Volkswagen Caddy – fluidez na condução e performance superior

by on 6 Abril, 2021 in Ensaios / Assessment, Frotas

Volkswagen Caddy – fluidez na condução e performance superior

Para a realização do assessment do novo Volkswagen Caddy, convidámos João Gaspar, responsável pelo Departamento Técnico da empresa Gestlub, que nos apresenta as atividades da sua empresa em Portual e descreve a sua primeira experiência de condução do Furgão do Ano 2021:

“A Gestlub é uma empresa especialista no sector dos lubrificantes, que opera como Distribuidor Oficial Castrol há mais de 20 anos, com presença em praticamente todos os segmentos de mercado onde os lubrificantes assumem papel preponderante: oficinas automóveis, na agricultura, nos transportes, na indústria, entre outros. A Gestlub é também Embaixadora Oficial das marcas de lubrificantes BP, Castrol e Castrol Classic Oils.

Feita a contextualização da empresa, vamos ao Volkswagen Caddy. O furgão Caddy é um modelo conhecido pelo seu posicionamento mais premium. Em termos de preço, se é verdade que o Caddy historicamente tem estado sempre acima da média, também é verdade que mantém muito do seu valor na revenda. Os furgões de outras marcas perdem bastante valor ao longo do tempo, enquanto o Caddy mantém.

Além disso, existe a questão da quilometragem. Um Caddy com 200.000km está praticamente a meio da sua vida útil, podendo chegar facilmente aos 400.000km. Quando comparamos com outros furgões, tipicamente nem a essa quilometragem chegam. A base disto é a robustez do seu motor 2 litros, uma motorização ímpar no seu segmento.

Primeiro os factos

Sou um apaixonado por automóveis e gosto de carros com muitos cavalos, mas neste segmento de transporte não são os cavalos que propriamente mais contam e sim o binário. Quanto mais peso se transporta, mais o binário se torna importante. Por exemplo, este Caddy que estamos a testar tem 122cv de potência e 320NM de binário. Se verificarmos um outro furgão do mesmo segmento também com 120cv, apresenta apenas 270NM de binário. A diferença é grande, e é preciso estar atento a estes detalhes.

No setor automóvel precisamos de informação credível e factual, principalmente no segmento profissional. É por isso que a Gestlub investe na constante formação dos seus clientes, quer seja de ações em grupo ou cliente a cliente, para que haja uma clarificação de factos e uma melhoria permanente do profissionalismo neste setor. Neste âmbito, temos tido resultados muito bons, onde os clientes continuam a solicitar-nos ações de formação.

Capacidade de carga

Apesar da minha formação em engenharia, e do trabalho extremamente técnico nos lubrificantes, também aprecio as sensações de conduzir. A tipologia de viatura que mais conduzo é a dos ligeiros de passageiros e não tanto ligeiro de mercadorias. Em todo o caso, só depois de ter testado o VW Caddy é que me apercebi porque fui indicado para conduzi -lo: porque a sua condução assemelha-se a de um ligeiro de passageiros, em todos os sentidos.

Mas antes de passar à condução e porque o Caddy é um veículo de carga, testámos diferentes capacidades de carga. Ressalto que a Gestlub tem frota própria – cerca de uma dezena de furgões – com a qual gerimos a logística de entregas de lubrificantes, aos nossos clientes. Além disso, a nossa equipa comercial também se desloca regularmente com os nossos furgões.

Quanto à volumetria do Caddy, comprovámos a sua capacidade para transportar todos os tipos produtos e embalagens que comercializamos, quer sejam em tambores, quer seja com embalagens paletizadas.

Considero muito importante para uma empresa com a nossa tipologia, poder dispor de um furgão como o VW Caddy que consegue transportar duas Europaletes. Em termos de peso, os 720 kg de carga útil deste furgão são satisfatórios, mas talvez a versão Maxi (prevista para abril, ndr.) possa ser a mais indicada para as nossas operações, devido a sua maior capacidade de carga.

Os lubrificantes são produtos pesados e volumosos, e no teste que realizámos nas nossas instalações no Carregado, o novo furgão Caddy está bem posicionado. Interessante que assim que empilhador pousou uma palete (com cerca de 500kg), a suspensão traseira não baixou tanto quanto esperávamos. As cavas das rodas parecem ser maiores do que em outros furgões, dando assim mais “margem” para a colocação de cargas volumosas e pesadas.

Detalhes que contam

Este modelo já traz as portas chapadas e a proteção do compartimento de carga. Diria que é um revestimento mais do que suficiente, para a maior parte das frotas. No nosso caso, adicionaríamos apenas o contraplacado marítimo no chão do furgão, para uma proteção adicional, visto que os nossos tambores (em chapa de aço), desgastam mais o chão da caixa de carga com a constante fricção.

A abertura das portas faz-se de forma muito suave, e manobrar o Caddy no nosso armazém foi fácil graças aos sensores de estacionamento (à frente e atrás), bem como a posição da câmara traseira, muito útil nas manobras de marcha atrás.

Aliás, esta câmara funciona ainda melhor em situações onde passamos por grandes contrastes de luz, como é o caso deste teste, pois tivemos um dia bastante luminoso do lado de fora, em contraponto com um ambiente de luz mais suave, no interior do nosso armazém.

Podia ser mais detalhado na avaliação do teste que realizámos ao novo Caddy, mas não será necessário alongar-me muito, pois nas situações mais significativas para uma empresa, como é o caso da manobrabilidade, capacidade de carga, volumetria e equipamentos, ficamos muito satisfeitos com a qualidade e evolução tecnológica deste furgão.

Estética e comportamento

Com base na minha experiência no mundo automóvel, o visual tem uma grande importância nos automóveis em geral. O visual, talvez seja ainda mais relevante numa viatura destinada ao trabalho, como é caso dos furgões, onde os condutores têm de conduzir muitos quilómetros por dia, durante várias horas, em percursos diferentes e manobrar em ambientes nem sempre iguais. Por isso, se uma viatura comercial ligeira apresentar um visual menos conseguido em termos de estética, naturalmente que passado algum tempo já não conseguimos olhar para esta viatura com o mesmo frescor do primeiro contacto visual.

Assim, considero que VW Caddy também no âmbito da estética foi muito bem desenvolvido. É um furgão globalmente elegante e, com os para-choques na cor da carroçaria em conjugação com as suas jantes em liga leve, tornam o seu visual atrativo e convidativo para efetuarmos muito quilómetros. Na frente herda algumas linhas do Golf, e a traseira é muito própria com estes grupos óticos que evidencia grande atenção ao detalhe. Dito isto, só falta mesmo conduzi-lo.

Em andamento, noto logo dois aspetos. O primeiro é a insonorização. Se conduzir com baixas rotações – e o motor tem binário para isso – o ruido a bordo é surpreendentemente baixo. O segundo aspeto é o comportamento muito afinado do chassis em curva. Sei que este Caddy assenta na plataforma MQB utilizada no Golf 8, mas diria que o Caddy não é uma simples adaptação da plataforma para um furgão.

Todo o comportamento em curva demonstra que este furgão tem uma sintonia entre o rolar da traseira com a frente. Isto é, quando levamos a condução mais ao limite, o carro reage como um todo, de forma bastante harmoniosa. Diferente de outros modelos, onde a curvar, a frente não “se comunica” com a traseira – situação que não acontece com este Caddy.

Apesar de não estar a conduzir com carga, noto que o binário deste motor 2.0 tem força mais do que suficiente para toda e qualquer tipologia de carga. Fiquei bem impressionado com a utilização dos pneus GiTi, uma marca de pneus que não conhecia.

Em todo o caso, se foi o pneu escolhido pela Volkswagen para equipar de origem os seus modelos, é porque garantidamente tem qualidade acima da média. Conheço a forma de trabalhar do Grupo Volkswagen na escolha dos seus fornecedores, e posso dizer que é das marcas com os processos mais exigentes para a seleção de fornecedores, daí o que lubrificante recomendado pelo Grupo Volkswagen para as suas marcas ser o lubrificante da marca Castrol.

As sensações

Um outro ponto muito positivo do Caddy é a sensação de condução. Um dos aspetos que menos apreciava dos anteriores modelos da Volkswagen em geral, é que “filtravam” muito as sensações de condução. No meu caso, gosto de sentir a estrada, o piso, o andamento. Neste modelo, sinto que além de ser confortável, não tem uma condução “artificial” ou “filtrada”. É um furgão muito fluido e que transmite bem as sensações da estrada.

A posição de condução é muito boa. Sei que na geração anterior do Caddy alguns motoristas queixavam-se que a posição de condução estava um pouco desalinhada, o que criava desconforto, coisa que já não acontece nesta nova geração. Também contribui para o conforto do condutor, o novo desenho do tablier que conta com um bem posicionado ecrã central touchscreen e uma conjugação de botões mais minimalista.

O volante multifunções é prático, funcional e igualmente ergonómico, sendo muito seguro e agradável ao toque.

No âmbito das tecnologias, este Caddy dispõe de muitas. Desde logo o painel de instrumentos totalmente digital e configurável, apresenta informações que normalmente não estão disponíveis em outros em furgões, mas que são essenciais de monitorizar numa viatura de carga, como que é o caso da temperatura do motor e do óleo.

Os assistentes à condução como o lane assist, o cruise control adaptativo ou o assistente de ângulo morto, conferem à condução diária desta viatura uma segurança adicional. Todos os sistemas funcionam de forma bastante intuitiva e agradou-me, principalmente, o grau de intervenção do lane assist, que reposiciona o Caddy para o meio da faixa de rodagem, mesmo em curvas mais apertadas. Este manancial tecnológico já é uma preparação para os próximos níveis de condução autónoma.

Para concluir, quero salientar que fiquei muito agradado com todas as funções deste novo VW Caddy, onde a Volkswagen apresenta um grande salto qualitativo. Em todos os aspetos, desde o mais factual ao emocional, é um automóvel muito fluido e que agrada sendo, sem dúvidas, merecedor do título que já ostenta de Furgão do Ano 2021”, ressaltou João Gaspar.

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