Transdev - melhoria contínua da mobilidade dos portugueses
O volume de negócios da Transdev em Portugal alcançou a soma dos 105 milhões de euros em 2015. A empresa tem crescido de forma orgânica e também através de aquisições de operadores regionais.
A Revista Automotive entrevistou Ricardo Afonso, administrador comercial da Transdev Portugal, que nas linhas que se seguem, apresenta um resumo das atividades da empresa, ao fim de quase 20 anos de serviços na área de transportes rodoviário de passageiros no território continental.
“A Transdev é uma empresa multinacional de capitais públicos franceses com operações em vários países da China à India, do Chile à Austrália, estando presente de forma direta ou através de parcerias locais, tendo uma forte presença por toda a Europa.
Centraliza as suas atividades em França, onde tem uma grande quota de mercado no transporte de passageiros, com significativos volumes de negócios na Alemanha, Suécia, Holanda, entre outros, e também em Portugal, onde a Transdev iniciou as suas operações em 1997, altura em que venceu o concurso para a criação, operação e manutenção da rede de Metro do Porto, através do consórcio Normetro.
Atuamos em vários modais de transportes de passageiros, desde o uso do autocarro até os comboios e os ferryboats, como por exemplo acontece nas nossas operações na Austrália. A nossa presença faz-se desde a fase do planeamento até a operacionalização do transporte de passageiros em si. Neste momento, estamos a concurso no Qatar para realização de transporte de passageiros, a preparar as infraestruturas para o mundial de 2022.
Em Portugal, estamos presentes principalmente nas zonas centro e norte, por força da aquisição do Grupo Joalto, em 2010, operação que veio reforçar a posição da Transdev como operador de referência no transporte rodoviário de passageiros, desde o Alto Minho até à Beira Litoral, e por todo o interior do território nacional. A isto também se deve as várias aquisições que fizemos de empresas, que atuavam nestas regiões e que hoje pertencem ao universo da Transdev. Estrutura operacional
Neste momento contamos com uma força de trabalho com cerca de 1.800 funcionários nos nossos quadros, dos quais muitos são motoristas de ambos os sexos, e uma frota com aproximadamente 1.500 viaturas. Dispomos de 7 oficinas próprias localizadas em várias regiões do país, onde realizamos as manutenções preventivas e corretivas dos nossos autocarros. Para o atendimento ao público, contamos com instalações nas principais sedes de concelhos do centro e norte de Portugal.
Continuamos a manter um processo de expansão das nossas atividades em Portugal, como é o exemplo, a incorporação das instalações da gare da central de camionagem de Coimbra, onde melhoramos muito os serviços prestados aos passageiros, disponibilizando entre outras comodidades, a informação por ecrãs e acesso gratuito à rede Wi-Fi. O mesmo se passou na gare do Porto, que passou por diversas melhorias internas promovendo melhores condições aos passageiros.
Em Aveiro, participamos do concurso público para exploração dos transportes públicos e também das travessias entre São Jacinto e Aveiro, onde atuaremos com autocarros no primeiro caso e com ferryboat no segundo, onde esperamos estar a operar em pleno a partir do próximo mês de setembro, remodelando e reativando a gare central de Aveiro. Também em Viseu, o processo foi idêntico, exceto obviamente no serviço de ferryboat.
Quando entramos nos concelhos, e sempre que o concurso preveja esta situação, procuramos modernizar e readaptar as gares de transportes de passageiros, dotando-as de melhores serviços, melhor funcionamento, sempre com o objetivo de transmitir um melhor ambiente para os usuários e nossos clientes. Por vezes, como é o caso de Aveiro, o contrato estabelece que haja uma renovação da frota e aquisição de novas viaturas, o que nos obriga a um avultado investimento.
Responsabilidade Social
A Transdev, para além do seu core que é o transporte de passageiros, também tem uma preocupação com a questão da responsabilidade social. E isto decorre do momento em que percebemos que o transporte de carreiras já não era atrativo para a população de regiões mais afastadas dos grandes centros. Assim, em 2010, lançamos um projeto piloto em Sever do Vouga, uma zona rural, com algum isolamento geográfico.
Basicamente o que procuramos fazer foi oferecer um serviço mais barato à população local, promovendo uma mobilidade mais sustentável, através de um miniautocarro de 15 lugares. Assim, os munícipes sem meios próprios de mobilidade passaram a ter acesso a este serviço, em quatro itinerários distintos, que se traduziram na Linha Norte, Linha Nordeste, Linha Este e Linha Sul, abrangendo as nove freguesias do Concelho.
A partir daí, começamos a lançar desafios às autarquias mais pequenas, tentando criar condições para que os munícipes possam ter uma mobilidade mais acessível e sustentável. Aprendemos muito nestes últimos 6 anos, e por isso temos vindo a implementar novos projetos como é o caso do concelho de Lamego, onde os utentes que habitualmente viajavam nas carreiras das freguesias rurais, passaram a utilizar o nosso autocarro “Verdinho”, quando se dirigirem ao Hospital de Proximidade de Lamego, sem que para isso gastem mais um cêntimo.
São projetos que permitem a acessibilidade às populações mais carenciadas em vários concelhos do país, o que nos faz pioneiros em termos ações sociais dentre as empresas de transporte rodoviário de passageiros. Neste momento está a decorrer duas iniciativas que visam dinamizar a utilização de autocarros através da campanha “Happy Summer 2016”, uma iniciativa dirigida aos jovens com idades iguais ou inferiores a 21 anos.
Esta iniciativa permite que os mais jovens possam adquirir um passe que lhes dá acesso ilimitado a toda a rede de carreiras de serviço público da Transdev, a nível nacional, por apenas 15 ou 25 euros por mês, caso desejem percursos de praia. Também no mesmo sentido, temos a decorrer o nosso Roadshow Transações 2016, que ao longo de três semanas vai passar por 10 cidades portuguesas, com o objetivo de comunicar junto das populações locais as nossas três ações distintas: Via Emprego, Happy Summer e o Megaconcurso Transdev. Entre as iniciativas, naturalmente se destaca a oferta de 75% de desconto a todos aqueles que estiverem numa situação de desemprego.
Por fim, no IPO do Porto, todos os anos apoiamos as iniciativas de transportes dos utentes, como também ao IPO de Coimbra. São ações sociais onde procuramos dar respostas às solicitações de populações mais carenciadas.
Estas ações, com o decorrer do tempo, também procuram promover o desenvolvimento regional, atendendo populações carenciadas, envelhecida e isolada, sem acesso a uma mobilidade sustentável, que com estas iniciativas, com itinerários bastantes flexíveis, promove a inclusão social de muitas freguesias em diversos concelhos aonde estamos presentes com as nossas rotas. Como operadores de transportes, temos que saber manter vivos estes serviços, muitas vezes reinventando os nossos produtos, a preços muito mais acessíveis.
Frota e Custos
Fruto da diversidade das nossas rotas, a Transdev dispõe de uma frota com uma tipologia de viaturas muito variada, desde aquelas que estão a serviço nas carreiras urbanas, até as que estão a serviço nas carreiras expressas e de turismo, o que quer dizer que temos autocarros com capacidade de 15 até os 70 passageiros.
As marcas que utilizamos decorrem de parcerias internacionais, como é o caso da Mercedes-Benz que atualmente nos presta serviço, no fornecimento de chassis e carrocerias, e nos serviços regulares de carreiras expressas. Também temos muitos modelos em uso de outras marcas como a Scania, Volvo, Renault, MAN e Iveco, estas duas últimas sobretudo no fornecimento de autocarros mais curtos para carreiras interurbanas.
A manutenção da nossa frota é toda ela assegurada pelas nossas oficinas, onde realizamos inspeções regulares dos nossos autocarros, visando a garantia da qualidade dos serviços e a máxima segurança dos nossos passageiros. Naturalmente que realizamos manutenção preventiva e corretiva em larga escalada, também com o objetivo de manter a frota sempre em boas condições para os nossos motoristas e no fim de tudo, procuramos com uma gestão cuidadosa, reduzir custos de consumos de peças, pneus, combustível, eliminando ao máximo o risco das avarias.
Por força da nossa dimensão, somos consumidores em grande escala de peças de reposição, e neste item temos trabalhado mais com a Civiparts. Já foram fornecedores exclusivos, mas agora mantemos a abertura ao mercado, e também estamos a trabalhar com a Europart.
No tocante aos pneus somos fornecidos pela firma Bandague (desde o pneu novo até ao pneu recauchutado), ficando o fornecimento de lubrificantes, fluidos e de gasóleos, à responsabilidade da marca Galp. No tocante aos custos, o peso do combustível ainda pesa cerca de 40% dos custos totais da nossa atividade, com um consumo médio de 33 litros aos 100km. Para se ter uma ideia de grandeza, investimos anualmente cerca de 8 milhões de euros na manutenção da nossa frota”.
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