Ovnitur – reparação de pesados multimarca atenuou pandemia

by on 20 Maio, 2021 in Pesados

Ovnitur – reparação de pesados multimarca atenuou pandemia

A Ovnitur  ao longo dos seus mais de 34 anos de presença no mercado, tem vindo a investir em diferentes áreas de negócio que agora mostraram-se cruciais.

Francisco Oliveira, administrador da Ovnitur e da UTS, contextualiza-nos a empresa e conta-nos como têm ultrapassado os desafios dos últimos tempos:

“A Ovnitur é a empresa-mãe que tem a vertente de transportes de passageiros como o principal core business. Temos também agências de viagens e alvará de rent-a-car. Posteriormente criamos a empresa UTS-União de Transportes e Serviços, para fazer face ao que era solicitado por alguns municípios em termos de transporte urbano e interurbano. Investimos em novas instalações em Viana do Castelo que nos permitiram ampliar os serviços, e criamos a RCO-Reboques, Combustíveis e Oficina, que, tal como o nome indica trabalha essas três áreas.

O ano passado tivemos uma quebra de faturação na Ovnitur que ronda os 80%, e só não tivemos esse mesmo valor na UTS, porque esta nossa empresa trabalha no transporte de passageiros de fábricas e nos circuitos escolares, registando uma quebra de apenas 30%. Por outro lado, na RCO tivemos um aumento do volume de faturação, onde contratamos mais funcionários, nomeadamente para mecânica, chapa e pintura.

Reparação de pesados multimarca

Na RCO temos vindo a aumentar as valências, por exemplo, com parcerias no segmento da climatização (ar condicionado) da marca Hispacold e da Carrier Sutrak – Eberspächer. Nos autocarros, temos a representação para o pós-venda da marca Sunsundegui – um carroçador espanhol de prestígio – para norte de Portugal e Galiza.

Temos contratos com municípios e com várias empresas com frota multimarca, quer de pesados de mercadorias, quer de pesado de passageiros. Felizmente o espaço oficinal da RCO já está a tornar-se limitado face às solicitações que temos tido, resultado do bom trabalho que temos vindo a fazer, quer em instalações; quer em formação dos nossos profissionais.

Aumentamos as instalações oficinais, mas fundamentalmente temos vindo a trabalhar para o exterior. Prestamos apoio de pós-venda por exemplo, aos miniautocarros das juntas de freguesia, que quando avariam são um grande problema para essas entidades.

Quando isso acontece, o que a RCO faz é rebocar o miniautocarro, e enquanto faz a reparação da viatura, aluga um miniautocarro da Ovnitur/UTS a essa junta de freguesia. No fim existe uma única fatura de reboque, reparação e aluguer, que além de burocraticamente ser muito mais simples, é muito benéfico para os passageiros, porque não ficam sem o transporte devido à avaria. Com esta abordagem completa, resolvemos o problema dos clientes.

Investimento em formação

Estive 20 anos na Alemanha – na região da Baviera – e aprendi muitos princípios empresariais que tenho vindo a aplicar. Um deles é que o investimento em profissionais competentes dá os seus frutos. É uma das áreas prioritárias da empresa, que investimos desde o início, até porque Portugal tinha uma formação pouco profissional neste setor. Hoje em dia é diferente, trabalhamos com várias empresas nacionais no âmbito da formação.

Temos a oficina da RCO bem preparada, inclusive com máquinas de diagnóstico que estão ligadas diretamente às marcas de camiões e autocarros. O nosso software permite uma ligação direta às marcas, para que todas as intervenções mantenham a garantia das marcas com que trabalhamos. Para isto é necessário formação dos profissionais de oficina para trabalhar com veículos cada vez mais avançados tecnologicamente.

Atividade principal mantém-se

Apesar desta nossa valência no pós-venda, o negócio central da Ovnitur e da UTS mantém-se no transporte de passageiros. Eu e a minha esposa Águeda Oliveira quando começámos com a Ovnitur tínhamos apenas dois autocarros; atualmente temos cerca de 110. O crescimento do turismo também assim o proporcionou, porém nunca nos baseamos numa única área de negócio. Temos vindo sempre a crescer de forma sustentada e responsável.

Por exemplo, no inverno o turismo interno é muito parado em Portugal, em comparação com a Alemanha. Por isso, desde o início que encontramos outras soluções para compensar a sazonalidade, como foram o transporte expresso e as concessões/carreiras urbanas.

A nível nacional temos vindo a diversificar os negócios, e o agora ao abrigo do novo regulamento para novas concessões, temos participado em vários concursos, onde ganhamos recentemente o concurso para realizar os transportes em Amarante.

Quando ganhamos um concurso, tanto os autocarros como os funcionários são nossos. Por isso o risco do investimento está do nosso lado, principalmente, porque temos de cumprir com cadernos de encargos, que variam de concurso para concurso. Por exemplo, no caso de Amarante fomos obrigados pelo caderno de encargos a criar uma nova empresa para assumir o contrato, para que a Câmara Municipal possa ter acesso a toda a gestão da empresa, até ao sistema de bilhética.

Investimento em autocarros e nos recursos humanos

Em termos de autocarros, temos vindo a continuamente renovar a frota, e a investir em diversos carroçadores, como é o caso da SETRA, Sunsundegui, Irizar e Irmãos Mota. Quanto aos chassis/motores, temos optado pelas marcas MAN e Mercedes-Benz, esta última, fruto de uma boa relação profissional com o concessionário Mercedes-Benz de Viana do Castelo. Nos miniautocarros, a preferência tem sido pela Iveco.

Somos cerca de 170 funcionários, mais alguns sazonais em regiões como Algarve, entre outras. Os nossos colaboradores são o cartão-de-visita da empresa, e a apresentação dos motoristas e seu comportamento é o que fazem ser o que somos. Por mais telemática e eletrónica que os autocarros tragam, é o motorista que faz a diferença, como ele interage com os passageiros e como conduz o autocarro. Antes da pandemia já existia escassez de motoristas de passageiros competentes, com a pandemia muitos optaram pelos pesados de mercadorias e poderão não voltar ao setor dos passageiros.

Enquanto Ovnitur e UTS temos encontrado alternativas, mas a médio-longo prazo será preciso que mais pessoas enveredem pela profissão de motorista. Neste ponto é de louvar a atitude da Revista Automotive, onde o seu diretor tem dinamizado testes de autocarros para que se visualize o quanto esta profissão é nobre e impõe uma grande responsabilidade. Por isso mesmo convidei-o a conduzir o nosso autocarro topo de gama, com o melhor do que existe no segmento – o SETRA ComfortClass S519 HD de 15metros (o vídeo deste teste já está no YouTube, NDR).

Por fim, dizer que estamos num setor que foi bastante afetado, mas que irá certamente e passo a passo encontrar as suas formas de ultrapassar os obstáculos” conclui Francisco Oliveira.

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