Novo Volkswagen Arteon – melhor componente frotista

by on 4 Fevereiro, 2021 in Ensaios / Assessment

Novo Volkswagen Arteon – melhor componente frotista

Para o assessment do novo Volkswagen Arteon, convidámos o empresário José Couto, Presidente da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel. José Couto fala-nos das suas impressões ao volante da limousine topo de gama da Volkswagen e conta-nos dos desafios que os fabricantes de componentes automóveis em Portugal têm superado, num ano de pandemia.

“Quando experimento um automóvel, como é o caso deste novo VW Arteon, sinto uma verdadeira conjugação de milhares de componentes, de produtores, de trabalhadores, de desenvolvimento e investigação, entre outros aspetos. Para falar do Arteon enquanto automóvel no seu todo, tenho de fazer um exercício de abstração e distanciamento de tudo aquilo que o compõe e que lhe dá este caráter diferenciador.

Basta olhar para os faróis, ou para o painel de instrumentos totalmente digital deste Arteon, que me lembro logo o nome dos fabricantes nacionais que produzem essa tipologia de componente. Mas se me abstrair, diria que aprecio o visual exterior do Arteon. Tem um caráter diferente do seu “irmão” Passat, com linhas mais desportivas, mas mantendo uma certa sobriedade, característica da gama Volkswagen. É um modelo executivo com bom gosto, mas sem ser visualmente ostensivo.

A carroçaria limousine é a minha opção neste segmento. Em termos de espaço interior o Arteon é bastante generoso, incorpora excelentes acabamentos e arrumos, e a bagageira dispõe de uma volumetria mais do que suficiente para satisfazer as minhas exigências profissionais e satisfazer o transporte dos meus equipamentos pessoais.

Indústria de componentes para automóveis

Na indústria de componentes, contamos com empresas portuguesas que contribuem para a montagem e desenvolvimento deste Arteon, que abastecem as linhas de produção da Volkswagen pela Europa, pese embora este modelo não ser fabricado no nosso país. Aliás, como é sabido, a Volkswagen tem uma importância fundamental em Portugal através da Autoeuropa.

Enquanto AFIA, muito gostaríamos que a Autoeuropa incorporasse mais componentes portugueses na sua produção. Existe muito espaço para melhorar nesse âmbito, visto que ainda não chega a 5% os componentes para automóveis produzidos pelos fabricantes nacionais, e utilizados na fábrica de Palmela. Entre 95 e 98% dos componentes automóveis produzidos em Portugal são exportados, por isso existe margem para se incorporarem mais desses produtos nas fábricas, quer na Autoeuropa quer na PSA Mangualde.

A estimativa da AFIA é que 80% dos automóveis produzidos no mundo têm um componente produzido em Portugal, ou por uma empresa 100% nacional. A nossa indústria tem sido capaz de ser competitiva internacionalmente, ao ponto de cada vez mais os nossos componentes serem considerados, no desenvolvimento de novos modelos automóveis, em vários países.

Resiliência empresarial

Ao longo dos anos, Europa tem crescido abaixo dos 3% na sua produção automóvel, e os nossos associados têm crescido entre 7 e 8%, pelo que a nossa indústria tem vindo a conquistar quota de mercado internacional.

As empresas (e empresários) do nosso setor mostraram todo o seu valor na pandemia, ao manterem os postos de trabalho. Isso só foi possível, por um lado pelos apoios do governo e da União Europeia, mas por outro lado através de uma robustez financeira das empresas deste setor e de uma coragem exemplar dos seus empresários.

No cômputo geral, a produção dos nossos associados reduziu cerca de 15% em 2020, demonstrando grande capacidade de adaptação, porque nos meses de julho, agosto e setembro, a produção esteve bastante acima da atividade normal, devido a um aumento repentino na demanda por componentes automóveis.

A segunda vaga da pandemia não nos permite ainda ter uma avaliação do impacto na produção. O que sabemos é que os recursos que antes eram utilizados para investimentos em novas tecnologias e processos, foram canalizados para suportarem a atividade normal das empresas e dos postos de trabalho.

Investimento em desenvolvimento

Estamos numa fase crucial para a indústria portuguesa, para mantermos o desempenho que temos demonstrado até agora. A pandemia veio acelerar hábitos de consumo e as referências que os consumidores têm de um veículo automóvel. Os paradigmas ambientais passam por diversos níveis, quer por componentes automóveis mais sustentáveis, quer por um transporte e produção desses componentes também mais sustentáveis.

É premente repensar por completo a nossa forma de produzir. Temos sensibilizado o governo que são necessários mais investimentos neste setor, principalmente na investigação e desenvolvimento, para que a nossa indústria não fique obsoleta rapidamente.

Já estão a ser desenvolvidos os componentes para os automóveis que serão lançados daqui a 3 ou 4 anos. A indústria de componentes sabe quais modelos serão lançados para o mercado, e sabe também dos desafios que estão pela frente. A AFIA tem dinamizado projetos de ligação entre as universidades e a indústria, para promover aquilo que serão as soluções dos automóveis do futuro.

Estão constantemente a ser lançados “concursos” para o desenvolvimento de novos modelos e os construtores automóveis precisam de soluções e não de problemas vindos dos fabricantes de componentes. Os construtores trabalham em proximidade com a nossa indústria, e esta tem uma grande responsabilidade no desenvolvimento de fazer sempre mais e melhor.

Mobilidade

Os automóveis elétricos terão o seu espaço natural no mercado, mas dependem sempre de investimento das cidades em postos de carregamento, na criação de uma nova logística que envolve também custos para o erário público. Os automóveis com motores a combustão terão ainda um papel muito importante no mercado. Haja visto a evolução que houve na última década, com os motores a combustão a diminuírem drasticamente os consumos e as emissões. Este VW Arteon é um bom exemplo disso que estou a dizer.

Mas o automóvel não é só composto pelo motor. Existem muitos componentes da carroçaria que podem ser cada vez menos poluentes, inclusive os pneus. No âmbito da poluição, os “holofotes” estão muito virados para os automóveis, mas se pensarmos num âmbito global, é preciso ter em conta a aviação e o transporte marítimo, bem como outros poluidores fora do setor dos transportes, como a indústria e a agricultura. Isto para não falar nos incêndios florestais, entre outros exemplos.

Evolução tecnológica

A atual geração do Volkswagen Arteon encaixa na tipologia de carro que mais se adequa às minhas características profissionais, visto que por ano, costumo percorrer cerca de 60.000 km. O conforto é a principal razão de escolha de uma viatura, seguida dos consumos. O VW Arteon agrada-me logo nesses dois importantes aspetos. Tem um conforto a bordo acima da média do seu segmento, e os consumos neste teste estão nos 5,1lt/100km em percurso misto (cidade e autoestrada).

Como faço muita condução em autoestrada, acredito que facilmente que poderei alcançar os 4,6lt/100km de consumos com este modelo Arteon. O carro que utilizo no meu dia-a-dia tem o mesmo motor 2.0 diesel deste Arteon, e tenho conseguido consumos surpreendentes, com autonomias a rondar os 1200 km.

Aprecio a condução deste carro onde o volante tem novos botões com um funcionamento muito interessante: são um misto entre comandos “touchscreen” e botões analógicos. Funcionam com o simples deslizar dos nossos dedos, ou ao carregarmos no botão, para aceder ao menu do telefone, por exemplo. Além dos bem posicionados comandos no volante, todos os comandos no tablier funcionam também em modo “touchscreen”, desde o sistema de ar condicionado, até ao aquecimento dos bancos da frente.

Valorizo também numa viatura a sua acessibilidade. O Arteon na sua carroçaria limousine, apesar de ter uma configuração mais próxima de um coupé, consegue ainda assim manter uma boa acessibilidade. Pelo que pude experimentar, o Arteon incorpora também um bom nível de conectividade o que, para o segmento empresarial como é o meu caso e de muitos dos demais membros da AFIA, torna a condução mais segura e eficiente.

Capacidade de adaptação

Cada vez mais os automóveis têm uma grande camada tecnológica que não é percebida pelo condutor. Por exemplo, o funcionamento do motor deste Arteon (versão 2.0TDI 150cv DSG Elegance), no que diz respeito à reposta ao acelerador, adapta-se muito bem ao meu estilo de condução. Suavidade, precisão e boa reposta logo nas primeiras mudanças. A caixa de velocidade automática (DSG) torna a condução mais segura e confortável e, certamente influenciará no nosso bem-estar, sobretudo após efetuarmos muitos quilómetros numa utilização mais profissional.

A qualidade de construção, o posto de condução e o espaço interior são destaques neste modelo Arteon. Respira-se qualidade no seu habitáculo e notamos muita tecnologia da Volkswagen nos sistemas de assistência e de segurança à condução. Um modelo viável, com o excelente visual, e um padrão de construção e de performance acima de muitos modelos do seu segmento.

Estou habituado a ter de escolher os modos de condução entre as posições sport/confort/normal, para ajustar o automóvel à minha forma de condução. Pelo contrário, neste modelo Arteon sinto que o carro se adapta ao meu estilo de condução. Certamente um automóvel ideal para o setor empresarial que muito preza pelo conforto, consumos e segurança. Uma viatura que incorpora em cada detalhe, a cultura evolutiva da indústria de componentes automóveis.

Quanto ao presente momento, é preciso que os frotistas nacionais renovem as suas frotas, para que a nossa indústria se mantenha saudável. Posso dizer que este Volkswagen Arteon limousine é mais uma boa escolha para as frotas, em conjunto com outros modelos que irão certamente estar equipados com componentes produzidos em Portugal, ou por empresas nacionais” concluiu com entusiasmo o empresário José Couto, presidente da AFIA.

Print article

WP to LinkedIn Auto Publish Powered By : XYZScripts.com