em Portugal, de reparação de baterias de automóveis elétricos, com a responsabilidade de dar assistência a todos os clientes e Rede de Concessionários Renault, no nosso país.

Para os particulares, no caso deste Mégane Sports Tourer também existe o plano de Eco-Abate da Renault no valor de 2.750€.

Renault Captur PHEV

Por sua vez, o Renault Captur E-TECH é o primeiro SUV híbrido plug-in do segmento B verdadeiramente acessível. Com uma potência de 160cv, e uma bateria 9.8 kWh, a autonomia em modo 100% elétrico pode chegar aos 65km em cidade e até aos 50km em circuito combinado (WLTP).

Os valores começam nos 33.590€, para o nível de equipamento Exclusive, onde a mesma versão a diesel situa-se nos 28.900€. Este Captur E-TECH segue a mesma lógica do seu tecnologicamente semelhante Mégane E-TECH, ou seja, com os incentivos fiscais o valor deste Plug-in fica muito similar à mesma versão com motorização diesel.

Aplicam-se também os mesmos princípios do Mégane E-TECH no que toca à diferença nos custos do combustível, onde poupam-se cerca de 625€ face à mesma versão com motorização diesel, e cerca de 1.350€ face à gasolina (cálculos para 20.000 km).

Para os particulares, no caso deste Captur o plano de Eco-Abate da Renault situa-se nos 2.500€. Tal como os seus “colegas” de gama E-TECH, a introdução da tecnologia híbrida neste Captur não reduziu a volumetria de bagageira, nem a habitabilidade, sendo possível continuar a deslizar em 16cm os bancos traseiros.

A comercialização já está a ser feita, sendo que o Captur nesta versão Plug-in deverá manter a boa senda do modelo Captur que, em 2019, foi o terceiro modelo mais vendido em Portugal, apenas tendo ficado “atrás” do Renault Clio (nº1) e do Mercedes-Benz Classe A (nº2)

Conclusões

Os modelos da Renault habituaram-nos a serem carros de fácil aceitação, e os números de vendas também corroboram essa nossa sensação. A entrada da marca no “mundo híbrido” permite-nos fazer mais contas sobre os incentivos fiscais (entre outros aspetos), e leva-nos a um racional que estávamos mais habituados a ter “apenas” nos carros japoneses, até aqui líderes no segmento dos híbridos.

Curiosamente a Renault entra neste mercado mais “racional” com um trunfo na manga: depois de testarmos esta gama E-TECH é difícil escrevermos que são “híbridos”. No caso do Captur e do Mégane, por exemplo, isso é ainda mais evidente, pois a condução é muito mais próxima de um automóvel 100% elétrico, do que um “híbrido”. Nestes modelos, a função de marcha atrás e o arranque, são sempre realizados em modo 100% elétrico.

A capacidade de encaixar muita tecnologia em pouco espaço faz parte da génese da Renault em muitos aspetos. Nós chamaríamos a esta gama de “híbridos plug-in que não se parecem em nada com híbridos, mas sim com automóveis 100% elétricos, mas sem realmente o serem”. A Renault, por sua vez, resumiu esta perceção numa única palavra: E-TECH.

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