Emertech foi decisiva na produção de ambulâncias

by on 18 Junho, 2021 in Frotas

Quando a Revista Automotive realizou a primeira reportagem da Emertech, esta empresa dedicada à construção de ambulâncias, ainda estava a dar os seus primeiros passos no mercado. Estávamos em junho de 2016 e a Emertech tinha “apenas” 7 funcionários. Hoje são cerca de 50 profissionais em plena atividade.

Para compreendermos este crescimento, entrevistámos José Nogueira, diretor de produção, e Carla Lisboa, diretora executiva e financeira, nas instalações da Emertech em Avanca, Aveiro.

Estes responsáveis contam-nos que “quando criámos a Emertech existia uma grande desconfiança do mercado, por total desconhecimento desta nova empresa, pese embora o facto de já trabalharmos neste mercado. Fruto de um trabalho sério, dedicado e muito profissional de toda a nossa equipa, conseguimos ultrapassar os obstáculos e crescemos, ao ponto de ter sido necessário mudarmos a empresa para as atuais instalações, em setembro de 2018.

Expansão

Investimos na remodelação das instalações com isolamentos, revestimentos termo acústicos, escritórios e zonas de trabalho. Se antes tínhamos apenas uma mesa para os trabalhos de serralharia, carpintaria e acabamentos, agora dispomos de uma zona completa para cada uma dessas valências, tendo sido inclusive adicionado a zona de pintura e um armazém de matérias-primas. Contudo, aproveitámos as antigas instalações e adaptámo-las para servir de armazém.

Neste momento, formamos uma equipa com cerca de 50 funcionários. Aumentámos as nossas capacidades produtivas em todas as áreas, desde a parte comercial, controlo de qualidade, design, bem como toda a área produtiva em diversos setores. Com este crescimento, foi necessário contratarmos um profissional para assumir a função de diretor geral, tarefa desempenhada pelo Pedro Gomes, sendo ele também responsável por toda a área de contratação pública e os negócios internacionais.

Gestão em pandemia

Creio que ficará para sempre na nossa memória as imagens das filas de ambulâncias à porta dos hospitais em Portugal, durante horas sem fim. Durante os meses mais críticos da pandemia, os nossos hospitais ficaram tão cheios que se tornou uma catástrofe a gestão da admissão dos utentes, sendo que os meios intermédios a serviram de suporte, foram justamente as ambulâncias.

Ninguém esperava que chegássemos ao ponto dos nossos hospitais colapsarem. Mas se conseguimos avaliar o que correu mal, também é preciso analisar o que correu bem, e neste ponto, as ambulâncias mais bem equipadas foram o meio intermédio mais adequado de apoio ao internamento e contribuíram, com a atuação das suas respetivas equipas, para minimizar os efeitos no auge da pandemia.

Os pacientes transportados já estavam infetados, e foi necessário investir na qualidade dos equipamentos, durante o tempo de doença. Por exemplo, estar dentro de numa ambulância 12 horas que dispõe de um bom revestimento, equipada com ar condicionado com caudal adequado, numa maca segura e confortável, faz toda a diferença.

Equipamentos recentes, com qualidade e certificação, fazem a diferença para o doente e também para as equipas que estão no terreno, sejam eles bombeiros, profissionais de saúde ou demais profissionais do setor social.

Devido à pandemia tivemos uma grande escassez de matérias-primas e mesmo agora continuamos a sentir uma falta de materiais. Isto engloba também os furgões e outros automóveis, onde os prazos de entrega das marcas automóveis, têm sido mais longos do que o habitual.

Durante o primeiro confinamento tivemos que espaçar os turnos de trabalho para evitar os surtos por contágio no local de trabalho, e as medidas de contingência implementadas fizeram com que a Emertech conseguisse estar sempre operacional. Conseguimos, no geral, fazer face aos nossos compromissos e as nossas encomendas.

Carteira de clientes

Os clientes principais da Emertech são as associações humanitárias de bombeiros, os municípios, a Cruz Vermelha, as IPSS, ou seja, toda a área de saúde e apoio social. Estes foram os primeiros a ter o “embate” da pandemia e a sofrerem diretamente as suas consequências. Além do desconhecimento inicial do vírus, um grande problema foi o preço dos consumíveis que atingiu níveis exorbitantes. Uma máscara cirúrgica, que custa normalmente 25 cêntimos no mercado nacional, naquele momento passou a custar 3 euros, por exemplo.

O investimento, não previsto, nos consumíveis causou um verdadeiro desfalque nas finanças dessas instituições, que ficaram sem capacidade financeira para investir em ambulâncias ou em outros equipamentos essenciais para o bom exercício das suas atividades.

Nesta área do apoio social e do pronto atendimento, quando menos se espera é quando é preciso dar-se uma reposta rápida. As ambulâncias são viaturas que praticamente estão presentes na vida das pessoas, desde o nascimento até à morte. Assim, a modernização destas viaturas é um investimento sempre necessário, quando se quer disponibilizar um serviço de qualidade à sociedade.

Posição sólida no mercado

Se os consumíveis foram vendidos a preços até vinte vezes superior, não fomos por esse caminho da especulação oportunista. Os nossos veículos transformados mantiveram os seus preços, mesmo nos momentos de maior procura. A nossa forma de estar no mercado não é oportunista, a nossa empresa tem rosto, tem pessoas dedicadas e com grande conhecimento e reputação na área. Com estes pressupostos, estamos a crescer e, neste sentido, abrimos uma unidade na ilha da Madeira.

A Emertech tem na credibilidade o seu valor superior e, a prova disso, é o nosso crescimento sustentado ao longo destes anos, onde os clientes sempre regressam à procura de novos produtos e de novas soluções. Ampliámos a nossa tipologia de transformações para veículos de emergência, unidades móveis de saúde, veículos de proximidade, de operações especiais, oficinas móveis e assistência na via pública, e até MiniBus, mas sem nunca deixarmos a área das ambulâncias.

Mesmo internamente, não cortamos nenhum benefício aos nossos funcionários, e assim asseguramos os benefícios acordados, indo além daquilo que é a norma neste setor. Porque não basta dizer que é preciso ter atenção ao setor social, quando internamente isso não se faz nada para melhorar as condições das pessoas. Também tivemos um grande investimento em EPI’s (equipamentos de proteção individual), para garantir a segurança de todos os colaboradores.

O nosso objetivo nunca foi unicamente o de alcançar o lucro pelo lucro, mas sim a sustentabilidade, a empregabilidade e o crescimento progressivo, alicerçado em qualidade.

Compensar a pandemia

No ano de 2020 assistimos ao adiamento na compra de ambulâncias. Só não foi um ano mau para a Emertech porque trabalhámos para compensar essa quebra, com uma grande proximidade com os nossos clientes, proporcionando uma maior diversificação das transformações e, também, dinamizando a internacionalização dos nossos produtos.

O ano de 2020 demos os primeiros passos na internacionalização, ao conseguimos um acordo-quadro para o fornecimento de macas e material hospitalar para as Nações Unidas (NU). Estamos a fornecer para todos os países que a NU nos solicita. Perspetivamos expandir esta relação também para o fornecimento de ambulâncias e de outros equipamentos da Emertech.

O recondicionamento de ambulâncias multimarca foi outro dos pilares que nunca abdicámos e que se mostrou também essencial, nos meses mais conturbados. Desde a nossa génese que prestamos o apoio de pós-venda das viaturas da Emertech, bem como realizamos o recondicionamento de ambulâncias construídas por outros transformadores. O cliente encontra dentro da nossa estrutura, um serviço completo, de proximidade e abrangente.

Desenvolvimentos

Os automóveis estão constantemente a evoluir as suas tecnologias e acompanhar este processo, é um desafio constante. Um dos exemplos que damos para se compreender a nossa capacidade técnica, é a frota de furgões elétricos que transformámos recentemente. Um veículo com motor a combustão tem encaixes, pesos, entre outras características técnicas, completamente diferentes dos automóveis elétricos, mas aceitámos o desafio e cumprimos com as expectativas dos nossos clientes.

Trabalhamos com todas as marcas de furgões, naturalmente em função da solicitação dos clientes. Claro que transformar um Renault Master é muito diferente de transformar um furgão Volkswagen Crafter, mas o conhecimento que temos do setor de mais de 20 anos, permite-nos apresentar uma solução de qualidade, à medida, com a segurança a ser o fator fundamental.

Apesar de todos os percalços criados pela pandemia, o nosso leque de clientes aumentou, naturalmente com uma maior complexidade dos pedidos. Com a credibilidade que hoje dispomos, tornou-se possível trabalhamos para empresas multinacionais com elevados standards, como é o caso da Siemens Gamesa, que nos solicitou transformações com muitos pormenores técnicos.

Outros importantes clientes, como a Força Aérea Portuguesa ou até o nosso Exército, têm um caderno de encargos bastante exigente. Todas as viaturas são importantes para a Emertech, mas a produção de ambulâncias está na nossa origem e elas continuarão a ser o nosso core business”, explicaram José Nogueira e Carla Lisboa, que estiveram acompanhados por Pedro Gomes.

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